Yusra Mardini: a refugiada olímpica que nadou por três horas em mar aberto para salvar vidas

Neste sábado (6), venceu a primeira série dos 100m borboleta feminino, com tempo na casa de 1min09s.

Yusra Mardini: a refugiada olímpica que nadou por três horas em mar aberto para salvar vidas
(Foto: Divulgação/Rio 2016)

 

Quase todos os atletas nos Jogos Olímpicos Rio 2016 carregam uma história interessante, mas Yusra Mardini talvez tenha a mais extraordinária de todas. A atleta está no Rio para representar uma equipe olímpica formada por 10 refugiados. Combinado a isso, um conto de superação: ela e sua irmã são responsáveis por salvar 20 vidas, incluindo a sua própria, após seu barco afundar no Mar Egeu. Neste sábado (6), venceu a primeira série dos 100m borboleta feminino, com tempo na casa de 1min09s.

Mardini morava em Damasco, na Síria, uma cidade desvatada pela guerra. Com a agitação do país, ela costumava treinar em piscinas improvisadas, feitas de calhas quebradas pelos bombardeios. Com o conflito se tornando cada vez mais instável, decidiu rumar junto a sua irmã Sarah à Grécia, com rota passando entre Líbano e Turquia, também zonas de risco.

Bastaram trinta minutos de viagem para o pior acontecer. Após sair da Turquia, o motor falhou e o barco começou a afundar, levando consigo 20 pessoas a bordo que não sabiam nadar. Sem outra alternativa, Mardini, Sarah e outras duas pessoas pularam na água, nadaram durante três horas em mar aberto e empurraram a embarcação até a costa da Ilha de Lesbos.

Depois do ocorrido, Mardini mudou-se para Berlim, onde passou a treinar no Wasserfreunde Spandau 04. Não demorou muito para Sven Spannekrebs, seu treinador, perceber seu potencial e começar a moldá-la - visando inicialmente os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Mas, seu caminho rumo à Olimpíada tomou rota mais rápida e desembarcou no Rio de Janeiro, em 2016.

(Foto: Getty Images)
(Foto: Getty Images)