Ele voltou! A trajetória de Ganso no retorno à Seleção Brasileira

Desde sua última convocação, a carreira da Paulo Henrique Ganso tomou vários rumos, e voltando a jogar com qualidade, retorna à Seleção Brasileira depois de quatro anos

Ele voltou! A trajetória de Ganso no retorno à Seleção Brasileira
Sua última aparição pela Seleção Brasileira foi em amistoso diante da Suíça, no ano de 2012 (Foto: Fabrice Coffrini/Getty Images)

Há 4 anos atrás, Paulo Henrique Ganso era convocado para defender a Seleção Brasileira. No dia 28 de fevereiro de 2012, um amistoso em St. Gallen, na Suíça, marcaria sua última convocação pela Amarelinha; comandada na época pelo técnico Mano Menezes. Ainda jogador do Santos, o meia sofreu com lesões e desafetos com a torcida santista, sendo considerado um ex-jogador em atividade pela má fase. 

Jogando um futebol de brilhar os olhos, agora no São Paulo, Ganso retorna à Seleção Brasileira, para quem sabe, confirmar sua "volta por cima", e calar os críticos. Na noite desta quarta-feira (1), Gilmar Rinaldi anunciou o corte do meia Kaká, que sentiu uma lesão, com recuperação de 15 a 20 dias. Ganso foi o felizardo da vez. 

Um novo jogador 

No mesmo ano de sua última convocação, Ganso buscaria novos ares, mais precisamente no São Paulo. Após uma extensa "novela", o Tricolor Paulista acertou a chegada do meia ao Morumbi para ser o dono do meio campo. Para muitos, o clube teria de fazer com que o jogador renascesse para voltar a ser aquele que conquistou à todos em sua passagem pelo Santos. Presidente do Peixe na época, Laor declarou que a lesão do meia era incurável, e que se sentia aliviado pela sua saída. Mas ele estava enganado. 

Ganso passou por um período de recuperação e adaptação na nova casa, fato que já estava claro na cabeça da diretoria, que necessitaria de paciência para que o jogador voltasse a jogar seu futebol. Ao contrário da declaração de Laor, a lesão deixaria de incomodar.

Por ironia do destino, talvez, sua chegada foi paralela aos piores anos do clube em sua história. No ano posterior à sua contratação, o São Paulo viu sua camisa ser colocada à prova; a palavra "rebaixamento" ecoava pelo corredores do Morumbi. Com uma péssima campanha no Campeonato Brasileiro, o clube lutou para não cair. O "quase" ficou por conta de Muricy Ramalho, que retornava ao comando do São Paulo para "encontrar a salvação", e assim o fez. A partir daí, um novo Ganso ressurgiria. 

Muricy era um velho conhecido de Paulo Henrique Ganso. Como treinador do Santos, o técnico acompanhou os "altos de baixos do jogador" e seria o início de mudanças importantes no estilo de jogo do meia. Insistentemente, o comandante pedia para que ele finalizasse, quando tivesse a oportunidade, mas ao contrário do que quase implorava o treinador, parecia que "servir" os companheiros era o suficiente. Carente no sistema defensivo, o São Paulo tomava gols absurdos, onde houve a necessidade de se aplicar uma marcação mais eficiente. De jogador ofensivo, o meia passou a marcar os adversários, muitas vezes, deixando sua principal característica como segundo plano. 

E quem pensa que ser Paulo Henrique Ganso era sinônimo de titularidade, se engana. Mesmo sabendo do diferencial do jogador, Muricy por muitas vezes deixou o meia no banco, principalmente quando era pouco eficiente nos jogos; mostrando assim, que o badalado passado em sua passagem pelo Santos havia ficado para trás, e que se Ganso quisesse voltar a jogar com qualidade, precisaria ser mais que o meia que havia desfilado pela Vila Belmiro.

Efeito Osório 

O famoso "técnico dos bilhetinhos" também teve sua parcela no novo perfil de Ganso. Osório deixava claro acreditava no futebol do meia, e juntamente com sua característica ofensiva de montar as equipes que comandava, dava liberdade para que o jogador pudesse armar a equipe, e entre boas e apáticas partidas, Ganso começava a moldar sua trajetória até a Seleção Brasileira. 

Porém, a passagem de Osório pelo São Paulo foi curta, elogiado por "inventar" sistemas táticos, o treinador chamou atenção e foi chamado para comandar a seleção do México. 

Profecia de Bauza

Com a saída de Osório, o estilo de técnicos estrangeiros parece ter agradado ao São Paulo, e por se tratar de um treinador vitorioso, Edgardo Bauza assumiu o comando. Com duas Copa Libertadores da América no currículo, e a ganância do clube pela competição, criou-se uma grande expectativa para a temporada. 

A tamanha experiência de Bauza na Copa Libertadores, a cada resultado, mostra que as palavras do treinador se tornam realidade, custe o que custar. Desde a chegada de Ganso ao São Paulo, o fato de existir um jogador talentoso que não mostra seu futebol há anos, se torna um "serviço extra" para quem dirige o time; e o argentino colocou a volta do meia como uma de suas metas. 

Diferente da sua chegada, a equipe atravessa uma boa fase, classificado para as semifinais da Copa Libertadores, e jogando um futebol que há anos não demonstrava, tudo parece se encaixar ao "estilo Bauza", e junto com o time, Ganso é um dos destaques. Jogando de forma a valorizar a parte defensiva, a compactação durante as partidas é um dos fatores destacados pelo meia. 

"O Patón tem uma grande parcela de contribuição. Porque ele não só ajustou nossa equipe, encaixou as peças taticamente para o time render bem, como vem me ajudando bastante. Fora (de campo) conversa muito comigo, me orienta e em campo me posiciona no melhor local para desenvolver meu futebol. Espero que possa melhorar sempre, não acomode e possa crescer sempre"- declarou Ganso, em entrevista ao programa "Troca de Passes".