Natação: tudo que você precisa saber para os Jogos Paralímpicos Rio 2016

A quantidade de provas torna a natação paralímpica um dos esportes que mais atrai o público nos Jogos Paralímpicos. Confira um pouco mais sobre a modalidade

Natação: tudo que você precisa saber para os Jogos Paralímpicos Rio 2016
Foto: Getty Images Sport / Clive Rose

A natação paralímpica é um dos esportes que mais atrai o público nos Jogos Paralímpicos. Um dos motivos talvez seja a quantidade de provas. As disputas acontecem desde o dia 8 de setembro até o dia 16 do mesmo mês e, ao fim da competição, terão sido disputadas 152 provas, um número extremamente alto, que se apresenta por conta da divisão dos atletas em classes. Isso faz com que as 12 provas individuais se multipliquem e sejam disputadas várias vezes por atletas com diferentes tipos de deficiência.

As diferenças do esporte paralímpico para a natação que é disputada nos Jogos Olímpicos são muito pequenas. A maioria se dá nos momentos de partida e nas “viradas”, ao fim de cada 50m de prova. Por conta de suas limitações físicas, alguns atletas não têm a possibilidade de iniciar a prova pulando do bloco de partida, passando a começar suas provas já dentro d'água, utilizando a borda da piscina como impulso, sendo apoiados por um treinador ou até mesmo simplesmente pulando ao lado do bloco, muitas vezes sentados. No momento das viradas, a principal diferença acontece com os deficientes visuais, que contam com um “tapper”, responsável por usar um bastão de espuma com o intuito de avisar ao nadador que a borda da piscina está próxima.

As classes dos nadadores são divididas em três grupos: nadadores com limitações físico-motoras ficam agrupados em classes que vão de S1 a S10, SB1 a SB9 e SM1 a SM10. Os deficientes visuais se enquadram nas classes S11 a S13, SB11 a SB13 e SM11 a SM13. Por fim, existem os deficientes intelectuais, que ficam com as classes S14, SB14 e SM14. As siglas são facilmente explicadas. A letra S vem da palavra “swimming” (natação, em inglês). A variação SB está relacionado ao nado de peito (breaststroke, em inglês) e a SM, ao nado medley, onde os atletas nadam todos os quatro estilos.

Local de Prova: Estádio Aquático Olímpico

Os nadadores paralímpicos disputarão suas provas no mesmo local onde ocorreram as disputas do esporte durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. O Estádio Aquático Olímpico, construído como uma das instalações temporárias, sediará a competição de forma única e exclusiva, sendo a natação o único esporte que passará por essa instalação, ao contrário do que aconteceu na Olimpíada, quando o polo aquático também foi disputado por lá.

Situado dentro do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, o estádio foi tido como uma das mais belas instalações dentre as construídas para as competições. Com capacidade para 15 mil espectadores, a esperança é de que a casa fique lotada, pois a natação teve uma intensa procura por ingressos. As maneiras mais acessíveis de chegar ao Parque são via metrô, pela linha 4, ou via BRT, utilizando as estações Rio 2, Morro do Outeiro ou Centro Olímpico.

Estádio Aquático Olímpico, palco das competições da natação (Foto: Rio 2016)
Estádio Aquático Olímpico, palco das competições da natação (Foto: Rio 2016)

Campeões em Londres 2012

Os Jogos Paralímpicos de Londres 2012 viram dois nadadores australianos conseguirem o maior número de medalhas na edição: Jacqueline Freney, pelas mulheres, e Matthew Cowdrey, nadando pelo lado masculino. Entretanto, nenhum dos dois estará presente na Rio 2016. Freney desfalca a delegação australiana por questões de saúde, enquanto que Cowdrey se aposentou das piscinas. No entanto, tivemos outros grandes destaques, como o brasileiro Daniel Dias, que conseguiu seis ouros.

Daniel dominou as provas da classe S5, vencendo os 50m, 100m e 200m livre, além dos 50m peito e 50m borboleta, além de ter sido campeão dos 100m peito na classe SB4. O australiano Matthew Cowdrey, competindo nas classes S9 e SB8, teve desempenho semelhante, vencendo os 50m e 100m livre, 100m costas, 200m medley e o revezamento 4x100m livre, conseguindo também um bronze nos 4x100m medley e duas pratas nos 100m peito e 100m borboleta. No entanto, também é importante evidenciar o domínio chinês, país que liderou o quadro de medalhas do esporte.

