Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro elogia participação brasileira na Rio 2016

Andrew Parsons participou de coletiva de imprensa na cidade-sede dos Jogos

Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro elogia participação brasileira na Rio 2016
Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (Foto: Joe Scarnici/Getty Images)

O fim dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 deixou como marca uma belíssima campanha da delegação brasileira na edição, sendo a melhor da história em número de medalhas conquistadas: foram 72 pódios, ao total. No entanto, a meta do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que visava um quinto lugar na classificação geral, guiando-se pela quantidade de medalhas de ouro, não foi atingida. O Brasil terminou na oitava colocação, com 14 medalhas de ouro na competição, que teve a China terminando na liderança, com absurdas 107 conquistas de ouros paralímpicos.

Quando perguntado sobre os motivos para tal meta não ter sido atingida, apesar de um investimento maior, Andrew Parsons, presidente do CPB foi categórico e rejeitou qualquer insinuação de que a delegação haveria falhado: "Tivemos um contrato bastante superior com a Caixa, em relação a patrocínio. Não atingimos a meta de ficar em quinto, mas foi a única meta não atingida. Atingimos todas as outras. Saímos de 11º lugar em número de medalhas em Pequim, para 9º em Londres e 6º no Brasil. Em Londres tivemos sete modalidades com medalhas, enquanto que no Rio foram treze", afirmou o presidente.

Parsons ainda comentou que a Rio 2016 foi importante para diminuir a crença de que o Brasil depende de alguns esportes para garantir medalhas: "Muito se dizia que dependíamos de multimedalhistas ou de natação e atletismo. Então optamos por construir uma base para as diversas modalidades nesses quatro anos, abrindo mais o leque. Em Londres aumentamos o número de ouros, mas diminuímos o número total de medalhas. O efeito colateral aqui no Rio que pode ter acontecido por termos visto os Jogos com uma visão de futuro é a redução de medalhas de ouro. Mas foram Jogos únicos, porque 48% das medalhas de ouro foram conquistadas por apenas quatro países, então cada medalha de ouro foi muito dura de conquistar", ressaltou, insistindo que o balanço é positivo.

Segundo o dirigente, o Brasil pode se espelhar no Reino Unido para as próximas edições dos Jogos Paralímpicos: "A gente aprende muita coisa do exterior. A delegação do Reino Unido foi segundo lugar em Atenas e Pequim, caiu para terceiro em Londres e deu um show aqui, ficando atrás apenas da China. Eles aproveitaram o momento para criar uma base maior para o esporte paralímpico naquele país e foi o que a gente fez. Não atingimos a meta, tivemos queda no número de ouros, mas conseguimos o melhor resultado do país na história, com 72 medalhas de ouro", enfatizou Andrew.

Além disso, Parsons falou sobre o possível crescimento do esporte paralímpico após a edição dos Jogos: "Acho que a sociedade tem que dar essa resposta. Acho que os governos, o comitê paralímpico e os atletas têm feito sua parte. É inegável que a população abraçou os Jogos Paralímpicos. Se falarmos sobre iniciativa privada, acho que é uma ótima oportunidade pelo sucesso que foi. Se eu fosse diretor de marketing de uma empresa, consideraria uma ótima oportunidade de interação, até mesmo com pessoas que não têm deficiência", considerou, antes de comentar sobre a visão da sociedade sobre os atletas.

"Houve uma grande interação e essa interação aproxima. As pessoas se identificaram com os atletas paralímpicos, mas não por aquilo que eles não podem fazer, mas porque eles estão mais próximos. É mais difícil se identificar com um atleta olímpico, de altíssimo rendimento. O paralímpico passou por um momento difícil, um trauma, um acidente. Por incrível que possa parecer, ele é mais próximo de uma pessoa comum e acaba criando uma interação. Acho que o carinho ficou muito evidente", disse, aproveitando para ressaltar que a sociedade civil passa a lembrar dos deficientes como cliente e público.