CRÍTICA: The Night Of começa memorável, mas termina esquecível

A nova minissérie da HBO é intensa e cruel, mas deixa aquele gostinho de que poderia ter mostrado mais

CRÍTICA: The Night Of começa memorável, mas termina esquecível
(FOTO: Reprodução/HBO)

Depois de oito agonizantes episódios, chegou ao fim a mais nova minissérie policial da HBO, The Night Of. É uma das melhores produções do ano. O canal já cogitou a possibilidade de uma segunda temporada com uma nova história, mas ainda não há nada confirmado.

Quem se interessar em saber sobre o enredo, eu falo dele e mais detalhes sobre as minhas primeiras impressões com a série nesse texto.

Primeiramente, a série é um espetáculo visual. Fotografia cinzenta, com poucas cores, representando todo o clima sombrio da série. Muita simetria, planos fixos e enquadramentos lindos. Muito foco nas feições dos personagens, é uma fotografia irretocável, consegue transmitir uma mensagem sem precisar dizer nada.

Isso se deve muito também as atuações que são um show a parte. A Sofia Black D'Elia é a que tem menos tempo em cena, mas vende muito bem sua personagem. Ela interpreta a Andrea, uma jovem confusa e rebelde, e prende bem o expectador com seu mistério sobre quem ela realmente é ou o que quer. O Riz Ahmed também tá incrível. Ele interpreta o Naz que é o personagem que mais muda de personalidade no decorrer da série, e o ator responde muito bem a essa transição, nos fazendo querer confortá-lo no início, e confrontá-lo no decorrer da série. O John Turturro, ao meu ver, o melhor ator da série, ele consegue prender nossa atenção até passando creme no pé. Interpreta o Jack Stone, um personagem oportunista e menosprezado pelos companheiros de trabalho, que também passa por uma mudança intensa de personalidade, não tão exagerada quanto o Naz, mas de forma bem mais sutil. Além de sua doença alérgica, que rende muitos plots com ele sozinho em cena ou com apenas um gato, e em nenhum momento se torna monótono. É um ator que deve ser lembrado nas premiações. Amara KaranBill Camp também merecem destaque, mas todo o elenco de apoio é realmente muito bom, inclusive o gato.

O ritmo da série é lento, mas não entendam isso como algo ruim. Ela nos dá tempo pra desenvolver bem seus personagens, por isso eles são tão bons. Alguns podem achar a série cansativa em alguns momentos, mas ela consegue fazer com que a gente se importe bem com os personagens e crie teorias. Aliás, um ótimo trabalho aqui é que a gente fica com um pé atrás a todo momento, são vários suspeitos e a série esconde bem as pistas, e até o último episódio é impossível dar alguma certeza.

A trilha sonora e a direção de arte ajudam bastante a construir esse clima de tensão durante a série inteira. Os personagens em maioria são ótimos, possuem bastante profundidade, mas o desenvolvimento de uma me deixou bem frustrado. A Chandra, interpretada pela Amara Karan, consegue criar laços pela excelente atuação, mas a personagem em si é vazia e suas motivações são fracas. Não como advogada, pois ela cumpre seu papel, mas como pessoa. E uma cena específica com ela no episódio 7 me deixou bem revoltado.

Fora essa falta de senso com a personagem, o roteiro também peca no último episódio, com alguns plots inacabados, inclusive o da Chandra. Também ocultaram uma informação importantíssima que precisava ser contada, mesmo não sendo o foco principal da série. O desfecho principal acabou sendo bem tocante, mas os secundários deixaram um pouco a desejar.

The Night Of é tecnicamente perfeita, uma das melhores séries que você vai ver esse ano, mas que perdeu a chance de amarrar tudo no final e fechar com chave de ouro.

NOTA 8.4