Andrés Sanchez revela não ter medo de investigações e garante pagamento da Arena Corinthians

Ex-presidente e atual deputado não fugiu de polêmicas, disse esperar por auditoria em casa corinthiana e elegeu Tite como maior treinador que passou pelo Timão

Andrés Sanchez revela não ter medo de investigações e garante pagamento da Arena Corinthians
Foto: Getty Images

Um dos mais polêmicos cartolas do futebol brasileiro, Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e atualmente Deputado Federal por São Paulo, deu entrevista ao programa "Bola da Vez" dos canais Espn e, como sempre, deu o que falar.

Sempre sincero, sem papas na língua e irônico, Andrés falou sobre tudo, desde os problemas enfrentados com a Arena Corinthians à investigação da Lava-Jato. Na primeira delas, falou sobre a relação da construtora Odebrecht com o Timão.

"Vou deixar bem claro. Infelizmente o Corinthians é bem grande e vende muito. Sobre esse escândalo da água, foi há um ano atrás. Tem uma auditoria contratada pela diretoria e a Odebrecht é obrigada a revisar e dar uma carta dizendo se pode ou não frequentar. Nós estamos com essa auditoria há muito tempo, se tudo foi feito corretamente e o Corinthians vai até o fim, doa a quem doer, seja do Corinthians ou da constrututora. A maior vitima é o Corinthians."

O Mundial 2014, que teve a abertura em Itaquera, foi um grande mal, segundo o ex-presidente corinthiano.

"Não fui eu quem fiz. Quero levar a fama do bom e do ruim. Foi um grupo. Passamos por dificuldades, até pelo 'diz que me diz'. A pior coisa foi a Copa do Mundo. A Fifa fez muitas exigências. Pra abertura, precisou ser feitas várias coisas provisórias. Era a prefeitura que deveria pagar, mas nós arcamos."

Questionado sobre o luxo desnecessário do estádio, Sanchez disse que, na época, todos elogiavam e que isso não mudou muito o preço final.

"Na época todo mundo achava muito lindo. O mármore valeu a pena. É pegar o preço do cimentão e ver o quanto valeu perante ao mármore. Quando foi feito, planejamos além de futebol. Está começando a ser usado em outros eventos."

Ele também confessou que a Copa ajudou o estádio a sair do papel, mas que prejuízos imprevistos apareceram.

"Talvez seria mais difícil, mas sairia. Quando eu vou montar um shopping, uma empresa, há incentivos, empréstimos do BNDES. Por isso o Corinthians aceitou. Arcaria com 400 milhões e hoje tem 900 milhões."

Sobre as especulações de que o clube coloca dinheiro no estádio, o ex-mandatário refutou e disse que apenas se abre mão da renda de bilheteria.

"Não é verdade. O Corinthians não colocou um real no estádio. Quem paga o estádio é o próprio estádio. O que o clube abre mão é nas receitas. O melhor ano foi no Pacaembu em 2012, que entrou 10/11 milhões. A média é 7/8. Todos os movimentos foram aprovados em todos os conselhos. Todos sabiam que precisavam pagar. O Corinthians não tira dinheiro do patrocínio, de caixa, pra pagar estádio. Todo dinheiro faz falta. Mas é um dinheiro novo. Não se contava o dinheiro da casa própria. Vai precisar abrir mão da renda por uns 10/12 anos."

Andrés revelou o montante pago até aqui pela arena: "Foram pagos 70 milhões. Tenho certeza que será pago."

Além disso, as dívidas com a casa corinthiana passam realmente da casa do 1 bilhão de reais, segundo o entrevistado:

"O Corinthians deve, hoje, com juros e tudo, 1bi e 200m. O Corinthians tem crédito de 500 milhões em cids (incentivos fiscais da Prefeitura de São Paulo). É um estádio que o próprio time tá aprendendo a lidar."

No recente caso de investigação contra corrupção feita pela Polícia Federal no caso Lava-Jato, Andrés foi enfático e defendeu Lula na ajuda ao estádio corinthiano: 

"O Corinthians é vítima. Não peguei nada, não pedi nada, não fiz nada. Dizem dali, dizem daqui... Se eu tivesse pego, eu falava. Não tenho nenhum medo. O Lula ajudou tanto que o último financiamento do BNDES demorou dois anos e meio."

