O futebol envolvente que levou o Palmeiras ao bicampeonato de 1994

Após o fim do jejum de títulos em 93, o Verdão queria ainda mais, conquistando dois bicampeonatos no ano seguinte, igualando o feito da Segunda Academia

O futebol envolvente que levou o Palmeiras ao bicampeonato de 1994
Fotomontagem: Hugo Alves/VAVEL.com

Os títulos brasileiros de 1993 e 1994 tiveram sabores especiais para a torcida palmeirense. Foram 17 anos de angústias e sofrimento até então. Ao longo de tantos anos longe das glórias de seu passado, o Palmeiras ainda teve de assistir seu arquirrival, Corinthians, conquistar seu primeiro Brasileirão, e o São Paulo colecionando troféis em competições internacionais.

Distante do protagonismo compatível à sua grandeza, a luz no fim do tunel para o Alviverde surgiu em 1992, quando o clube passou a ser patrocinado pela Parmalat. A união, no entanto, levou algum tempo até começar a dar certo. Em seu primeiro ano, mesmo com os reforços trazidos pela empresa italiana, o Palmeiras só chegou ao vice-campeonato paulista daquela temporada.

No ano seguinte, a nova patrocinadora decidiu injetar ainda mais dinheiro no clube, trazendo para a equipe do Palestra Itália nomes como Edmundo, Edílson, Antônio Carlos, Roberto Carlos, e o técnico Vanderlei Luxemburgo. E a resposta a tantas novidades não poderia ser mais rápida. Em 1993, o Palmeiras voltou a conquistar o título de campeão paulista - este, diante de seu arquirrival, Corinthians - e, em sequência, o de campeão brasileiro e da copa Rio-São Paulo.

Dobradinha Alviverde

Embalado por um ano vitorioso, o Palmeiras entrou em 94 com um pouco menos de sorte, caindo ainda nas oitavas de final da Libertadores, diante do São Paulo. Contudo, a equipe brilhou no Paulistão e no Campeonato Brasileiro daquele ano. 

No estadual, ainda disputado em pontos corridos, com turno e returno na época, os comandados de Luxemburgo sobraram. Em 30 jogos, foram 20 vitórias, sete empates e apenas três derrotas, somando um total de 47 pontos, que renderam ao Verdão o bicampeonato paulista. Evair, na época o grande matador do Palmeiras, foi o artilheiro da competição, com 23 gols. Mas isso era apenas o começo do que estava por vir no nacional.

Mantendo a base de 1993, porém ainda mais reforçado com a chegada de Rivaldo, o Palmeiras iniciou a competição de maneira arrasadora – foram 9 vitórias e 1 empate nos 10 primeiros jogos, classificando-se tranquilamente para a etapa seguinte do Brasileirão. Na segunda fase, caiu no grupo B, ao lado de Bahia, Botafogo, Flamengo, Paraná, Santos, São Paulo e Sport. E com apenas uma derrota, conquistou a primeira colocação e confirmou presença nas quartas de final.

Encarando o Bahia na etapa seguinte, o Verdão não teve grandes dificuldades. Venceu as duas partidas pelo placar de 2 a 1 - Roberto Carlos e Maurílio marcaram no jogo de ida e César Sampaio e Evair sacramentaram a classificação na volta. Nas semifinais, encontrou o Guarani, que com gols de Cléber, Zinho e Evair, saiu de São Paulo derrotado por 3 a 1. Já em Campinas, Rivaldo foi o nome da partida, marcando os dois tentos que garantiram a vaga palmeirense na final. 

Quem aguardava o Verdão na final, porém, era ninguém menos que o Corinthians. O Alvinegro da capital havia sido o último clube do decisivo Rivaldo, e foi nas mãos de seu próprio ex-jogador que o Timão sucumbiu. No primeiro confronto, o camisa 10 abriu o marcador em uma arrancada sensacional e ampliou após desarmar o lateral Branco. Edmundo ainda marcou o terceiro após belo passe de Evair, e Marques descontou, porém nada que colocasse o título em risco. O mesmo Marques ainda tentou estragar a festa dos bicampeões no segundo jogo, abrindo o placar, mas Rivaldo apareceu novamente para finalizar bela jogada de Edmundo.

A alegria então tomou os corações palmeirenses novamente. Em dois anos, aquela era a quinta vez que o Alviverde erguia uma taça. A geração de 1993/1994, naquele momento, igualava-se a Segunda Academia, o esquadrão que encantava, e que jamais perdeu.

Em pé: Cléber, Velloso, César Sampaio, Cláudio, Wagner e Antônio Carlos. Agachados: Edmundo, Flávio Conceição, Evair, Rivaldo e Zinho. (Foto: Prorrogação)
Em pé: Cléber, Velloso, César Sampaio, Cláudio, Wagner e Antônio Carlos. Agachados: Edmundo, Flávio Conceição, Evair, Rivaldo e Zinho. (Foto: Prorrogação)