Ouro no salto em distância, Ricardo Costa perdeu capacidade de ler em braile devido aos treinos

Rotina de treinamentos fez com que atleta brasileiro perdesse sensibilidade para leitura do código; Ricardo cedeu entrevista coletiva nesta sexta (9)

Ouro no salto em distância, Ricardo Costa perdeu capacidade de ler em braile devido aos treinos
Bem humorado, Ricardo mencionou situações vividas até chegar ao ouro | Foto: Pedro Henrique Guimarães/VAVEL Brasil

O ouro paralímpico de Ricardo Costa segue emocionando muitos. Nesta sexta-feira (9), o campeão no salto em distância na Paralimpíada Rio 2016 cedeu entrevista coletiva no Parque Aquático Olímpico e enfatizou as dificuldades vividas até chegar ao pódio em casa, além da importância de sua irmã, a também atleta Silvania Costa de Oliveira em sua trajetória.

Por conta da rotina de treinos de salto em distância, Ricardo perdeu a capacidade de ler em braile - código usado por deficientes visuais para ler e escrever. Até 2005, o atleta conseguiu fazer o uso da técnica, mas precisou abrir mão para se dedicar totalmente ao atletismo. "Depois que eu resolvi realmente me dedicar ao esporte, é diferente. Você tem que estar a todo momento com a mão no chão, pegando barra, então você perde a sensibilidade. E eu não tive mais interesse em braile, voltei toda a minha vida para o esporte", afirmou o nascido em Mato Grosso do Sul.

Também cega e competidora da mesma prova, a irmã de Ricardo foi importante para o sucesso do atleta. "Como irmã mais velha, ela ocupou esse espaço sendo meu exemplo. No começo era difícil pois chegamos a dividir o mesmo material de treinamentos", disse Ricardo.

Bastante alegre e bem humorado, o medalhista de ouro diz que seu último salto - quando alcançou 6,52m, foi uma emoção fora do controle. "Foi um momento único da minha vida. Fui dormir às 3h30 e disse para meu técnico que se tudo fosse um sonho e alguém me acordasse, bateria na pessoa com a cama", brincou o campeão.

Ricardo sempre se cobra por melhores resultados e mesmo depois do ouro, afirmou que irá continuar treinando firme. "Nunca quis me lvar pelo mais ou menos ou me dei por vencido. Sempre busquei o melhor de mim", finalizou o atleta, ao lado de Everaldo Braz, seu técnico, do guia Célio da Silva, além de Edilson Tubiba, chefe da delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos e do gerente de comunicações do Comitê Paralímpico Brasileiro, Rafael Maranhão.

Ricardo posa com medalha e ao lado de Célio da Silva, seu guia | Foto: Pedro Henrique Guimarães/VAVEL Brasil
Ricardo posa com medalha e ao lado de Célio da Silva, seu guia | Foto: Pedro Henrique Guimarães/VAVEL Brasil