Santa Cruz 2016: desejo de fazer bonito na Série A após ressurgir do fundo do poço

Vindo de um primeiro semestre de início difícil e final vencedor, o Tricolor espera ter um final feliz também na principal competição nacional

Santa Cruz 2016: desejo de fazer bonito na Série A após ressurgir do fundo do poço
Após ressurgir do fundo do poço, Santa Cruz quer fazer bonito na Série A

Demorou nove anos, foi uma luta árdua, mas o Santa Cruz enfim está de volta à elite do futebol nacional. Após passar por todas as divisões do Campeonato Brasileiro, incluindo a Série D onde jogou entre 2009 e 2011, o Tricolor do Arruda jogará novamente a Série A em 2016. A vaga na primeira divisão foi conquistada após o vice-campeonato da Série B em 2015, numa arrancada espetacular após ter chegado a estar na décima oitava posição da competição.

Para 2016 a Cobra Coral manteve quase todo o time considerado titular em 2015. Apenas o atacante Luisinho e o volante Bileu receberam propostas de outros clubes e deixaram o Arruda. Os demais continuaram no elenco, incluindo o técnico Marcelo Martelotte, mas a temporada 2016 não começou exatamente como a torcida esperava. Uma derrota para o Náutico e um empate em casa contra o Salgueiro pelas duas primeiras rodadas do Campeonato Pernambucano acenderam o sinal amarelo no estádio José do Rêgo Maciel, palco dos jogos do Tricolor.

A estreia na Copa do Nordeste com derrota em pleno Arruda para o Bahia agravou a situação. Martelotte não conseguia levar a equipe ao mesmo padrão de jogo visto na Série B. Aos trancos e barrancos o Santa conseguiu se classificar nas duas competições, porém a derrota por 1 a 0 para o time sub-20 do Bahia pela última rodada da primeira fase do Nordestão foi a gota d'água para a direção coral, que resolveu demitir Martelotte.

O nome escolhido pela diretoria santacruzense para o comando da equipe foi Milton Mendes, que havia feito um excelente trabalho pelo Atlético Paranaense no ano anterior. E Milton chegou mostrando serviço: contra o Ceará, pelas quartas-de-final da Copa do Nordeste, ele ainda não comandou o time do banco de reservas, mas foi o principal responsável pela motivação dos jogadores no intervalo. O Tricolor perdia por 1 a 0, mas Milton foi aos vestiários conversar com os atletas e essa atitude foi essencial para que o time conseguisse a virada no segundo tempo.

A partir daí, com Mendes no comando, algumas experiências foram sendo feitas durante os jogos – pois não havia tempo para treinar – e o padrão de jogo aos poucos foi alcançado. No comando do Mais Querido, Milton está até agora invicto com seis vitórias e cinco empates, e conseguiu levar o clube à conquista dos dois principais títulos do primeiro semestre: o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste.

O elenco santacruzense continua com boa parte dos remanescentes da campanha vitoriosa da Série B. No gol, o titular absoluto continua sendo Tiago Cardoso, que defende o Tricolor desde 2011 e tem como reserva imediato Edson Kolln, ex-Luverdense/MT. Na lateral direita, Vitor continua sendo o titular apesar dos altos e baixos que seu desempenho vem tendo esse ano, e tem como opção no banco Lucas Ramon. Everton Sena, que vinha sendo improvisado na função, foi emprestado ao Londrina/PR para a Série B.

A dupla de zaga vem se alternando entre os mesmos Alemão, Danny Morais e Néris - tendo os dois últimos atuado como titulares nos últimos jogos - e tem o recém-chegado Leonardo como uma opção que não agradou o torcedor. Na lateral esquerda, Allan Vieira era titular absoluto até se contundir e dar lugar a Tiago Costa, que em sua terceira passagem pelo Arruda voltou a apresentar um bom futebol após a chegada de Milton Mendes.

No meio de campo, Wellington Cezar acabou sendo sacado do time titular por opção tática, mas continua entrando no decorrer das partidas quando há a intenção de segurar o jogo. A camisa 5 ficou com Uilian Correia, vindo do Cruzeiro e que desde sua primeira partida no Tricolor conquistou a titularidade com grandes atuações e passes primorosos. O jovem Lucas Gomes também pode ser utilizado como primeiro volante. Ao lado dele vem o maestro do time de 2015, João Paulo, que com Milton joga um pouco mais recuado porém ainda responsável pela armação das jogadas.

Ainda na meia cancha o banco de reservas conta com Leandrinho, Daniel Costa, Pedrinho Botelho e Marcílio. Mais na frente temos os homens de velocidade: Arthur pela direita, Lelê alternando entre os lados e Keno pela esquerda, com as opções Wallyson, Léo Moura – que também pode jogar na lateral direita – e Raniel, caso este último não seja negociado com o Cruzeiro. Completando o time titular vem o centroavante Grafite, essencial para o ataque coral por fazer como poucos o papel de pivô e por ser um ótimo finalizador. Como opção no banco continua Bruno Moraes.

O presidente Alírio Moraes e o vice-presidente Constantino Junior já sinalizaram que outras contratações serão feitas antes da partida contra o Vitória, no próximo domingo (15), que marcará o início do Campeonato Brasileiro 2016 para o Santa Cruz. Um dos reforços foi anunciado no último dia 27, e veio de fora do Brasil: o meia equatoriano Alex Bolaños, irmão do atacante Miller Bolaños, atualmente no Grêmio. Bolaños era destaque no Aucas, da primeira divisão do Equador, e muitas vezes atuava na equipe como volante.

Além de Bolaños, o Tricolor deverá contratar em outras posições, especialmente nas laterais e na zaga, mas deverá reforçar também o setor ofensivo. Outra contratação para o meio-campo assinou contrato nesta quarta-feira (11): Fernando Gabriel, vindo da Ferroviária/SP - onde trabalhou com Milton Mendes - e destaque em clubes como o Paraná Clube, o Bragantino e o Ituano.