Thiago Braz: o garoto que aprendeu a voar

O atleta conquistou o ouro na prova do salto com vara e se tornou herói nacional e exemplo de como o esporte pode transformar vidas

Thiago Braz: o garoto que aprendeu a voar
Foto: Marcelo Sayao/EFE

Cada edição das Olimpíadas entra na História por seus personagens. Histórias que marcam aquele momento. Atletas que superam suas dores pessoais através da modalidade que praticam. Pessoas comuns que viram heróis. No Rio tivemos a Rafaela, o Isaquias, o Robson.

E tivemos o Thiago Braz da Silva. Mais um Silva que entrou para a história dos Jogos Olímpicos. Mais um brasileiro com a cara do Brasil, que mostrou para o mundo do que é capaz, e mostrou a todos os olhos que o viram voar naquela noite o que o esporte pode fazer.

Nascido no interior de São Paulo, Thiago foi abandonado pelos pais ainda bem pequeno. Seus avós o criaram, deram todo o amor e apoio de que precisava. No começo da adolescência começou a treinar basquete. No primeiro jogo ficou no banco de reservas e não conseguiu marcar nada. Desistiu. Tentou o futebol, como goleiro e também não deu certo. Então, conheceu o atletismo. E foi no salto com vara que Thiago aprendeu a voar.

Começou a competir no Clube dos Bancários de Marília, sua cidade natal, com a ajuda do tio, o ex-atleta Fabiano Braz. Meses depois de se mudar para Bragança Paulista, também no interior, Thiago participou dos campeonatos estadual e nacional de menores e também o juvenil, sagrando-se campeão em todos eles.

No ano de 2011, Thiago foi vice-campeão do Troféu Brasil de Atletismo. Na ocasião, sonhava com a Olimpíada. Parecia um sonho distante, quase impossível. Aos 17, mal sabia o garoto que cinco anos depois os olhos do mundo inteiro veriam seu sonho se tornar real ao vivo e a cores, através da TV ou nas arquibancadas do Engenhão.

Naquela noite, Thiago Braz foi a estrela brasileira brilhando no céu do Rio de Janeiro para o mundo inteiro ver. Todos viram um garoto de 23 anos que podia ter seguido milhões de caminhos distintos na vida, mas escolheu o esporte. Alguém que teve a vida transformada, as feridas do passado curadas pelo atletismo.

O povo brasileiro ganhou um novo ídolo, um novo herói. Temos isso de sempre querer alguém em quem mirar, uma inspiração, e Thiago se tornou esta pessoa. O exemplo de superação de limites que a vida difícil pode ter tentado impor, de que é possível mudar o jogo e passar por cima de tudo. O esporte ensina e, naquela noite, ele foi o professor. Do interior de São Paulo para o mundo. Da infância marcada pela ausência dos pais à glória do ouro olímpico em seu próprio país.

Braz foi o primeiro brasileiro a conquistar o ouro no atletismo desde 2008, quando Maurren Maggi foi campeã no salto em distância. A modalidade no Brasil ganhou uma nova referência e, de todas as coisas que esta vitória puderam fazer pelo esporte, esta é uma das mais importantes. É impossível imaginar quantos outros Thiagos estão espalhados Brasil afora. Quantas outras crianças com histórias semelhantes a sua precisam de um fator transformador em suas vidas, algo que as faça voar como ele voou, que ensine o melhor caminho a seguir. Quantos outros adolescentes e jovens esperam sem saber que o esporte seja a estrada para um futuro bom.

O Brasil jamais esquecerá aquele início de madrugada do dia 16 de agosto de 2016. Nunca esquecerá o que Thiago fez. Ele jamais deixará de ser um orgulho para nós brasileiros. Será para sempre a história da Olimpíada do Rio que teremos o maior prazer em contar.