Despedidas marcam última vitória da Audi no Mundial de Endurance no Bahrein

Montadora alemã encerra sua participação no Endurance, onde estava desde 1999. Lucas di Grassi é o responsável por levar o carro até a linha de chegada. Bruno Senna e Pipo Derani conquistam bons resultados na classe LMP2

Despedidas marcam última vitória da Audi no Mundial de Endurance no Bahrein
(Foto: Audi AG)

O dia finalmente chegou. A última volta na última corrida da Audi no Mundial de Endurance. Presente em corridas de longa duração desde 1999, a marca alemã, apostou em uma série que por muitos anos foi marginalizada por conta dos desmandos da Fórmula 1 e de politicagem dentro da FIA.

Começou como quem não quer nada. Ano após ano foi mostrando serviço, mostrando resultado. Assim foi com o R8, R10, R15 e as versões do R18. Em 2012 foi a única montadora que apostou no ressurgimento do WEC, já que faltando poucos meses para o início do campeonato, a Peugeot acabou desistindo pelo famoso corte de custos.

Resultado final da prova.

O famoso corte de custos que por muitas vezes rondou a equipe, não por estar descontente com a modalidade. A Audi sempre foi sondada por outra categorias. Sempre esnobou com veemência a fórmula 1, argumentando que a categoria máxima não lhe traria benefícios. Nos últimos anos, boatos e mais boatos diziam que a permanência da montadora no Endurance era questão de tempo, as conversas ganharam corpo quando a Porsche resolveu entrar. Os críticos diziam que era um absurdo o grupo VAG, rasgar dinheiro com duas equipes de ponta brigando entre si.

Audi #8 vence a última. (Foto: AdrenalMedia)
Audi #8 vence a última. (Foto: AdrenalMedia)

De 2014 até 2016 foi assim. Porsche, Audi e Toyota. Tivemos boas brigas, boas disputas. O escândalo dos motores diesel, combustível que ganhou as pistas e se popularizou por conta dos motores TDI, foi seu maior vilão. Prevendo processos milionários, o grupo fez uma grande reestruturação. Demissões, programas esportivos cancelados e muita tristeza.

A corrida foi especial e cheia de simbologia. Não foi apenas a Audi que foi embora. Mark Webber, que largou uma F1 sem sal e descobriu o caminho da vitória no Endurance também fez sua última corrida. Por conta dos novos regulamentos da classe LMP2 para o próximo ano, o Ligier JS P2 e o motor Nissan VK 45, também estão na memória dos fãs. Vão estar reclusos no European Le Mans Series e Asian LMS. O Oreca 05 também deixa a cena. As equipes que quiserem, podem atualizar o protótipo para a versão 07.

Ainda na largada, O Audi #8 manteve a ponta. Não foi uma corrida difícil. Foram poucos acidentes e alguns pneus furados. O Porsche #2 viveu esse drama, quando acabou batendo o Porsche #78 da KCMG. Teve que fazer uma parada não programada nos boxes. O Aston Martin #98 da classe GTE-AM, não teve tanta sorte. Abandonou com problemas no motor.

G-Drive vence na LMP2. (Foto: AdrenalMedia)
G-Drive vence na LMP2. (Foto: AdrenalMedia)

Lucas Di Grassi, Loic Duval e Oliver Jarvis, foram os responsáveis pela última vitória da Audi. Foi a segunda vitória do trio no ano. Em segundo lugar o Audi #7 de Andre Lotterer e Benoit Treluyer. Na terceira posição o Porsche #1 de Mark Webber, Timo Bernhard e Brendon Hartley

Foi uma exibição de gala. “Uma vitória carregada de significados e emoções. Foi a minha vitória mais importante no WEC e também a minha melhor performance na categoria nestes três anos. Pole, recorde da pista na classificação e na corrida, melhor stint da prova, melhor tempo em todos os setores”, enumerou. “Então sem dúvida esse desempenho mostrou o quanto eu estava motivado para levar a bandeira do Brasil e da Audi para o lugar mais alto do pódio”, afirmou.

Fazendo parte da esquadra das quatro argolas desde o final de 2012, Lucas passou a disputar a temporada regular do WEC em 2014. Em quatro participações nas 24 Horas de Le Mans, três pódios e o segundo lugar, justamente em 2014, igualando o melhor resultado de um piloto brasileiro na classificação geral da mítica prova de resistência.

Em 2016, o brasileiro, junto de seus companheiros, cravou três pole positions e venceu duas corridas. “Mostramos que evoluímos como trio de pilotos, tendo vencido duas vezes na temporada, e isso é ótimo. Naturalmente, estou triste que a Audi e a maioria de nós está deixando o WEC, que é uma grande família. Vou sentir falta das corridas longas e das pessoas também. Eu não era familiarizado com o endurance quando pilotei com a Audi pela primeira vez em 2012, e me apaixonei por isso. Vou sentir muita falta destes carros e da adrenalina deste estilo de disputa”, ressaltou.

