CRÍTICA: Mr Robot não tem medo de ousar e termina segundo ano em alta

Segunda temporada não deixa o nível cair e coloca o cérebro do telespectador pra funcionar ainda mais, em momentos íntimos e grandiosos

CRÍTICA: Mr Robot não tem medo de ousar e termina segundo ano em alta
(FOTO: Reprodução/USA)

Chegou ao fim a segunda temporada de Mr Robot, série que tem dado o que falar no último ano devido a sua complexidade narrativa e uma das maiores obras primas da atualidade.

A produção do canal USA manteve o legado do ano anterior e deixou muitas dúvidas na cabeça dos telespectadores, que desenvolvem até hoje várias e várias teorias sobre o que se passa ou pode acontecer na série. É até difícil escrever uma crítica de uma obra tão complexa, mas vamos tentar fazer o melhor sem dar spoilers.

Temos aqui um Elliot ainda mais insano e perturbado do que o primeiro ano. Um personagem que não consegue distinguir o que é delírio e o que é real e vive lutando contra sua segunda personalidade. Tudo entregue com maestria pelo Rami Malek, que ganhou recentemente o Emmy de melhor ator merecidamente, e já desponta como grande favorito ao ano seguinte por mostrar ainda mais controle pela total perdição do personagem.

O telespectador pode ter problemas com a série, pois ela não é fácil de entender. Eu vejo isso como uma grande virtude. Elliot é um personagem confuso e perdido, e tudo que o Sam Esmail (diretor e roteirista) faz, é nos trazer pra dentro da cabeça do Elliot, nos fazer sentir o que ele sente, ou pensar como ele pensa. Por isso temos uma identificação fortíssima com ele. E se identificar com o personagem é o ponto vital pra que a série funcione.

Além dos plot twists, que também tem vários nessa temporada, e dos diálogos frios que arrepiam até a alma, um episódio em si chamou bastante a atenção nessa temporada. Já imaginou Mr Robot em formato de sitcom? Pois então, temos isso aqui. É um episódio extremamente bizarro e dividiu opiniões, mas ganhou bastante pontos com a crítica por ser um episódio ousado e inovador.

A série ganhou um pacote de novos personagens secundários, a maioria funciona bem e alguns deles acabam passando um pouquinho do ponto e ficam a beira de se tornarem caricatos, mas não chega a ficar forçado. Acontece que os plots secundários não empolgam tanto. Somos tão ligados ao Elliot que todo o enredo que não o envolva, por mais interessante que seja, não dá a mesma sensação. Os destaques em atuação ficam por conta de Grace Gummer, Christian Slater, BD Wong, Portia Doubleday e outros, já que essa série tem um elenco incrível.

A fotografia e a trilha sonora de Mr Robot são irretocáveis, o jogo de cores que a série usa é um dos melhores da tv. Futuramente talvez eu faça um texto só falando da psicologia das cores em Mr Robot. E a trilha sonora nem se fala, bandas como Pixies, Sonic Youth, Depeche Mode, Tears for Fears deixam a sua marca nos episódios com músicas muito bem encaixadas na trama.

Quanto ao enredo, a série preencheu algumas dúvidas ao fim da temporada, e gerou outras. Esses dois episódios a mais talvez não tenham sido necessários, 10 seria o número ideal, mas acabaram desenvolvendo mais plots secundários, pode ser que no futuro renda algo grandioso daí. A série também acabou trazendo alguns exageros ao envolver teorias da conspiração e perdendo um pouco o foco, mas compensa esse universo expandido com diálogos incríveis.

Por mais confusa que seja, Mr Robot teve um segundo ano um pouco superior ao primeiro, e já é uma obra prima. Uma das grandes favoritas ao Emmy de melhor série no próximo ano.

NOTA: 8.6