CRÍTICA: Black Mirror 03x04 - San Junipero

Pela primeira vez na série, Black Mirror nos traz um conceito de final feliz... nem tão feliz assim

CRÍTICA: Black Mirror 03x04 - San Junipero
(FOTO: Reprodução/Netflix)

E se a você tivesse a oportunidade de viver pra sempre, preso em um universo virtual, você aceitaria? Ou acha que a vida tem que ter um fim? O episódio mais delicado de toda a série trata desse assunto, de uma forma bem diferente do que a gente tá acostumado a ver na série.

Yorkie (Mackenzie Davis) é uma jovem tímida que chega em um bar sozinha em busca de se enturmar, até que conhece Kelly (Gugu Mbatha Raw), e elas começam a se envolver romanticamente. No entanto, Kelly some e Yorkie vai toda semana ao bar na esperança de reencontrá-la, e aí percebemos algo estranho: em uma semana os locais estão completamente diferentes, como se anos tivessem passado.

Fica um pouco confuso de compreender no início, mas depois a gente entende que se trata de um mundo virtual, conecido como San Junipero, onde o tempo passa diferente. Cinco horas no mundo real equivale a uma semana em San Junipero. Muitos dos habitantes de lá, são mortos que decidem viver nesse universo virtual pela eternidade, e outros, conseguem se ligar ao universo por determinado tempo através de um chip, que era o caso das nossas protagonistas.

É um episódio totalmente diferente do que a gente está acostumado em Black Mirror, ao invés de trazer uma consequência sombria da tecnologia, ele traz uma solução praqueles que pensam em continuar suas vidas, sem dor ou sem sofrimento. Mas pra outros, San Junipero é um lugar onde você fica preso em um universo virtual sem propósito algum.

A direção de arte é impecável, afinal o episódio vai transpassando por anos diferentes, e todo o design de produção, figurino, maquiagem são ótimos. A trilha sonora também é fantástica, com músicas de cada época, e letras subjetivas que dão uma dica do que se passa. E a fotografia é bem mais próxima da realidade, com menos CGI e mais cores.

O roteiro tem alguns deslizes, acredito que falta uma construção melhor de personagens, tudo acontece rápido demais. Foi um episódio que acabou sendo apressado, uma hora foi pouco pra tamanha complexidade da trama. Também há alguns clichês e arcos abandonados, mas a forma em como tudo é explicado é bem feita.

Mackenzie Davis é boa atriz, cumpre bem o seu papel. Mas a dona do episódio é a Gugu Mbatha Raw, principalmente no fim do episódio, onde a personagem ganha mais carga emocional pra trabalhar. Denise Burse também tá ótima aqui, ela faz o papel da Kelly mais velha, e além de parecida, leva toda a expressão de nostalgia e dor em seu rosto.

San Junipero é uma história de amor, é mais leve e traz um questionável conceito de final feliz pela primeira vez na série. A pressa atrapalhou um pouco a sua execução, mas o epílogo sobre a vida e a morte nos dá mais uma bela reflexão.

NOTA: 7.8