Megan Rapinoe fala sobre protestos no hino nacional: "Preciso fazer algo"

Jogadora do Seattle Reign escreveu sobre seu apoio ao movimento e afirmou que luta pela igualdade nos Estados Unidos

Megan Rapinoe fala sobre protestos no hino nacional: "Preciso fazer algo"
Rapinoe se ajoelhando durante um jogo os Estados Unidos (Foto: Sports Illustrated)

Os últimos meses nos Estados Unidos têm sido de grandes polêmicas no esporte. Em movimento iniciado por Colin Kaepernick, jogador de futebol americano na NFL, e seguido por atletas da NBA, WNBA e tantos outros, diversos nomes escolheram se posicionar contra a violência policial em solo norte-americano. Uma dessas pessoas foi Megan Rapinoe, meio-campista do Seattle Reign, que está se ajoelhando no hino nacional em sinal de apoio a manifestação.

Na última quinta-feira (6), a jogadora de futebol escolheu explicar publicamente porque estava se manifestando. Em texto publicado no site The Players Tribune, conhecido por postagens escritas por atletas sobre diversos temas, Rapinoe afirmou que se ajoelha porque precisava fazer alguma coisa.

Confira o que a atleta escreveu:

"Estou ajoelhando porque preciso fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Todos precisamos.

Sou a mesma Megan Rapinoe que vocês conhecem há anos. Sou a mesma mulher que vestiu a camisa dos Estados Unidos, orgulhosa e radiante. Sou uma das mulheres que vocês chamaram de heroína norte-americana, e não foi uma vez. Eu pareço sua irmã, sua amiga, sua vizinha ou a garota que vai à escola com seus filhos. Sou a pessoa sentada em sua mesa de jantar e que vai à sua festa nos feriados.

Não tive experiências com violência policial, preconceito racial, brutalidade da polícia ou vi o corpo de um membro da família morto jogado na rua. Mas não posso ficar parada enquanto há pessoas nesse país que precisam lidar com esse tipo de mágoa.

Não há forma perfeita de protestar. Sei que nada que eu faça vai tirar a dor dessas famílias. Mas sinto no meu coração que é certo continuar ajoelhando durante o hino nacional e farei tudo que eu puder para ser parte da solução.

Posso entender se você acha que estou desrespeitando a bandeira ao ajoelhar, mas é pelo meu grande respeito a bandeira e pela promessa que ela representa que eu escolhi demonstrar desta forma. Quando me ajoelho, estou encarando a bandeira com meu corpo inteiro, encarando direto no coração do maior símbolo de liberdade do nosso país — porque eu acredito que é minha responsabilidade, assim como é sua, assegurar que a liberdade é garantida a todos nesse país.

Escolhi ajoelhar porque, no tempo que levei para escrever esse texto, tantos outros norte-americanos foram perdidos para a violência sem sentido. Escolhi ajoelhar porque, nem a três quilômetros do meu hotel em Columbus, Ohio, uma noite antes do jogo da Seleção dos Estados Unidos contra a Tailândia, um garoto de 13 anos chamado Tyre King foi fatalmente baleado por um policial. Escolhi ajoelhar porque eu simplesmente não posso ficar de pé esse tipo de opressão que esse país está aceitando contra seu próprio povo. Escolhi ajoelhar porque, nas palavras de Emma Lazarus (poetisa estadunidense), "Até sermos todos livres, nenhum de nós será livre".

Mas isso é sobre mais do que apenas conscientizar-se. Sei que ações são feitas para ajudar a trazer mudanças reais. Agora, estou indo atrás de líderes de comunidades, parceiros corporativos e líderes do movimento Black Lives Matter (tradução livre: vida dos negros importa) para descobrir todas as formas de ajudar as ações que já estão acontecendo.

Enquanto talvez não haja um plano ou solução perfeitos na nossa frente, eu encorajo todos que estão lendo isso a entrarem nessa conversa. Juntos, podemos ouvir as pessoas que estão vivendo esse pesadelo todos os dias. Podemos tentar nos simpatizar com sua dor e começar a ter uma noção maior do que está acontecendo em nossa sociedade. Podemos ler artigos, editoriais, textos e histórias para tentar acabar com essa opressão ultrapassada.

Ter esse tipo de conversa pode ser difícil e complexo, mas e daí? Deveríamos falar com os membros de nossa família e desafiá-los, trazendo esses problemas difíceis para as mesas de jantar e continuar em conversas desconfortáveis. Esse não é um problema "deles" — esse é um problema "nosso".

E, se você estiver em uma posição de influenciar como eu estou, você pode usar sua plataforma para elevar milhões de vozes que são silenciadas e apoiá-los nos grandes trabalhos que já estão sendo feitos.

Ainda mais simples, você pode se perguntar essa questão: "Eu realmente ligo para a igualdade de todas as pessoas nesse país?"

Se a resposta for sim, então exija uma versão melhor, mais educada e mais empática de você mesmo. E exija o mesmo de cada pessoa que você conhece — pois, assim como disse perfeitamente Ijeoma Oluo, nascida em Seattle: Quando nós, como uma nação, colocamos nossa cabeça em alguma coisa, quando decidimos nos importar de verdade com algo, a mudança sempre ocorre.

Estou escolhendo fazer alguma coisa. Estou escolhendo me importar.

Muito amor,

Pinoe"