De Marcelo Oliveira para Cuca: o que mudou no Palmeiras?

Após as transições de técnicos, equipe Alviverde apresentou grande evolução em 2016 e o resultado no fim da temporada foi a conquista do título

De Marcelo Oliveira para Cuca: o que mudou no Palmeiras?
Fotomontagem: Hugo Alves/VAVEL.com

Como se sabe, antes de Cuca e Marcelo OliveiraOswaldo de Oliveira quem estava no cargo e foi o comandante do Palmeiras desde o começo de 2015, ano que o clube buscava se reestruturar após quase ser rebaixado em 2014. Nessa época, o Verdão realizou um grande número de contratações que, por ter um elenco muito fraco e vários jogadores indo embora, como disse Alexandre Mattos, não era algo certo, era algo necessário pela carência técnica que o elenco mostrou em 2014.

Mesmo que nem todas as contratações fossem unânimes, o grande reflexo disso foi o pedido de Oswaldo para contar com Rafael Marques. Aconteceu algo que na época não era tão comum. Quando Dudu que era fortemente disputado pelos dois maiores rivais por várias semanas, o Palmeiras acertou com o jogador, contratação que simbolizou o quanto o Verdão não iria apenas sofrer nas competições, mas sim disputá-las.

Com o time totalmente novo e contando com raras peças de 2014, além de possuir uma arma espetacular que era ter o Allianz Parque desde o início do ano pela primeira vez, o jogo que mais pode-se perceber a força da arena foi a vitória categórica contra o São Paulo, no gol de Robinho em cima de Rogério Ceni. O time se acertou durante o Campeonato Paulista e o ápice da passagem de Oswaldo foi num jogo épico contra o Corinthians na semifinal em Itaquera, que fez com que o time se classificasse para a final, muito por conta de Fernando Prass.

Chegando à Final, o Palmeiras acabou perdendo contra o Santos nos pênaltis, algo que amadureceu demais o elenco naquele momento, principalmente Dudu, que era o jogador pelo qual todos culparam. Primeiro por perder o pênalti no jogo de ida, e segundo por ter sido expulso no jogo da volta, mas que viria a ser uma peça fundamental para o Palmeiras ser campeão na chegada do Marcelo Oliveira.

No começo do Brasileirão, o Verdão começou muito bem, conseguindo uma vitória muito convincente em cima do seu maior rival, de novo em Itaquera, partida esta que foi a última (e bela) do Valdívia, cabando assim com uma era bastante polêmica e conturbada. O jogador que mais dividiu opiniões nos últimos anos pelo Palmeiras se despedia, mas em saída que foi boa para ele e para o clube também.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

Sai Oswaldo, entra Marcelo

Após uma sequência de jogos fracos, Oswaldo admitiu que era o próprio culpado pelos resultados e não se segurou no cargo. Daí em diante, Marcelo Oliveira quem comandou o Palmeiras em 2015, em um começo empolgante, mas o restante nem tanto assim. O Palmeiras em sua chegada fez 4 a 0 no São Paulo, novamente no Allianz Parque. Apesar de uma defesa nem sempre segura, o Verdão caminhava fazendo bons jogos, como a vitória em mais um clássico em casa contra o Santos e a goleada que exerceu no Vasco em pleno São Januário.

Mas uma das principais peças do Palmeiras naquele ano se machucou gravemente e não pôde continuar atuando em 2015. Gabriel era o tipo de jogador que se completava perfeitamente com Arouca e Robinho, cada um com sua característica. Era a trinca do meio que fez o Palmeiras se dar bem durante todo ano, mas com essa lesão, viu-se que o elenco nessa posição oferecia muitas carências.

Com Amaral ou Andrei naquele lugar o Palmeiras desandou em grande parte de uma seqüência muito boa que havia feito naquele Campeonato Brasileiro, mas no mata-mata, mesmo com um desses dois e vezes até com os dois, a equipe alviverde ia passando de fase e via cada vez mais chances de conquistar o título da Copa do Brasil.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

Gabriel Jesus virou titular absoluto da equipe de Marcelo Oliveira e fez um dos seus melhores jogos com a camisa alviverde no Mineirão contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, competição onde o mesmo havia feito seu primeiro gol como profissional. O Palmeiras como via essa chance de brigar pelo título pela Copa, se mostrava bastante apática e sem caminhos para jogar um futebol aceitável muitas vezes, mas aquilo não era por acaso. Cm tempo teriam que se acostumar com aquele futebol até quando um campeonato era prioridade (mais pra frente na Libertadores de 2016, por exemplo).