O prêmio pelo desempenho foi fechar a temporada como segundo melhor trio do ano, atrás apenas dos campeões Romain Dumas, Marc Lieb e Neel Jani, da Porsche. Uma forma de concluir a disputa premiando a fabricante que acolheu o brasileiro apostando em seu potencial e o reconhecendo como um dos melhores do mundo na atualidade. “Eles (Audi) merecem, e a vitória foi uma consequência disso. O segundo lugar no campeonato acabou como uma recompensa: não é todo ano que a gente pode dizer que terminou dois campeonatos mundiais entre os três melhores – e com dois vice-campeonatos”, disse, referindo-se à Fórmula E, onde segue defendendo a Audi.

“É, sem dúvida, um ano para se orgulhar, agradecer e fechar esta história tão importante da Audi no endurance com chave de ouro, e fazer parte dela proporcionando a vitória derradeira. É uma mistura de sentimentos: estou muito feliz, muito satisfeito, mas ao mesmo tempo muito triste por fechar este ciclo no WEC com a Audi. Vou sentir falta de acelerar esta fera”, concluiu.

“Nossa intenção era alcançar o máximo hoje no Bahrein, e foi exatamente o que fizemos”, disse Stefan Dreyer, chefe de LMP na Audi Sport. “Um enorme obrigado vai para todo o time Audi Sport Joest, aos nossos pilotos, e todas as pessoas que tornaram isso possível nos bastidores em Neuburg, Neckarsulm e Ingolstadt. Sinceros parabéns a todos.”

Vitória e título de pilotos para a Aston Martin na GTE-PRO. (Foto: AdrenalMedia)
Vitória e título de pilotos para a Aston Martin na GTE-PRO. (Foto: AdrenalMedia)

 

A G-Drive, voltou a vencer na classe LMP2. Rene Rast superou o Ligier #43 da equipe RGR, faltando pouco mais de 20 minutos para o fim. O Ligier #31 da ESM, chegou a liderar a classe, mas Chris Cumming ficou sem combustível. Com a parada para reabastecimento, foi superado pelo Alpine #36 de Nicolas Lapierre, Gustavo Menezez e Stephane Richelmi. Com o resultado a Alpine, conquista o título de equipes e pilotos na classe.

O segundo lugar do #43, coroou uma ótima campanha da RGR Sport. “Fizemos sete pódios em nove corridas. Sofremos problemas com o motor em Spa e Le Mans, e esses resultados acabaram fazendo toda a diferença. Mas só posso estar satisfeito com essa colocação. Fizemos tudo o que era possível nas condições que tínhamos, e ainda levando em conta que essa era a primeira experiência da equipe na LMP2. Enfrentamos adversários duros, como os campeões da Signatech-Alpine, e a G Drive, que venceu as últimas três provas”, lembrou Senna.

A despedida do calendário no circuito do Bahrein viu uma das melhores atuações de Senna em 2016. Ele largou em terceiro, cumpriu os dois primeiros turnos e chegou a liderar o terço inicial. “O carro estava muito bom no início, quando sai com pneus velhos. Estranhamente, piorou no terceiro stint, depois que coloquei um jogo zero pneus. Com a queda de rendimento, chegamos a despencar para quinto na vez do Ricardo, mas felizmente o Filipe fez muito bem a parte dele e recuperou as posições perdidas”, elogiou.

Senna permanecerá na LMP2 em 2017, mas ainda avalia as possibilidades. Ele espera pela posição da RGR Sport, equipe mexicana de propriedade do parceiro Gonzalez, mas considera também a possibilidade de mudança para uma equipe da qual já recebeu proposta. “Tenho uma ótima relação com a RGR Sport e é natural que eles tenham a preferência neste momento”, justificou. Antes do final do ano, Senna estará na Nova Zelândia para cumprir compromissos com a McLaren.

Nicki Thiim e Marco Sorensen, venceram na classe GTE-PRO e faturaram o título de pilotos da classe. A festa seria perfeita, se não fosse o pneu furado do Aston #97. Com o incidente a Aston Martin não conquistou também o título de equipes.

Porsche vence na GTE-AM. (Foto: AdrenalMedia)
Porsche vence na GTE-AM. (Foto: AdrenalMedia)

A AF Corse, completou o pódio #51 e #71 respectivamente. Com o resultado a Ferrari levou o título de construtores nas classes GT. Na GTE-AM, a vitória ficou com o Porsche #88 da Abu Dhabi-Proton, dos pilotos Patrick Long, David Heinemeier Hansson e Khaled Al Qubaisi. Em segundo o Porsche da KCMG. Fechando o pódio, a Ferrari #83 de Emmanuel Collard, Rui Aguas e François Perrodo.

Foram 18 anos, assim como um adolescente que tira sua tão sonhada carteira de motorista, a Audi, vai percorrer outras pistas agora. Grande parte do time vai se deslocar para a Fórmula E e programas esportivos dentro do grupo VW. Muitos se tornaram fãs de endurance, por conta das inúmeras vitórias da Audi. Quem ousaria vencer os carros prateados? Poucos. Foram batalhas com a Peugeot, Toyota e Porsche. Também teve a Acura, Panoz nos primórdios da ALMS. Muitas histórias.

