Arsenal em clássicos: evolução no retrospecto recente deixa torcedor animado

Equipe londrina tinha problemas com dérbis na era Emirates, mas nos últimos anos, aos poucos, a coisa vai mudando de figura

Arsenal em clássicos: evolução no retrospecto recente deixa torcedor animado
Sánchez, meio, foi fundamental para vitória por 3 a 0 sobre Manchester United na temporada passada (Foto: Stuart MacFarlane / Getty Images)

Déjà-vu, conhecido por ser uma brincadeira da memória, uma ilusão, que o faz acreditar já ter visto/presenciado algum dado momento. Déjà-vu, do brasileiro “já vi esse filme”. Déjà-vu, um sentimento que os torcedores do Arsenal entendem bem, principalmente nos últimos anos. A ideia de a equipe começar bem e cair de produção na segunda metade da temporada já foi comprada e a memória já não engana mais para àqueles que acompanham o clube – até quem vive o clube talvez tenha comprado.

Outro filme exibido nos melhores estádios da Inglaterra é o dos Gunners não vencerem clássicos ou jogos de maior importância. Ao longo dos últimos anos, porém, isso anda mudando aos poucos. Principalmente quando o assunto são os jogos fora de casa. Nos últimos cinco anos, vitórias sobre Chelsea, Liverpool, Manchester United, Tottenham e Manchester City, todos em mandos do adversário. O mesmo aconteceu jogando em casa. Se tirar apenas o rival azul de Londres, o recorde é ainda melhor: oito vitórias, 11 empates e quatro derrotas nos últimos dois anos entre Premier League e FA Cup. Os Citizens, por exemplo, não ganham do time de Arsène Wenger desde 2013.

Nesta temporada, o histórico se mantém equilibrado: até agora foi uma vitória, um empate e uma derrota. Todos, porém, jogados no Emirates. Neste sábado (19), o quarto da atual época acontecerá no Old Trafford, o primeiro fora de casa. Nos últimos dois anos totalizam-se uma vitória, um empate e uma derrota no Teatro dos Sonhos. Um bom recorde pra quem ficou quase uma década sem vencer no estádio do United.

Colocando todos esses números em comparação com os anteriores a estes, é possível notar a evolução dos Gunners quando se fala nos clássicos. De recorde negativo para positivo e, neste ano, um equilíbrio ainda que todos os jogos tenham sido disputados em seus próprios domínios. E, estes números, casos se tornem cada vez mais positivo, podem significar o início de uma mudança em relação à temporada como um todo, diga-se de passagem.

Mas falando do confronto direto contra o United, o dérbi da rodada, coloca-se sobre a mesa não só os números supracitados, mas também as fases quem ambos os clubes vivem. Enquanto o Arsenal busca consolidação, os Red Devils querem consistência ao longo dos anos. Desde a aposentadoria de Sir Alex Ferguson, o clube anda lutando para sequer conquistar uma vaga na Liga dos Campeões, tendo conseguido apenas uma vez desde a saída do ídolo escocês.

Para este ano, porém, grandes investimentos foram feitos pelo lado vermelho de Manchester, a começar com o principal deles: José Mourinho. O português chegou com a missão de trazer essa consistência, além da reformulação de filosofia da instituição como um todo e, acima de tudo, o retorno às glórias. Tudo isso, porém, demanda tempo. E, com quatro – quase cinco – meses de trabalho, ainda não é possível tirar conclusões ou hipóteses do futuro. Seja para bom ou para ruim.

O que é certo, por outro lado, é que a fase do time não é das melhores se comparada aos adversários diretos na luta lá em cima. Apesar do começo fulminante com invencibilidade, a equipe anda lutando com si mesmo desde a derrota no clássico para o Manchester City. De lá para cá são seis vitórias, três empates e quatro derrotas em três competições totalizadas. Só na Premier League são duas vitórias, três empates e duas derrotas. Claro, não é um recorde de todo ruim, mas, como também supracitado, a comparação não é das melhores com os oponentes. De liderança compartilhada a sexto lugar com oito pontos de desvantagem para o primeiro e seis para o Arsenal, clube que ocupa a quarta colocação na tabela.

Tal instabilidade e inconsistência pode ser uma vantagem que os Gunners podem tirar para si, usá-la e sair de Manchester com um bom resultado. Isso, consequentemente, melhoraria o histórico com o próprio United, além do histórico com clássicos, resultando em um confiança e melhoria psicológica para o restante da temporada. No turno faltaria apenas o Manchester City para completar os jogos importantes.

Portanto, quando os dois times se enfrentarem neste sábado (19), às 10h45 pelo horário de Brasília, muita coisa estará em jogo para os dois lados. A temporada de ambos pode passar por este jogo.

E se ao final do jogo aquele déjà-vu dos torcedores do Arsenal pode de uma vez por todas ir para o espaço, o dos torcedores do United pode começar. E vice-versa.