Recordar é viver: Ronaldo marca hat-trick e Brasil vence Argentina no Mineirão

Ronaldo marcou os três gols da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa de 2006

Recordar é viver: Ronaldo marca hat-trick e Brasil vence Argentina no Mineirão
(Montagem: Hugo Alves/VAVEL Brasil)
Brasil
3 1
Argentina
Brasil: DIDA; CAFU, JUAN, ROQUE JÚNIOR E ROBERTO CARLOS; EDMÍLSON, JUNINHO PERNAMBUCANO (JÚLIO BAPTISTA), ZÉ ROBERTO E KAKÁ (ALEX); LUÍS FABIANO (EDU) E RONALDO. TÉCNICO: CARLOS ALBERTO PARREIRA
Argentina: CABALLERO; SAMUEL; QUIROGA E HEINZE; ZANETTI, MASCHERANO E SORÍN; LUCHO GONZÁLEZ (AIMAR); DELGADO (ROSALES / SAVIOLA), CRESPO E KILY GONZÁLEZ. TÉCNICO: MARCELO BIELSA
Placar: 1-0, MIN. 16, RONALDO. 2-0, MIN. 22, RONALDO. 2-1, MIN. 35, SORÍN. 3-1, MIN. 95, RONALDO.
ÁRBITRO: OSCAR RUÍZ (COL). AUXILIARES: EDUARDO BOTERO (COL) E CARLOS SIERRA (COL)
INCIDENCIAS: PARTIDA VÁLIDA PELAS ELIMINATÓRIAS DA COPA DO MUNDO DE 2006, DISPUTADA NO MINEIRÃO, EM BELO HORIZONTE.

Era dia 2 de junho de 2004, a Seleção Brasileira enfrentaria, pela primeira vez no Mineirão, a Argentina. Um jogo que ficou na memória de todos os brasileiros. De um lado, Ronaldo, voltando ao seu maior palco após dez anos. Do outro, a equipe da Argentina, que não perdia há 17 jogos dentro da competição. A estrela de Ronaldo brilhou, três vezes. Com três gols, todos de pênaltis e sofridos por ele, o Fenômeno entrou definitivamente para a história.

Com um jogo rápido, beirando o impaciente, a equipe brasileira ignorou o futebol pregado pelo então técnico Carlos Alberto Parreira – toque de bola, ritmo cadenciado e paciência. A vitória nessa quarta-feira fez o Brasil assumir a liderança das Eliminatórias da Copa de 2006, com 12 pontos, um a mais que a Argentina.  Além da liderança do campeonato, a partida desempatou o número de vitórias nos confrontos entre as principais seleções do continente. Eram 33 vitórias para cada lado e 25 empates.

Primeiro tempo com jogo aberto e muita velocidade

A emoção já tomava conta do Mineirão antes mesmo da bola rolar. O Hino Nacional Brasileiro – interpretado por Milton Nascimento e o ministro da Cultura, Gilberto Gil, com acompanhamento da Banda de Música da Polícia Militar de Minas Gerais e do conjunto afro Berimbrown – embalou a torcida logo no início.

Jogando com velocidade, as seleções arriscavam no ataque. Aos 5min, Luís Fabiano livrou-se da marcação, arrancou pela esquerda, mas errou ao tocar a bola. A reação da Argentina foi rápida, Sorín, aos 8min, invadiu a área e foi travado antes do passe.

As duas equipes contavam com desfalques importantes. Sem Ronaldinho, Kaká era o responsável pela armação do Brasil e contava com a ajuda de Luís Fabiano, mas a criatividade do meio-campo e a marcação foram prejudicadas. Já na Argentina, Bielsa não pôde contar com Aimar, Riquelme e D’Alessandro.

Mesmo com dificuldades, o Brasil conseguiu abrir o placar. Aos 13min, Ronaldo recebeu passe de Kaká, invadiu a área pela esquerda e foi derrubado por Heinze. Pênalti. O atacante converteu, porém, o árbitro Oscar Ruiz marcou invasão dos brasileiros e mandou voltar a cobrança. Ofegante, Fenômeno chutou praticamente no meio, marcando o primeiro do Brasil.

A Argentina passou a pressionar o Brasil e, aos 17min, quase empatou com Crespo, mas Dida impediu a finalização. Sete minutos depois, Mascherano recebeu do escanteio e mandou para o fundo do gol. Porém, a arbitragem anulou, alegando que a bola havia saído durante o chute. Aos 28min, Crespo cabeceou e a bola foi por cima do gol. O restante do primeiro tempo foi morno, com tentativas dos dois lados.

Segundo tempo pouco criativo para os dois lados

O técnico Parreira voltou do intervalo com o discurso de que o Brasil deveria valorizar a posse de bola, porém, novamente, a Argentina começou melhor. A equipe brasileira reclamou de pênalti logo no primeiro minuto do segundo tempo – Ronaldo teve a camisa puxada por Samuel – mas o árbitro não marcou. Explorando o toque de bola, os argentinos arriscavam, mas sem a mesma objetividade do primeiro tempo.

Apesar de ter começado pior, a primeira oportunidade veio dos pés dos brasileiros. Aos 7 e 12 minutos, Ronaldo chutou da entrada da área, mas a bola passou longe do gol de Cavallero. Na tentativa do empate, o técnico Bielsa lançou o time para frente, tirando Rosales e Lucho Gonzáles e colocando Saviola e Aimar, mas não funcionou.

Aos 22min, Ronaldo foi derrubado mais uma vez dentro da área, dessa vez por Mascherano. O camisa 9 cobrou com categoria e ampliou o placar. 2 a 0 Brasil. A torcida brasileira se animou e cantou no Mineirão: “Êo, êo, o Ronaldo é um terror”.

Parreira resolveu mexer apenas aos 27 minutos do segundo tempo. O técnico tirou Juninho Pernambucano e Kaká e colocou Júlio Baptista e Alex. Aos 32min, Ronaldo mandou uma linda bola para Alex, que bateu de primeira, para uma ótima defesa de Cavallero.

Após algumas tentativas, a Argentina conseguiu descontar. Aos 34min, a zaga brasileira falhou após cruzamento pela direita e Aimar cabeceou na trave. Na volta, Sorín finalizou para o gol vazio. Com o gol, os argentinos passaram a pressionar e a zaga levou dois sustos.

Luís Fabiano, aos 44min, recebeu de Júlio Baptista e cabeceou em cima do goleiro argentino. Quase o terceiro do Brasill. Quatro minutos depois, Ronaldo brilhou novamente. Alex mandou um lindo passe para Ronaldo, que driblou Cavallero e foi derrubado dentro da área: terceiro pênalti. Conclusão: aos 50min, o terceiro gol do Brasil e do Fenômeno, na partida, foi marcado.