Mark Webber também vai deixar saudades. (Foto: AdrenalMedia)
Mark Webber também vai deixar saudades. (Foto: AdrenalMedia)

 O WEC se despede. 2016 foi um ano atípico, muitas despedidas e muitas incertezas. 2017 será um período de transição. Poucas equipes na LMP1 e um turbilhão de mudanças na P2. Estamos prontos. 

Porsche lidera Rookie Test no Bahrein

Pipo Derani testou com o Toyota TS050 #5. (Foto: Toyota)
Pipo Derani testou com o Toyota TS050 #5. (Foto: Toyota)

A Porsche liderou as sessões de treinos neste domingo (21) no Bahrein. O teste contou com pilotos convidados pelas equipes e seus titulares.

Neel Jani , com o Porsche #2 foi o mais rápido com 1:42.137. Foi seguido por Timo Bernhard com o 919 #1 que marcou 1:42.159. Tanto Porsche, quanto Toyota testou com seus pilotos titulares, novos pneus para 2017. Já os pilotos novatos, tiveram direito a dar 30 voltas.

O melhor rookie, foi Gustavo Menezes com o Porsche #1 marcando 1:43.626. Paul-Loup Chatin foi o mais rápido com o Audi #7, marcando 1:43.910. O R18 teve que encerrar o teste antes da hora pro problemas mecânicos.

Pipo Derani, testando o Toyota TS050 #5 marcou 1:44.292. Robert Kubica, estreou nos protótipos com o CLM P1/01 da ByKolles marcando 1:47.222.

Na classe LMP2, Alex Brundle e Mike Guasch, testaram com o Oreca #44 da Manor. Foi uma cortesia pelo título na classe LMP3 na ELMS. Alex Lynn que fez duas provas no WEC pela Manor, foi o mais rápido na classe GTE com o Aston Martin #95.

Tempos combinados.

Regulamentos da classe LMP1 congelados até 2019

As regras que regem a classe LMP1, vão perdurar até 2019. O anúncio foi feito na manhã deste domingo (20) no Bahrein, durante os testes coletivos do WEC.

Inicialmente a FIA e ACO chegaram a anunciar que novos regulamentos entrariam em vigor em 2018, como um terceiro sistema híbrido e o aumento da subclasse híbrida para até 10MJ. Asa móvel para os LMP1 sem sistema híbrido e sistema de seguranças atualizados também foram propostos.

Em reunião com as equipes, Toyota e Porsche, se chegou a um consenso de que as regras deveriam se manter estáveis para que novos fabricantes e equipes tenham interesse de ingressar na categoria.

“É claro que, se queremos atrair novas equipes, porém ter um carro com três sistemas híbridos é muito complexo”, disse o chefe da Toyota, Pascal Vasselon, antes do anúncio oficial.

“Isso é óbvio: três sistemas ERS é bastante ambicioso e para um iniciante pode ser um pouco assustador.”

O chefe da Porsche, Andreas Seidl acrescentou: “Nossa preferência pessoal é para atrair fabricante, mas ao mesmo tempo, manter o nível de alta tecnologia do WEC porque essa é uma das principais razões por que estamos aqui.”

Para o diretor esportivo da ACO, Vincent Beaumesnil, esta paralisação das regras, não vai tirar o atrativo da categoria, muito menos deixar o campeonato atrasado. “O nível técnico já é elevado, por isso temos que manter os custos controlados”, disse.

“O problema das novas regras é que ele exigiria novos investimentos para tornar os novos sistemas. Mas, ao mesmo tempo, estamos trabalhando sobre o futuro.”

“Nós estamos analisando a introdução introduzir carros de célula de combustível de hidrogênio. estamos olhando para diferentes tipos de combustíveis e eu acho que a otimização do que temos hoje ainda é um desafio os engenheiros.”

“Não tenho absolutamente nenhuma dúvida de que o WEC será uma categoria superior em tecnologia nos próximos anos.”

O principal motivo para este revés nos regulamentos, segundo o dirigente foi a saída repentina da Audi. Entre os fabricantes interessados, a Peugeot, já deixou claro que volta, porém com regras mais flexíveis e menores custos.

“Obviamente, temos de continuar a insistir na redução de custos, para que seja atraente para novos fabricantes”, disse Beaumesnil.

Para 2017, a potência para Le Mans, deve ser adotada, bem como para os novos LMP2. Já os LMP1 privados, que ganhariam um novo chassi para 2018, também terão que esperar. “Nós não vamos introduzir um novo monocoque para os privados antes das fábricas”, disse. “Faz sentido, mas isso ainda não foi oficialmente decidido por isso temos de trabalhar.”

Segundo o dirigente, um novo conjunto de regras, deve entrar em vigor somente em 2020.