Boxe segue com apenas mais um nocaute técnico e repercussão forte sobre casos de estupro

Lutadores comentaram segundo caso de estupro envolvendo um boxeador no Rio

Boxe segue com apenas mais um nocaute técnico e repercussão forte sobre casos de estupro
Vassiliy Levit, de vermelho, tem sua vitória anunciada sobre o chinês Yu Fengkai (Foto: Divulgação/AIBA)

Após a tradicional pausa no meio da tarde, o boxe teve suas lutas retomadas às 17h de hoje (8) no pavilhão 6 do Riocentro, situado na Barra de Tijuca. Os combates voltaram com grande intensidade, sendo marcados por muita trocação e lutas equilibradíssimas. Um dado interessante que mostra justamente esse equilíbrio entre os lutadores é a quantidade de lutas que tiveram como resultado a vitória por decisão dos juízes, que vem seguindo um padrão desde o início dos combates: das 12 lutas disputadas na segunda parte das atividades, apenas uma terminou por nocaute técnico. Todas as outras foram decididas por pontos.

A única luta que fugiu à essa regra foi o embate entre Vassiliy Levit, do Cazaquistão, contra o chinês Yu Fengkai. Levit vinha dominando a luta, vencendo os dois primeiros rounds, incluindo um 10-8 anotado por todos os juízes no segundo e levou Fengkai à lona no terceiro e último assalto. O árbitro determinou o fim da luta nesse momento e declarou o nocaute técnico. Levit foi apenas um dos três lutadores cazaques que avançaram à próxima fase. Zanibek Alimkhanuly também venceu sua luta, contra Antony Fowler, da Grã-Bretanha e Birzhan Zhakypov eliminou o lutador Mathias Hamunyela, da Namíbia.

A Namíbia também esteve envolvida em outro acontecimento importante do dia, mas um tanto quanto lamentável. O também boxeador Jonas Junias foi preso sob acusação de estupro, que teria sido cometido dentro da Vila Olímpica. Junias, que foi o porta-bandeira da delegação da Namíbia na abertura, foi denunciado por uma das camareiras que trabalhava no local. O caso se assemelha com o do marroquino Hassan Saada, preso pelas mesmas acusações. Saada sofreu um W.O na que seria sua luta de estreia por conta disso e tudo indica que o mesmo acontecerá com Junias, que lutaria na próxima quinta-feira (11) e depende de um habeas corpus para poder comparecer ao ringue.

Os lutadores que subiram ao ringue hoje, quando questionados sobre o acontecido, adotaram posições diversas. O russo Evgeny Tischenko, campeão mundial da categoria dos pesados (91kg) e forte candidato a levar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016, repudiou o acontecido e teme pelo que pode acontecer com a imagem do esporte: "Ouvi a respeito disso. Acho muito inapropriado que esses boxeadores tenham atacado essas mulheres. É claro que deixa uma mancha no boxe, estou muito decepcionado", declarou o lutador. 

Já o brasileiro Juan Nogueira, derrotado pelo próprio Tischenko, discordou que a imagem do boxe seria manchada pelas acusações, mas concordou com a gravidade do ocorrido: "Não estava nem sabendo. A gente fica focado, sem acesso à internet, então não sabia. Se fizeram isso mesmo, têm que pagar como qualquer outro, ainda mais se tratando de estupro, por ser uma violência tão grave. Que ele seja julgado e penalizado por isso, mas não acho que isso manche a imagem do boxe. Poderia ter acontecido em qualquer esporte, não tem nada a ver com os boxeadores. Nunca vi acontecer nada disso", afirmou o brasileiro, já eliminado da competição.