“Não escondemos performance”, garante Larry Holt

Mesmo vencendo na classe GTE-PRO nas 24 horas de Le Mans, Ford teve desempenho do carro limado pelo balanço de performance poucas horas antes do início da prova.

“Não escondemos performance”, garante Larry Holt
(Foto: Ford Performance)

A política sempre foi parceira do automobilismo. Com grandes montantes de dinheiro, é evidente que lobbys estão por toda parte. Em Le Mans não é diferente. A vitória da Ford foi bem mais emblemática do que as comemorações dos 50 anos do primeiro triunfo em Sarthe.

O domínio nos treinos, a supremacia que a equipe impôs aos adversários fez a ACO mexer no BoP da categoria GTE-PRO poucas horas antes da largada da prova, até então algo inédito. O balanço e performance nunca foi algo querido pelas equipes e principalmente pelos fãs. Ele pune quem investe mais e ajuda quem trabalha menos. Claro que existem muitos pormenores, mas é basicamente isso.

Um categoria que se vangloria em ser referencia no desenvolvimento de novas tecnologias, acaba limando quem investe mais. Em um mundo hipotético qual seria a reação da Porsche, Toyota e Audi se uma Rebellion da vida superasse seus valiosos protótipos? Com certeza a frase padrão dita para os dirigentes da entidade seria: “Ou mexe nisso ou largamos o WEC.” 

A ACO não é boba, e a vitória do Ford mesmo com  peso extra, bem como o segundo lugar da Ferrari que também foi punida foi muito além de festa no pódio. Mas como se deu todo esse imbróglio?

Em defesa da equipe americana, aparece Larry Holt, vice-presidente  da  Multimatic. A empresa é parceira da Ford na concepção e construção do Ford GT, além é claro de ser uma das quatro equipes a fornecer chassis LMP2 para 2017. Holt foi enfático ao dizer que a equipe não escondeu o real desempenho dos carros e acusa as demais equipes de chorar ao invés de desenvolver seus modelos.

“Nossos adversários foram se lamentar para a direção da ACO”, disse. “O que você viu na noite passada [domingo 19], foi dois grandes fabricantes em uma batalha. Todos queriam ver Ferrari e Ford brigando”, revelou o dirigente ao site motorsports.com

“E todos os outros, como a Corvette, que também foram atingidos pelo BoP, não há como explicar a velocidade deles. Isso é uma besteira completa.”

De acordo com a telemetria divulgada pela direção da prova, após cada treino, o Ford GT foi quase cinco segundos mais rápido no treino classificatório do que no dia de teste. Segundo o dirigente tal supremacia foi uma combinação e circunstâncias.

“Nós tinhamos vantagens, obviamente, como baixo nível de combustível”, disse Holt. “Sabíamos que estávamos mais rápidos. Nós trabalhamos analisando a pista, mas não tínhamos percebido que o carro estava tão mais rápido”, completou.

Todo o trabalho durante o treino livre antes dos três classificatórios foi em cima da durabilidade do carro. Muito desses dados foram obtidos ainda durante o dia de testes oficiais. “Havia vários pontos, correlacionando o consumo de combustível, o desgaste dos pneus, desgaste das pastilhas de freio e assim por diante através do teste”, ele continuou. “Fizemos uma série de voltas para conseguir rodar 14 voltas sem para para reabastecimento.

“Todo esse tipo de coisa estava acontecendo no teste, sendo observada pela FIA. Então, nós fizemos algumas voltas rápidas, mas nada espetacular, conseguimos 3m56s. Em ritmo de corrida esperávamos virar 3m54s, que foi o nosso objetivo durante a prova.”

Não foi só a Ford que estava com um bom desempenho. A Ferrari também mostrou estar rápida. Como estratégia Holt e seus engenheiros optaram por menos combustível durante a seção classificatória. “A Ferrari começou a ficar rápida, quando resolvemos correr com menos combustível.”

Outro fator que segundo o dirigente ajudou a equipe a fazer bons tempos foi a pressão atmosférica. “A ACO declarou a pressão barométrica. Foi com esses dados que configuramos nossos carro.”

“Na noite passada [sexta 17], a pressão barométrica real foi significativamente menor do que a habitual, eu acho que eles declararam 1019 milibares para o que estaria previsto durante a prova. O que aconteceu que a pressão chegou a 950.”

“Então, tínhamos de oito a dez cavalos e potencia a mais. oito ou 10 cavalos de potência devido ao que eles estavam declarando como pressão atmosférica, e que a pressão atmosférica era realmente a noite passada. Isso é uma vantagem que por vezes obter a partir de um turbo.”

Adicione tudo isso e você verá o resultado: 1, 2, 4, 5.

Para dirigente, Corvette está escondendo real potencial do seu carro. (Foto: WEC)
Para dirigente, Corvette está escondendo real potencial do seu carro. (Foto: WEC)

Holt acredita que o BoP do carro seja alterado novamente para a etapa de Nurburgring. “Eu acho que eles provavelmente vão fazer alguma coisa para nos deixar mais lentos. Então, eu diria que você provavelmente viu o máximo do carro na qualificação.”

Por mais que a Ferrari seja o eterno rival da Ford, o mercado americano gostaria de ter visto também um embate com o Corvette. Se a Ford vencer na Europa já é algo sublime, ter a Corvette nas primeiras posições era o verdadeiro sonho.

Mas não foi o que aconteceu. Tanto a Corvette, Aston Martin e Porsche, não tiveram qualquer chance de lutar pelas primeiras posições. Holt enfatiza que o desempenho do Corvette não foi o real apresentado na corrida.

“Mas os outros caras, as caras que estão se lamentando, e escondendo o seu desempenho, não tenho tempo para eles. Mas eu não acredito que todos eles estão lentos como mostraram. Isso é um absurdo.