Polêmica das continências: entenda como funciona o apoio aos atletas militares

O gesto tem gerado polêmicas nas últimas semanas e discussões sobre o assunto. Os atletas são militares ou não?

Polêmica das continências: entenda como funciona o apoio aos atletas militares
Arthur Zanetti fez a continência ao ganhar a prata (Foto: Márcio Fernandes/ Estadão)

O Brasil conquistou onze medalhas nestes Jogos Olímpicos Rio 2016 e, ao subirem no pódio, quase todos os medalhistas prestaram continência na hora do hino nacional. O gesto, entretanto, vem causando polêmica nas últimas semanas, já que existe uma discussão grande sobre a relação destes nomes com as Forças Armadas. Afinal, são atletas militares ou bolsistas patrocinados?

A resposta é simples. Na realidade, medalhistas como Felipe Wu, Rafael 'Baby' Silva e Thiago Braz, que fizeram a continência na hora do hino, são atletas militares e estão entre os beneficiados do Programa Atletas de Alto Rendimento.

A delegação brasileira conta com 465 atletas e, no meio desses, 145 são militares que fazem parte do Programa Atletas de Alto Rendimento, feito pelo Ministério da Defesa em parceria com o Ministério do Esporte em 2008. Esse programa funciona da seguinte forma: existe um edital, publicado em média duas vezes por ano, nas modalidades esportivas de interesse das Forças Armadas, que recruta nomes de ponta, oferece estrutura completa para treinamentos, uma ótima bolsa, que pode chegar a mais de R$3 mil por mês, 13º salário, locais para treinamento, recursos humanos nas comissões técnicas, participação nas competições militares, apoio de saúde, alimentação e alojamento. A exigência é que o esportista se gradue terceiro sargento, sem precisar passar por serviços ou operações militares.

Os sargentos fazem uma troca com as Forças Armadas em que, pela bolsa e a estrutura, os atletas têm sua imagem vinculada aos militares. Tudo isso, feito a partir de um longo processo de incentivo ao esporte e aos esportistas, foi pensado para a melhoria dessas modalidades no país. Desta forma, medalhistas como Felipe Wu, que treinava em casa, e Arthur Zanetti, que por anos não teve onde praticar, podem melhorar seus desempenhos.

Não há obrigação de prestar continência, tanto que, dos atletas vitoriosos, Rafaela Silva, Mayra Aguiar e Poliana Okimoto não o fizeram.

Além do PaaR, os atletas também podem recorrer a Bolsa Atleta e/ou a Bolsa Pódio,  criadas em 2008 ainda no Governo Lula e administradas pelo Ministério do Esporte. O principal objetivo dessa bolsa é justamente auxiliar possíveis campeões brasileiros para que eles sigam treinando. Ou seja, mesmo sem patrocínios gigantes, esses esportistas podem continuar no caminho até as medalhas.

Inclusive, desde 2012 também existe o Plano Brasil Medalhas, lançado pela presidente Dilma, que lançou como objetivo não só uma boa colocação no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos, mas também nos Jogos Paralímpicos. A Bolsa Pódio e a Bolsa Atleta são os principais incentivos do esporte paralímpico brasileiro.

Militares ou não, quem ganha com programas e bolsas de incentivo, no fim, é o Brasil.