Foto: Clive Rose/Getty Images
Daniel Dias com um de seus ouros em Londres 2012 (Foto: Clive Rose/Getty Images)

Com 24 ouros, a China contou com um excelente desempenho de dois dos seus nadadores. Yang Yang, na classe S2, ficou com quatro medalhas de ouro, nos 50m, 100m e 200m livre, além dos 50m costas. Xu Qing, na classe S6, levou o ouro nos 50m e 100m livre, além de ter sido campeão dos 50m borboleta e 200m medley. Podemos citar também Ihar Boki, da Bielorrússia. O nadador conseguiu um total de seis medalhas, sendo cinco de ouro, nas provas que disputou na classe S13, quebrando quatro recordes mundiais.

Pelas mulheres, duas australianas se sobressaíram, ajudando seu país a conquistas o segundo lugar no quado de medalhas da natação. Jacqueline Freney, já citada acima, venceu os 50m, 100m e 400m livre, conseguindo outros ouros nos 100m costas, 50m borboleta e 200m medley, além dos revezamentos 4x100m livre e 4x100m medley, provas em que sua compatriota Ellie Cole também conseguiu a mesma medalha. Cole ainda garantiu mais dois ouros, nos 100m livre e 100m costas, além de dois bronzes nos 50m e 400m livre. Além das duas australianas, podemos citar a estadunidense Jessica Long, que teve números impressionantes, conquistando um total de cinco ouros, além de duas pratas e um bronze.

Foto: Ian MacNicol/Getty Images Sport
Jacqueline Freney em uma de suas muitas vitórias em Londres 2012 (Foto: Ian MacNicol/Getty Images Sport)

Favoritos para Rio 2016

Como temos um total de 595 atletas e 152 provas, vamos nos focar em três nadadores e três nadadoras para indicarmos como favoritos e que prometem grandes chances de medalha. Pelos homens, podemos destacar dois brasileiros: Daniel Dias e André Brasil, que integram o time de atletas paralímpicos mais reconhecidos dentro do país, principalmente por conta de seu sucesso dentro das piscinas. Nascido em 1988, Daniel Dias tem números incríveis na natação. Nas duas Olimpíadas que disputou, em Pequim 2008 e Londres 2012, conseguiu 10 medalhas de ouro, além de já ser dono de inúmeros recordes mundiais nas classes S5 e SB4.

Na classe S10, temos como maior representante André Brasil. Seu desempenho é bastante semelhante ao de Daniel, já sendo dono de sete medalhas de ouro em duas edições de Jogos Olímpicos disputadas. É importante destacar que, além de André, teremos o também brasileiro Phelipe Rodrigues e o canadense Benoit Huot como excelentes competidores na mesma classe. Outro nadador que deve ter atenção é o bielorrusso Ihar Boki. Nadando sua primeira Paralimpíada em Londres 2012, ele conseguiu cinco medalhas de ouro e uma de prata, quebrando quatro recordes mundiais, sendo dominante na classe S13.

Foto: Ian MacNicol/Getty Images Sport
André Brasil comemora vitória no Mundial de 2015 (Foto: Ian MacNicol/Getty Images Sport)

Pelo lado das mulheres, devemos começar com Jessica Long, competidora da classe S8, que chega ao Rio credenciada por um desempenho espetacular em Londres 2012. A estadunidense compete em Paralimpíadas desde Atenas 2004, quando tinha apenas 12 anos de idade e conseguiu três medalhas de ouro. De lá para cá, angariou um total de 17 medalhas paralímpicas, ainda que tenha apenas 24 anos. Outra nadadora que começou muito cedo foi Sophie Pascoe, da Nova Zelândia. Em Pequim 2008, com apenas 15 anos, levou para casa três ouros e uma prata, desempenho que foi melhorado em Londres, quando conseguiu três ouros e três pratas na classe S10. Por fim, Ellie Cole, da Austrália, chega à sua segunda edição de Jogos Paralímpicos defendendo dois títulos, nos 100m livre e costas, além das medalhas de ouro nos revezamentos 4x100m livre e medley.

Foto: Bob Leverone/Getty Images
Jessica Long em seletiva estadunidense (Foto: Bob Leverone/Getty Images)

Curiosidades do Esporte

- A natação é o segundo esporte que mais deu medalhas ao Brasil em Jogos Paralímpicos, ficando atrás apenas do atletismo. Até essa edição, já foram 83 medalhas, sendo 28 de ouro, 27 de prata e 28 de bronze.

- Nas Paralimpíadas, a natação proíbe totalmente o uso de qualquer equipamento que auxilie o nadador, incluindo as próteses que alguns deles utilizam no dia a dia.

- O esporte é um dos que existem desde o início da realização dos Jogos Paralímpicos, em 1960.