Com seu patrimônio declarado na época das eleições, Sanchez foi questionado se ganhou ou perdeu dinheiro com a vida pública. Segundo ele, se mantém igual:

"Eu saí igual, mas perdi muito. Deixei de trabalhar nas empresas da minha família. Não é arrependimento, mas a Câmara é um lugar muito burocrático. Deveria fazer passeata pra mudar o sistema político, que está falido. Sou a maior oposição dentro do partido."

As questões internas, com brigas políticas com o ex-presidente Mário Gobbi e com o atual Roberto de Andrade foi motivo de explicações:

"Não rompi com nenhum dos dois. Se eu estou lá, eu mando. Se não estou, rompi. Não existe isso. Sou co-responsável. Acho que agora deveria ter uma nova liderança. E nem vou falar em quem vou votar, senão vão falar que estou mandando."

Sobre as contratações caras que o clube fez recentemente, Andrés disse que uma hora a conta chegaria, mas reafirmou que Nilmar foi mais caro do que Alexandre Pato:

"Quando foi campeão do mundo, deveria renovar o time, mas renovaram seus contratos. E ainda contratou Pato, Renato Augusto... A conta uma hora chega. Toda contratação que dá certo, é boa. O jogador mais caro não foi o Pato, mas sim o Nilmar, que paguei 42 milhões em 2009. Quando assumi, arrecada 60 milhões e nem tinha CT. Nós fizemos o CT e saí faturando 300 milhões."

E o que era suspeito se confirmou. Foi Andrés quem indicou Cristóvão Borges como técnico após ida de Tite para a Seleção Brasileira:

"Eu dei o nome do Cristóvão. Nunca tive com ele, mas quem contratou foi o presidente. O sistema é presidencialista. Eu acho que deveria esperar, assim como com o Tite. Se ele erra seria burro e eu também seria burro. Estive 15 anos com os amadores do clube e isso me ajudou no contato com jogadores. Tite é muito melhor como pessoa do que como profissional. Mas de longe."

Ele também falou sobre as formas de negociação dos jogadores com o mercado estrangeiro. E disse que, quando o jogador quer, fica impossível segurar:

"Jogador de futebol é diferente. Além de ser sozinho, é muito assediado. A carreira é curta. Quando tá mal, todos querem matar e quando tá bem, quer ganhar mais dinheiro. Devemos saber viver com isso. Isso é com qualquer um, procuramos sempre o melhor pra gente. Como se segura um Renato Augusto ganhando mais de 2 milhões? Não tem presidente que segura. O Jádson quase foi da primeira vez, mas a esposa não deixou e depois recebeu uma proposta ainda melhor. O Renato veio com 3.5m do Bayer por 50% com uma cláusula de que deveria ser vendido se viesse uma proposta de 8 milhões."

E no mundo do futebol, Andrés coleciona alguns amigos e citou alguns deles, mas também disse estar magoado após recentes declarações do ídolo Neto:

"Tenho quatro amigos treinadores: Tite, Owaldo, Muricy e Vanderley. Fico triste com as palavras do Neto. Minha família tem uma convivência bacana com a dele e quando ele me der a oportunidade, vamos explicar a situação. Realmente deixei muitas pessoas fora da diretoria, mas que depois se tornaram e seguiram meus amigos. Tenho muito respeito pelo Neto."

E Andrés confirmou que Tite é o maior treinador da história corinthiana, além de dizer que a imprensa tem muita culpa nas falta de continuidade dos técnicos:

"O Tite é o maior técnico do Corinthians. Mas ele é muito mais como ser humano, como pessoa, do que como treinador. A imprensa não deixa um treinador trabalhar mais do que dois anos. Se o Oswaldo perder mais dois jogos, irão falar um monte pra tirar."

Se na parte política as coisas estão quentes, dentro de campo, a vida corinthiana não é muito diferente. O Timão segue na busca pelo G6 e se prepara para encarar o Figueirense, quarta-feira que vem, em Florianópolis.