Vaias para as vaias: o exagerado protesto brasileiro frente aos adversários preocupa Comitês

De acordo com os Comitês Rio e Internacional, brasileiro precisará se adaptar a novos esportes que necessitam de silêncio e a busca por este espaço será através do respeito

Vaias para as vaias: o exagerado protesto brasileiro frente aos adversários preocupa Comitês
Foto: REUTERS

O brasileiro tem a fama de ser um povo simpático e receptivo. Durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, porém, o povo tupiniquim tem surpreendido o Comitê Olímpico Internacional (COI). Os eventos realizados até agora nas arenas receberam uma trilha sonora não esperada: vaias.

Atletas e torcedores estrangeiros estão estranhando o comportamento dos nativos. O assunto foi abordado em entrevista coletiva no centro de mídia nesta terça-feira (9). Membros do COI tentaram minimizar o tema, mas foi clara a preocupação com esta atitude dos espectadores.

As vaias, além de desrespeito com o próximo, muitas vezes atrapalha na concentração. Por isso, é preciso trabalhar para que este incômodo seja levado a zero.

O diretor de comunicação do Comitê Rio 2016, Mário Andrada, disse que busca uma solução a partir do equilíbrio da paixão com educação, pois há esportes que o silêncio faz parte da concentração.

As vaias tem se espalhado pelo mundo. Na última segunda-feira (8), o jornal americano New York Times publicou uma matéria sobre o constante pedido de silêncio por parte dos atletas e de funcionários da organização dos Jogos. Este material foi apresentado como destaque na primeira página do site.

O COI ficou um pouco preocupado nos primeiros dias em alguns esportes, como a esgrima. As vaias fazem parte do jeito da torcida brasileira. Nós só precisamos entender que em alguns momentos elas atrapalham e precisam ser controladas. O torcedor brasileiro está aprendendo a se relacionar com outros esportes. Ao mesmo tempo, temos de respeitar a liturgia de alguns esportes”, ressaltou o diretor do Comitê Rio.  

Shhh!”, pode ser ouvido por todas as regiões olímpicas, do tênis de mesa ao vôlei de praia, do Riocentro a Copacabana. Nessa segunda-feira, a russa Yulia Efimova conquistou a medalha de prata nos 100m peito e a resposta no Parque Aquático foi a partir de muita vaia. Uma justificativa que não convém está na punição da Rússia devido ao escândalo de doping e em antigos resultados positivos da nadadora. Inclusive, neste caso, o estadunidense Michael Phelps se juntou as vaias para a companheira.

O protesto neste caso foi mais direcionado; não é a situação que preocupa o Comitê. Continua sendo algo desagradável, porém é preciso saber quando sua liberdade de expressão irá atingir fortemente o espaço ocupado por outro.