Com protestos a Temer e exemplos de superação, Maracanã recebe abertura dos Jogos Paralímpicos

No entanto, manifestação não ofusca belíssima festa marcada por representações do Rio em forma de samba e praias; ao fim, crianças com deficiência carregam bandeira paralímpica acompanhada dos pais

Com protestos a Temer e exemplos de superação, Maracanã recebe abertura dos Jogos Paralímpicos
Brasileiros encerraram desfiles das delegações paralímpicas | Foto: Matthew Stockman/Getty Images

Festival de cores. Público participativo. Delegações com sorrisos estampados de orelha a orelha. Os Jogos Paralímpicos Rio 2016 tiveram seu início oficial na noite desta quarta-feira (7), dia da Independência do Brasil, com a Cerimônia de Abertura realizada no Maracanã. As competições já têm início na manhã desta quinta (8) com diversas provas nos pontos olímpicos.

A festa de abertura partiu de uma contagem regressiva nos telões do Maracanã. Na sequência, um emocionante clipe com Sir Philip Craven – presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) percorrendo todo o Brasil de cadeira de rodas de Belém até o Rio de Janeiro, levando a delírio o bom público presente no maior estádio do mundo.

Depois, a ação ficou por conta do atleta de esporte radical Aaron Wheelz. Cadeirante, o esportista deu um mega salto em uma rampa instalada no Maraca. A cultura brasileira começou a ser explorada com roda de samba no centro do estádio, reunindo grandes nomes da MPB como Diogo Nogueira, Xande de Pilares, Maria Rita entre outros.

Retomando o assunto esporte, o Maracanã ganhou uma gigante piscina através de uma projeção incrível. Atravessando todo o estádio, o nadador Daniel Dias – principal esperança de medalhas para o Brasil, também foi projetado no centro do gramado.

Aaron Wheelz dá mega salto de rampa e ainda completa ação com giro 360º | Foto: Simon Bruty OIS/IOC
Aaron Wheelz dá mega salto de rampa e ainda completa ação com giro 360º | Foto: Simon Bruty OIS/IOC

A sequência da cerimônia definiu exatamente o espírito carioca. Em uma enorme praia, barracas, banhistas e surfistas faziam a festa ao som do funk e de ‘Aquele Abraço’ como ritmo de fundo. Vendedores de Mate e do biscoito O Globo também fizeram seu papel destacando por completo o cotidiano presente nas praias do Rio de Janeiro.

A música voltou a ser tema-central da cerimônia com a execução do hino nacional através do dedilhado perfeito do maestro João Carlos Martins. Deixando o Maracanã ainda mais belo, um mosaico com a bandeira do Brasil foi formada pelos participantes da abertura.

Puxados pelos atletas independentes, as delegações tomaram conta do Maraca com muita alegria, bom humor e disposição. A felicidade estampada no rosto de todos os esportistas renovam de forma sucinta o espírito olímpico, valorizado ainda mais com as histórias de vida e de superação por parte dos atletas paralímpicos.

Fechando o trajeto das delegações, o Brasil foi puxado por Shirlene Coelho, do lançamento de dardo com o maior número de atletas na história dos Jogos Paralímpicos. A modelo Fernanda Lima foi responsável por carregar a peça do quebra-cabeça, assim como todos os países anteriores. Ao final, todas as peças se completaram formando um belo coração pulsando no gramado do Maracanã.

Nuzman e Sir Philip Craven discursam valorizando os atletas

Presidente da Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, discursou em sequência bastante emocionado. "Quando todos duvidamos, nós crescemos. Somos o país que gosta de trabalhar em equipe. Estamos aqui no Rio, o melhor lugar do planeta, orgulhosos com a missão mais importante. Estamos juntos pela igualdade entre as pessoas. Termino com o coração aberto aos atletas presentes. Vocês são super humanos. Não conhecem o impossível", afirmou.

Na sequência, Nuzman faz agradecimento aos governos federal, estadual e municipal e se iniciou uma vaia no Maracanã, o fazendo interromper o discurso. Aos poucos, as vaias se transformaram em aplausos e o presidente passou as palavras para Sir Philip Craven.

Com muito carisma, o presidente do Comitê Paralímpico Internacional deu o pontapé inicial de seu discurso em português. "Todos sejam bem-vindos ao Maraca", levantando a galera no estádio.

"Nos próximos dias, vocês verão o real significado do esporte. Serão testemunhas de como o esporte paralímpico pode mudar o mundo", complementou Craven. "Nas últimas semanas, vocês demonstraram um grande desejo de fazer deste Jogos, os seus Jogos", finalizou. Sob vaias, o presidente Michel Temer declarou aberto a Paralimpíada no Brasil na sequência.

Art high-tec é reproduzida com auxílio de sons e luzes

A cerimônia continuou com um espetáculo de luzes e tecnologia, com bailarinos carregando bastões luminados representando as guias utilizadas por deficientes visuais.

Depois, um dos momentos mais emocionantes da noite comemorativa. Acompanhadas dos pais, crianças deficientes entraram com a bandeira paralímpica no Maracanã

Atleta paralímpico, o nadador Phelipe Rodrigues fez o juramento em nome de todos os esportistas que participam dos Jogos. Na sequência

Nadador paralímpico Phelipe Rodrigues faz o juramento em nome de todos os atletas que participam dos Jogos Paralímpicos. Na sequência, Raquel Daffre representou os árbitros e Amaury Veríssimo os técnicos.

Um dos momentos mais aguardados da cerimônia, a modelo, atriz e atleta paralímpica Amy Purdy fez uma apresentação de dança acompanhada de um robô industrial, arrancando aplausos do público no Maraca.

Clodoaldo finaliza revezamento acendendo Pira Paralímpica

O trajeto da tocha com a chama olímpica até Clodoaldo passou por três ícones do esporte paralímpico brasileiro. Começando por Antonio Delfino, corredor que tem uma prata e dois ouros. Na Paralimpíada de Atenas, em 2004, venceu os 400m e 200m rasos. 

Ele entregou a tocha para a ex-atleta Márcia Malsar, que acabou sofrendo uma queda enquanto atravessava o Maracanã. Sob aplausos do público se ergueu e continuou o caminho. Márcia esteve presente nos jogos de Nova York/Stoke Mandeville, em 1984, sendo umas das peças que ajudaram no crescimento do esporte paralímpico no país.

Por último, a multimedalhista Ádria Santos recebeu a chama para finalizar o trajeto. Ela é especialista na corrida de 100m, 200m e 400m rasos, conquistando quatro ouros, oito pratas e um bronze entre Seul 1988 e Pequim 2004. 

Ádria entregou para o tubarão paralímpico Clodoaldo Silva, que irá disputar a sua quinta edição de Jogos Paralímpicos. Ele subiu a rampa com a chama e acendeu a Pira Paralímpica, até que depois, Seu Jorge finalizou o espetáculo cantando a música É preciso saber viver, de Roberto Carlos, mas eternizada por Titãs.

Foto: Matthew Stockman / Getty Images
Foto: Matthew Stockman / Getty Images