Uma delegação que, sem nação própria, representará 65 milhões de refugiados

Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, uma delegação contendo 10 atletas não representará somente uma nação, mas pessoas que lutam por dias melhores.

Uma delegação que, sem nação própria, representará 65 milhões de refugiados
(Foto: Pedro Ugarte/AFP)

Começou! Os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão oficialmente valendo. Nesta sexta-feira (5), houve a abertura do maior evento esportivo do planeta. Com uma linda festa no Maracanã contando toda a história do Brasil e sua rica mistura de povos, que fortaleceram ainda mais nossa cultura, as delegações foram apresentadas ao público.

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Em meio a tantos fogos de artificio e cores, felicidades de atletas que lutaram para estarem ali, podemos destacar um delegação entrando para a história da Olimpíada, a delegação de refugiados. Pela primeira vez estamos vendo algo desta grandeza ocorrer. São 10 atletas de diferentes nacionalidades, que fugiram de seus países devido a conflitos internos que assolam a população.

Os esportistas chegaram na última semana antes da abertura. Como não terão somente um país para simbolizar, estarão nos Jogos representando 65 milhões de expatriados. Da mesma forma que não terão uma bandeira e nem hino próprio, entraram portando o estandarte olímpico e será soado o hino da Olimpíada caso conquistem medalhas em suas provas.

Com histórias de vidas parecidas, vamos contar relatos de cada um desses desportistas para que possamos nos habituar e encorajar os mesmos, e entender que eles estão aqui não somente para competir, mas para trazer a mensagem de paz aos povos.

Rami Anis, natação.

(Foto: COI/Divulgação)

O nadador, que morava em Aleppo, maior cidade da Síria, tem 25 anos. Rami deixou seu país depois que se intensificaram os conflitos entre rebeldes e o governo. Foi para a Bélgica e ganhou o incetivo de continuar com a natação. Anis competirá em duas provas no Estádio Olímpico de Natação: 100m livre e 100m borboleta.

Papole Misenga, judô

(Foto: COI/Divulgação)

Nascido na República Democrática do Congo, o judoca de 24 anos deixou sua nação devido a um conflito que já arruinou a vida de mais de cinco milhões de vítimas. Acolhido pelo Brasil, Misenga está no país desde 2013 e disputou o Mundial, do qual foi eliminado na primeira rodada. Na Olimpíada, competirá na categoria 90 quilos.

Yolande Mabika, judô

(Foto: COI/Divulgação)

Atleta de 29 anos, também fugiu do Congo para o Brasil. Como o compatriota Papole Misenga, disputou o Mundial que foi realizado no Rio de Janeiro em 2013 acreditando na oportunidade de escapar dos conflitos que os congaleses sofrem. No Rio 2016, entra na categoria 70 quilos.

Yustra Mardini, natação

(Foto: COI/Divulgação)

Também da Síria, Yustra tem apenas 19 anos e teve que nadar para salvar sua vida quando o barco que a levaria para a Ilha de Lesbos, da Grécia, virou no Mar Egeu. Alcançou a Turquia e desembarca no Rio para disputar as provas do 100m livres e borboleta.

James Nyang Chiengjiek, atletismo

(Foto: COI/Divulgação)

James fugiu do Sudão do Sul aos 13 anos de idade para não ser capturado por rebeldes que o forçariam a lutar na guerra civil. Mesma guerra que matou seu pai dois anos antes de sua fuga. Foi parar no Quênia, lá teve seu primeiro contato com o atletismo e disputará o 400m livre no Rio.

Yiech Pur Biel, atletismo

(Foto: COI/Divulgação)

Como James, deixou o Sudão do Sul com 11 anos fugindo dos rebeldes. Vive no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia. Começou a competir com 20 anos e agora, com 21, vai disputar a prova de 800m livres no Engenhão.

Paulo Amotun Lokoro, atletismo

(Foto: Claire Thomas/Claire Thomas)

Paulo era pastor de gado no Sudão do Sul, e assim como Yiech e James, se viu obrigado a abandonar sua vida em seu país natal para se refugiar no Quênia, que recebeu incentivo para para treinar no atletismo. Aos 25 anos disputará a prova dos 1.500m livre.

Yonas Kinde, atletismo

(Foto:COI/Divulgação)

Aos 36 anos, é o atleta mais velho da delegação. De origem etíope, mora em Luxemburgo como exilado político. Em seu novo lar, trabalha como taxista, faz aulas de francês e treina corridas de longas distâncias. Começou na meia maratona, mas virá para o Rio disputando a maratona completa.

Anjelina Nada Lohalith, atletismo

(Foto: COI/Divulgação)

Outra que encontrou refúgio no Quênia. A sul-sudanesa Anjelina, de 22, chegou ao país com apenas seis anos e começou a se destacar, desde cedo, no atletismo vencendo as competições escolares. Na Olimpíada disputará os 1.500m livre.

Rose Nathike Lokonyen, atletismo

(Foto:COI/Divulgação)

Mais uma vítima da guerra civil no Sudão do Sul que encontrou abrigo no Quênia. Uma curiosidade sobre Rose: até o ano passado ela corria descalça no campo de refugiados de Kakuma, após descobrir o esporte e incentivada pela professora. Com 23 anos, vai competir na prova dos 800m livre.