Esgrima tem terceiro dia cheio de emoções, valentia brasileira e duas russas no pódio

Algumas lutas com 15 a 14 no placar final, incluindo a final, acabam sendo destaque junto com Marta Baeza que, mesmo machucada, foi tentar lutar; Russia ocupada os dois lugares mais altos do pódio em meio à polêmica do doping

Esgrima tem terceiro dia cheio de emoções, valentia brasileira e duas russas no pódio
Foto: Dean Mouhtaropoulos / Getty Images

No terceiro dia da Esgrima foi a vez do feminino disputar o Sabre individual, durante todo o dia desta segunda-feira (8) na Olimpíada do Rio. Emoção e embates bem equilibrados não faltaram na Arena Carioca 3, onde são realizados as disputas do esporte. No fim do dia, a Rússia conseguiu as duas principais medalhas, com o Ouro indo a Yana Egorian e a Prata para Sofya Velikaya. A campeã, porém, teve que desbancar a número 1 do mundo e compatriota em uma virada histórica no final. O Bronze ficou com a ucraniana e número 3 no ranking, Olga Kharlan

O Brasil esteve representado pela carioca Marta Baeza Centurion. A atleta que fazia sua primeira Olimpíada saiu machucada do confronto contra a polonesa Bogna Jowiak, quando perdia por 4 a 2 na primeira eliminatória do dia. Marta tinha uma lesão no joelho que sentiu hoje, mas conseguiu treinar e ir à disputa. Quando caiu de dores, ainda queria continuar, porém os médicos não deixaram, visto a gravidade da situação.

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As medalhistas do dia: Lutas emocionantes, final eletrizante e favorita desbancada

Entranda na segunda fase apenas, as russas Yana Egorian e Sofya Velikaya e a ucraniana Olga Kharlan tiveram vida fácil na fase inicial. Venceram seus combates por 15 a 7, 15 a 8 e 15 a 5, respectivamente. Teoricamente, acabou servindo como experiência para a emoção que viria lutas depois.

Nas oitavas de final a tendência seria aumentar a dificuldade. E foi o que aconteceu. Egoria bateu a grega Vassiliki Vougiouka por 15 a 11, tendo um pouco mais de trabalho que na primeira fase. Velikaya, por sua vez, teve de bater a primeira francesa de três no dia, a Charlotte Lembach por 15 a 14. A número 1 do mundo ainda voltaria a ter outro embate com esse placar. Olga Kharlan teve menos trabalho ainda, batendo a compatriota Alina Komaschchuk por 15 a 8. 

Chegando nas quartas de finais, onde os brasileiros haviam sido eliminados nos dois primeiros dias, as medalhistas do dia conseguiram passar com maior facilidade que a vista na fase anterior. Egorian bateu a também russa Yekaterina Dyachenko por 15 a 10, enquanto que Velikaya ganhou de Cécilia Bender, francesa que havia batido a lenda americana Mariel Zagunis, que foi a primeira favorita eliminada no dia. Kharlan venceu Loreta Gulotta, número 26 do mundo, por incríveis 15 a 4. 

Na primeira semifinal do dia, Velikaya teve seu segundo 15 a 14 na segunda-feira. Dessa vez foi contra a terceira francesa que enfrentou, a Manon Brunet. Poder de reação de Brunet foi altíssimo em certos momentos, obrigando Sofya a ter seu momento de glória com o toque final. Na outra semifinal, Kharlan foi derrotada por Egorian, por 15 a 9, indo para sua segunda disputa de bronze seguida.

Na disputa do bronze, Kharlan se mostrou mais superior à francesa Manon Brunet, fazendo com que a França ficasse sem medalha pela segunda Olimpíada seguida - antes de Londres, os franceses ganharam medalhas em todos os Jogos Olímpicos disputados desde 1964. Olga, por sua vez, ganhou seu segundo bronze em sequência.

Já quando a grande final chegou, grande expectativa em cima de Sofya Velikaya, a grande favorita do dia. A compatriota Egorian contava com o histórico positivo contra a adversária, ganhando seis e perdendo apenas três em nove encontros antes de hoje. Yana foi valente e, mesmo chegando a levar um toque para perder em três vezes, conseguiu a virada para garantir o Ouro no Rio de Janeiro. Velikaya continua sem ir ao alto do pódio, sendo a segunda prata seguida.

Russas e ucraniana comemoram suas medalhas após cerimônia de entrega (Foto: Patrick Smith / Getty Images)
Russas e ucraniana comemoram suas medalhas após cerimônia de entrega (Foto: Patrick Smith / Getty Images)

História do dia: Ibtihaj Muhammad faz história ao ser a primeira americana a disputar uma Olimpíada de véu 

Nunca uma americana tinha disputado uma Olimpíada com véu. Até o Rio, neste ano. De família mulçumana, Ibtihaj Muhammad ganhou tal posto ao subir nas pistas de Esgrima na Arena Carioca 3. Ela que escolheu o esporte por ter vestes totalmente cobertas, ocupa atualmente o número 8 no ranking de sua categoria. A atleta bateu Olena Kravatska na segunda fase por 15 a 13 e perdeu para Cécilia Bender nas oitavas por 15 a 12. Esse, porém, acaba sendo mais um marco deixado pela Olimpíada no Rio de Janeiro. 

Entenda o Sabre individual

Se o Florete é a arma mais popular da Esgrima, o Sabre é a menor e exige mais rapidez, resistência e acaba sendo a menor de todas as três armas. Em combate, marca ponto quem toca o adversário com a ponta da lâmina ou com o corpo dela da cintura para cima, contando braços e cabeça - diferente do Florete, que conta apenas no tronco. Ganha quem faz 15 toques primeiro, tendo uma pausa quando alguém marca oito pontos. Tem no máximo nove minutos de duração dividos em três tempos de três minutos. Ao fim do terceiro, se nenhum esgrimista chegou ao 15º ponto, ganha quem tem mais. A arma usada tem 500g e 88cm.