1994 ou 2016: Qual o melhor elenco dos dois últimos Brasileiros do Palmeiras?

Mais de duas décadas depois, o palmeirense volta a comemorar um título Brasileiro e a VAVEL Brasil traz um comparativo entre o elenco campeão de 1994 com esse de 2016

1994 ou 2016: Qual o melhor elenco dos dois últimos Brasileiros do Palmeiras?
1994 ou 2016? Qual o melhor dos dois últimos Brasileiros do Palmeiras?

Mais de duas décadas. Precisamente, 22 anos de fila para o Palmeiras voltar a erguer o quinto Campeonato Brasileiro (desde 1971) e o torcedor comemora em meio à nostalgia daquele que foi o último título formado por uma equipe estrelada, campeã pra cima do arquirrival Corinthians em partidas eletrizantes.

1994. O Brasil e o mundo eram outros. O país acabara de perder seu maior ídolo esportivo num acidente na Fórmula 1. Mas também comemorava o tetra campeonato na Copa do Mundo. Não tinha tanta atenção ao mercado europeu de futebol e a maioria dos craques jogavam nos clubes brasileiros.

2016. Levando para comparar apenas com os fatos acima, o Brasil corre risco de não ter pilotos na F1, levou o ouro na Olimpíada no Rio de Janeiro, mas se valoriza demais o futebol europeu, berço dos grandes jogadores nacionais e internacionais.

Colocado o contexto das diferentes épocas, a VAVEL Brasil traz o que todos gostam de fazer: comparações. Quem era melhor? Quem jogava mais? Quais os pontos fortes? Deficiências? Confira abaixo, setor por setor, com destaque em cada posição, sobre o elenco campeão brasileiro em 1994 e, logo depois, os atuais vencedores do Brasileirão 2016.

Campeonato Brasileiro 1994

Eram outros tempos. A fórmula de disputava mudava ano a ano e isso gerava uma confusão enorme, principalmente no planejamento das equipes. O Palmeiras pouco tinha mudado após o título do ano passado e entrava como favorito. Eram 24 clubes divididos em quatro grupos de seis, com jogos dentro de cada grupo, em dois turnos. Os quatro primeiros de cada grupo passavam, sendo que os vencedores dos grupos já começavam a segunda fase com um ponto extra; os dois últimos colocados de cada grupo foram para a repescagem.

Na segunda fase, os 16 clubes classificados jogaram todos contra todos, em turno único, porém organizados em duas chaves de oito (E e F) para efeito de classificação. Na primeira etapa (sete rodadas), os jogos foram apenas dentro das chaves; na segunda etapa (oito rodadas), os clubes da chave E enfrentam os da chave F. Passavam para as finais o vencedor de cada etapa em cada chave, além dos dois mais bem colocados independentemente de chave.

Para a repescagem, os oito clubes jogaram todos contra todos, em turno e returno. Os dois primeiros classificavam para as finais; os dois últimos, rebaixados. Na fase final, ida e volta em mata-mata.

Terceiro colocado no ano passado, o Corinthians foi o rival, mas não conseguiu fazer frente. Foram dois jogos no Pacaembu, com a primeira vitória palmeirense por 3 a 1 e empate para garantir a taça na segunda partida.

Campeonato Brasileiro 2016

Mais simples e mais encorpado, foi iniciado em 2003 e mantido desde então. 20 clubes, todos contra todos e ida e volta. Quem fizer mais pontos, leva. E o Palmeiras foi mais regular. Mesmo sem encantar no estilo de jogo, foi eficiente, se manteve no topo o tempo todo e não deixou Flamengo e Santos, principais rivais na briga pelo título, chegarem perto. A conquista veio com uma rodada de antecedência.

Defesas

1994: Não era o ponto da equipe bicampeã brasileira, mas colcoava respeito e contava com nomes realmente importantes no clube e que fez o nome na história do futebol brasileiro. No gol, Velloso e Sérgio se completavam, com o primeiro sendo mais histórico nas conquistas. Por mais que atuasse no meio também, Mazinho quebrava o galho de forma magistral pela lateral-direita. Tanto que foi tetracampeão mundial em 1994.

Na zaga, Tonhão era uma segurança que ficava no banco. Muito querido, ficou marcado pela virilidade e força física. Mas não tinha como ser titular quando se colocavam Antônio Carlos e Cleber. Uma das maiores duplas de zaga palmeirense, aliava a força física (Cleber), com a técnica, qualidade (A. Carlos). Sempre seguros, se completavam e fizeram história.

Por falar em história, poucos fizeram tanto quando Roberto Carlos, lateral-esquerdo daquele ano.O ainda jovem baixinho era uma máquina. Um furacão no ataque, era quase um terceiro atacante, enquanto fazia um ótimo papel defensivo. Sua canhota já era conhecida naquele ano.

2016: A meta palmeirense foi uma bagunça nesse ano. Mesmo com o ídolo Fernando Prass incontestável, uma grave lesão o tirou de todo o torneio. Coube ao jovem Vágner entrar no gol. Mas ele foi inconstante e, nesse momento, uma decisão importante aconteceu. Jaílson, já com certa idade, desconhecido, vindo do Nordeste, teve sua chance e agarrou de forma impressionante. Foi campeão sem perder um jogo e decisivo em várias partidas.