Após passar o Internacional na Copa do Brasil com gol épico de Andrei Girotto, o Palmeiras mesmo com muitos problemas táticos, defensivos e desequilíbrios durante os jogos, mostrou uma força inigualável dentro do Allianz Parque com uma atmosfera gigantesca no jogo contra o Fluminense pela semifinal. O que é sempre bom lembrar, que se Fernando Prass não tivesse defendido aquela bola de Fred nos últimos minutos, teria tudo acabado.

O Palmeiras nos pênaltis conquistou a vaga na final, mas não convencia em nenhuma das duas competições que disputava, e apesar de falarem tanto naquela final antes da bola rolar que o Santos já seria campeão, era totalmente justificável pelo futebol que os dois demonstravam, ou no caso do Palmeiras, a falta dele.

Marcelo Oliveira era muito bom nas entrevistas. Na teoria conseguia entender todos os defeitos que o time passava, mas na prática não conseguia mudar absolutamente nada naquilo, pelo contrário, só piorava, principalmente no aspecto defensivo. Mas como disse Barrios antes dos dois jogos decisivos: “Final não se joga, se ganha”, jogador este que viria a fazer uma das melhores apresentações no último jogo no Allianz Parque.

E foi isso que o Palmeiras fez. Tendo milhares de detalhes naquela final, como o pênalti perdido de Gabriel Barbosa, o gol perdido no último minuto na Vila Belmiro, a defesa do Prass no chute de Ricardo Oliveira na pequena área, o pivô do Barrios, a cabeçada de Vitor Hugo para o meio, os gols oportunistas de Dudu, a partida de Matheus Sales, a escorregada de Marquinhos Gabriel, a defesa de Prass, o chute do mesmo na cobrança do último pênalti e tantos outros detalhes fundamentais para a primeiro conquista do Palmeiras no Allianz Parque.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

É fato que Marcelo teve seu mérito na conquista, mas longe de ser o principal responsável, que naquela noite de 2 de dezembro de 2015 quem fez a diferença foi a torcida e seus jogadores. O saldo do Palmeiras no ano de 2015 foi algo espetacular. A forma que conquistou o título e as peças que o clube tinha na teoria, além do elenco e a vantagem econômica diante dos rivais fazia com que 2016 fosse melhor na prática, pelo menos um futebol melhor demonstrado, o motivo pelo qual aconteceu a manutenção de Marcelo Oliveira.

O técnico teve a pré-temporada para disputar amistosos, para fazer experiências e contratações. Semanas e meses se passaram e nada mudou. O time do Palmeiras não contou com alterações positivas, pelo contrário, ficou conhecido como o time do chutão, do fraco setor defensivo e consequentemente com alta média de gols sofridos.

Uma boa estatística demonstra como o time era desequilibrado, perdido e mal aproveitado no início de 2016. Apesar de todas as peças, o Verdão, no período em que Marcelo assumiu, foi vazado 65 vezes em 50 jogos, tendo média de 1.3 gols sofridos por jogo. Antes de o treinador chegar, o time com Oswaldo e Valentim mantinham uma média de levar apenas 0.80 gols por partida.

Após tantos gols sofridos, derrotas e até risco de cair para a segunda divisão do estadual, Marcelo Oliveira foi demitido no dia 9 de março, logo após a derrota por 2 a 1 para o Nacional.

A chegada de Cuca e o início das mudanças

Quando Oswaldo foi dispensado do cargo, todos já sabiam que Marcelo Oliveira seria o novo técnico do Palmeiras. Caso idêntico a quando ele deixou o clube, já era certo que Cuca seria o treinador, e a esperança do palmeirense em fazer aquele time tão bom no papel finalmente jogar bola engatando uma boa sequência de jogos com sua chegada após o Campeonato Paulista em que o Palmeiras conseguiu se recuperar e foi eliminado na semifinal.

Depois de finalmente ter uma melhora visível e uma base, o Palmeiras adicionou Tchê Tchê, Roger Guedes e Mina, peças que viraram fundamentais pra campanha intocável que o clube teve no campeonato. A confiança do Cuca era tamanha que mesmo não conseguindo a classificação para Libertadores e sendo eliminado no detalhe no Paulista, ele confirmou categoricamente que o time foi feito para ganhar esse Campeonato Brasileiro, e ele estava certo.

No começo do Brasileirão, o Palmeiras veio com um futebol totalmente convincente e com muitas alternativas que o elenco sempre dispôs, mas que desta vez não ficava apenas no papel, mas sim também usado na prática.

