Jody Cundy supera fantasma de 2012, quebra recorde e conquista ouro no Ciclismo Paralímpico

Ex-nadador tricampeão em Paralimpíadas e agora bicampeão no ciclismo de pista conquistou o lugar mais alto do pódio na categoria C4-5 no Rio

Jody Cundy supera fantasma de 2012, quebra recorde e conquista ouro no Ciclismo Paralímpico
(Foto: Andrew Matthews/PA)

Um dos aspectos mais impressionantes dos Jogos Paralímpicos é a versatilidade dos atletas. São vários os casos de esportistas que já passaram por diversas modalidades paralímpicas diferentes até chegar à atual. Este é o caso do vencedor da medalha de ouro no contrarrelógio da categoria C4-5 deste segundo dia de competições no Rio. 

Jody Cundy nasceu com uma deformação no pé direito e teve de amputa-lo aos três anos de idade. Começou a usar prótese, e se envolveu com a natação aos 10 anos de idade. Treinava muito e quebrava recordes para a categoria de sua idade. Nunca considerou que a natação fosse um dom, apenas trabalhava duro. Chegava a praticar por 30 horas por semana. Até que se tornou atleta de elite e foi classificado para participar dos Jogos Paralímpicos de Atlanta, em 1996, com 17 anos. 

Na natação, Cundy competia na categoria S10 e conquistou, nas três edições dos jogos das quais participou, cinco medalhas: três de ouro e duas de bronze. 

Decidiu mudar de modalidade em 2006 e começou a competir no ciclismo de pista, categoria C4. Neste mesmo ano, participou de seu primeiro Campeonato Mundial de Ciclismo de Pista, em Aigle, na Suíça, e conquistou a medalha de ouro. O feito foi repetido no ano seguinte, em Bordeaux, e em 2009, em Manchester. 

Nos Jogos Paralímpicos de 2008, em Pequim, Cundy representou o Reino Unido pela primeira vez fora da piscina, no velódromo. Em sua primeira Paralimpíada, quebrou o recorde mundial no contrarrelógio com o tempo de 1min5s46, e conquistou a medalha de ouro. Também tornou-se campeão Paralímpico pela prova de velocidade por equipes. 

Em 2012, Jody Cundy viu o jogo virar contra si. Na largada da prova de contrarrelógio, ele escorregou centímetros antes do sinal, e recebeu punição. Os árbitros recusaram que ele reiniciasse a prova, teve, então, de largar nas últimas colocações. Ainda assim, conseguiu a medalha de bronze

Mas não era o suficiente. Ele queria o outro e acreditava que esta medalha tinha de ser dele. Cria que os juízes haviam cometido um erro ao negar-lhe a relargada e esperou quatro anos por ela. Não pensou que conseguiria. Mas estava enganado. 

Na tarde desta sexta-feira, 9 de setembro, Cundy teve sua relargada. Ele chegou em primeiro lugar com o novo recorde paralímpico de 1min4s49, acabando com a dor que carregou desde Londres. Quando entrou na pista, estava nervoso. Ao longo do percurso, deixou que esta ansiedade se transformasse em energia para competir. 

Jody Cundy disse que este dia estava em sua mente desde que terminou a prova em terceiro lugar naquele outro dia, em Londres. Desde que, frustrado, chutou garrafas d'água pelo velódromo. 

Em sua prótese, o britânico tem desenhado um mapa, como se fosse de um pirata que busca por seu tesouro, a rota de Londres até o Rio. O dia chegou. Ele levará o ouro que encontrou de volta para casa.