Na lateral-direita, mesmo com Fabiano da posição, Jean foi o titular e destaque. Um dos artilheiros da equipe, foi o desafogo do time e válvula importante de ataque na equipe alviverde. Um dos melhores no torneio.

A dupla de zaga foi muito bem. Mina chegou no meio do ano e conquistou a todos pelo futebol e carisma. O colombiano alia sua altura com faro de gol, seriedade e técnica. Além disso, teve em Victor Hugo um parceiro ideal, que também foi forte na bola aérea e completou o paredão verde. Além deles, a experiência de Edu Dracena deu um toque de calma e cadência no siste defensivo.

Na esquerda, o veterano, interminável, mas eficiente Zé Roberto provou que idade nem sempre atrapalha. Sem comprometer e ainda sendo importante em alguns jogos, o experiente dominou o setor. Na sua reserva, Egídio foi uma importante opção, principalmente para manter a consitência defensiva.

Meio-campo

1994: Naquele Palmeiras bicampeão, talvez tenha sido o setor que mais aliou estilos. Eram nomes pesados, que fizeram sucesso no futebol brasileiro e multi-campeões por outras equipes. Pra começar, César Sampaio, volante de enorme qualidade defensiva, mas com saídas ofensivas também. Liderança, batalhador, motivador... capitão e muito importante para a moral da equipe.

Ainda começando a carreirra, Flávio Conceição dava sinais do que seria sua carreira. Talento enorme para, geralmente, começar as jogadas ofensivas e deixar a vida fácil na frente. Junto dele, Zinho era o cérebro da equipe. Uma qualidade, técnica, inteligência... Digna de quem era titular no tetra do Brasil nos EUA. Um monstro.

E tinha um jovem magrelo que acabara de trocar o Corinthians pelo dinheiro da Parmalat. Rivaldo já dava sinais de que seria um dos maiores 10 brasileiros. Mais artilheiro que futuramente seria, mas igualmente técnico e clássico, foi o fator surpresa.

2016: No título desse ano, o meio palmeirense foi literalmente o motor da equipe. Na volância, vários jogadores no elenco, como Arouca, Gabriel,, Thiago Santos e Rodrigo. Mas ninguém foi tão importante quanto Tchê Tchê. Em seis meses, o volante saiu de desconhecido do vice Paulista Audax para protagonismo no título palmeirense. Ao lado dele, Moisés foi tão importante à ponto de ser um forte candidato ao prêmio de melhor jogador. Na defesa, no ataque, dando suportem cadenciando, iniciando os ataques, aparecendo por dentro para o ataque, cobrindo na defesa... ele fez de tudo!

Cleiton Xavier talvez tenha sido aquele de quem mais se esperava. Sua qualidade é enorme, mas não conseguiu se soltar. Mesmo assim, anotou importantes gols, levando o time ao título.

Ataques

1994: É difícil de se comparar esse Palmeiras desse ano com qualquer outro. Um dos melhores ataques da história do clube, amassou quem passasse na frente. Composto por um jovem e encapetado Edílson, que não seguiu no time até o fim do ano e se tornaria ídolo do maior rival Corinthians, ao lado do ídolo eterno Edmundo, animal  decisivo, com um faro de gol incomparável e com a raça, espírito, gana que o time precisava. Essa dupla infernal ainda tinha um tal de Evair, que cansou de fazer de gols, cansou de ser decisivo, cansou de ser gigante. Um dos grandes ídolos verdes da história. Esse trio já supera a história de muitos clubes grandes por aí.

2016: Não se dá para comparar a grandeza de 1994 com dessa temporada. Aquele time dava show, mas esse não fica pra trás no quesito eficiência. Pra começar, o capitão, símbolo desse time guerreiro, Dudu, que demorou para engrenar, mas se mostrou um atacante decisivo, de grupo, batalhador e companheiro. O protagonismo nem tão grande de Dudu deixou outro garoto brilhar. Gabriel Jesus foi uma joia lapidada com cuidado pelo clube. Desde 2015 já se esperava muito dele. Mas foi nesse ano que ele explodiu. Com direito a recordes pela Seleção Brasileira, Jesus foi o toque divino na campanha, aliando velocidade, qualidade, ousadia e estrela. A experiência de Alecsandro foi importante, principalmente após o doping. Barrios e Leandro Pereira foram opções para a grande área, enquanto Erik era a velocidade para as segundas etapas.

Treinadores

1994: São mais de 20 anos. Ninguém passa todo esse tempo sendo reconhecido e ainda tendo seu valor se não for competente. E Vanderlei Luxemburgo conseguiu ser enorme. Naquele ano já reuniu grandes estrelas e os fez jogar bonito. Tá na história do clube.

2016: A discussão beleza/eficiência foi recorrente nesse Brasileiro. Verdade que Cuca não fez do Palmeiras o time mais bonito de se assistir, mas criou um estilo seguro, tranquilo, que conseguia vencer sem sofrer sustos. Mesmo que na reta final ainda tenha vencido mais no sufoco, o que valeu foi a taça no fim do ano.