Mesmo com jogadores que o torcedor esperava mais, como Erik e Cleiton Xavier, todos tiveram seus momentos fundamentais que ajudaram para a conquista do título inédito em pouco mais de 20 anos. Diferente do que dizem, nesse caso, a última impressão é a que ficou. Um Palmeiras totalmente seguro defensivamente, mas que não apresenta aquele futebol vistoso (que poucos se lembram) no primeiro turno do campeonato.

Não é tão difícil assim citar os jogos em que o Palmeiras venceu e convenceu, como contra o Atlético-PR na primeira rodada, com o Flamengo em Brasília, com o Corinthians em casa, com o Sport fora, e um dos melhores jogos do Campeonato, quando venceu o Grêmio por 4 a 3 no Pacaembu.

O Palmeiras fez jogos seguros quando na teoria seria fácil e sem passar sustos, ainda no primeiro turno, contra Santa Cruz, América e Figueirense. Esse Palmeiras poucos conseguem se lembrar. Preferem lembrar do atual, que apesar de não ser brilhante tecnicamente, jogou com o regulamento e abriu boa vantagem para Flamengo em uma época em que chegou a ser o Santos o mais ameaçador, e também jogando com uma pressão gigantesca, coisa que deve também deve ser levado em conta.

Quanto a parte defensiva, Cuca logo ajeitou o time com a dupla Mina e Vitor Hugo, e adicionou a segurança que Jean tem pelo setor direito, além da experiência de Zé Roberto, que mesmo com a idade tão avançada, tem um ótimo ajudante pelo seu lado que é o Dudu. No meio campo, Cuca mostrou o quanto o Palmeiras tem um leque de opções neste setor, formando no começo com Moisés, Tchê Tchê e Cleiton Xavier, principalmente no Allianz Parque.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

Quando a partida era mais perigosa e pegada, o técnico escalava Thiago Santos no lugar do Cleiton, fazendo com que Moisés e Tchê Tchê tivessem mais liberdade que o habitual, com raras aparições de Matheus Sales e Gabriel, que também fazem a função de ser o principal marcador do meio-campo.

 A outra alternativa que o treinador procurou foi a ida de Fabiano para o lado direito, que no começo foi muito criticado pela torcida, mas gostando ou não, é notável que melhorou muito comparado as suas primeiras partidas com a camisa alviverde. No returno o jogador foi bastante seguro e até se arriscou na frente quando precisou, segurança esta que garantiu a ida do Jean para o meio-campo, formando a trinca com a dupla Tchê Tchê e Moisés.

No ataque há uma maior variável, na maior parte do tempo foi formado por Roger Guedes, Dudu e Gabriel Jesus, trio que na maior parte do campeonato foi a mais brilhante, principalmente no começo dele. Por outro lado, o Palmeiras tinha três centroavantes em seu elenco, mas a melhor alternativa para Cuca era Jesus centralizado, coisa que rendeu tanto que o jogador se tornou artilheiro isolado, Campeão Olímpico e o atual camisa 9 da Seleção Brasileira.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

Há de ser notado que a evolução que Dudu teve de 2015 para 2016 foi fundamental para mais um título nacional do Palmeiras, e grande responsabilidade nisso foi a moral que Cuca deu para o ponta-esquerda, fazendo com que fosse o capitão da equipe mesmo após a saída de Prass por lesão, que por sinal, a partir daí que surgiu a maior surpresa do ano para o Palmeiras. Jaílson, que apesar de toda sua experiência, nunca tinha atuado pela elite, e correspondeu de forma intocável, pegando uma grande forma invicta, não perdendo por um longo período pelo Verdão.

Um dos maiores fatores para o título foi a frieza que o time se portou em momentos delicados e decisivos do campeonato, mesmo com uma média de idade baixa e poucos jogadores campeões brasileiros, além da torcida que lotou rua, arena, aeroporto e tudo que fosse possível, mesmo com proibições contestáveis.

Para finalizar, é sempre lembrar que para muitos este Palmeiras campeão pode ficar marcado por um time que não joga bola, algo que pode ser totalmente injusta, mas para o palmeirense isso pouco importa, afinal, estar entre as melhores campanhas de todos os tempos dos pontos corridos não é por acaso. Quando precisou jogar bonito? Jogou. Quando precisou ganhar? Ganhou.

E diferente do fim de 2015, apesar do saldo ser bom naquele ano, pode-se afirmar com convicção de que agora, além de ter um título nacional em 2016, o Palmeiras também tem um time organizado, que não fica apenas no papel, mas também em campo.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação