Ouro Olímpico: Ricardo e Emanuel, os homens da primeira conquista na Praia

Dupla conquistou a primeira e até agora única medalha dourada do Brasil nas areias

Ouro Olímpico: Ricardo e Emanuel, os homens da primeira conquista na Praia
Ouro Olímpico: Ricardo e Emanuel, os homens da primeira conquista na Praia

Lá se vão quase 12 anos de quando a primeira dupla masculina da história do Vôlei de Praia nos jogos de Atenas, na Grécia em 2004, na figura de Ricardo e Emanuel que dominantes durante todo o ciclo olímpico, só confirmaram a sua grande trajetória com o lugar mais alto no pódio ateniense.

Trajetória até a final

No primeiro jogo, a vitória foi em cima dos noruegueses Maaseide e Horrem por 2 sets a 1, parciais de 21/15, 19/21 e 15/10. Depois, ganharam dos australianos Schacht e Slack de 2 a 0 com um duplo 21/17. E mantiveram 100% de aproveitamento contra os americanos Holdren e Metzger também por 2 a 0 (21/17 e 21/10).

Classificados para as oitavas de final, Ricardo e Emanuel enfrentaram os noruegueses Kjemperud e Hoidalen. Mais uma vitória para a parceria, por 2 sets a 1. Os brasileiros ganharam no primeiro set por 21/15, mas acabaram perdendo no segundo de 19/21. No tie-break, o resultado terminou sendo um largo 15/6.

Com este resultado, a ansiedade da dupla só aumentava. Restava apenas dois jogos até a sonhada decisão. Nas quartas de final, eles enfrentaram os irmãos suíços Martin e Paul Laciga, que tinham sido os responsáveis por eliminar Márcio e Benjamin. Os brasileiros largaram na frente e fecharam o primeiro set em 21/13. No segundo set, Ricardo e Emanuel conseguiram abrir 12 a 10. E cresceram o ritmo de jogo para encerrar a partida sem dificuldades: 21/16. Encerrando assim em 2 sets a 0.

Na semifinal, Ricardo e Emanuel enfrentaram outros adversários da Suíça. Desta vez, Heuscher e Kobel. Esta foi considerada a partida mais complicada na avaliação da comissão técnica e dos jogadores. 

A dupla brasileira conseguiu manter a postura e venceu o primeiro set por 21/14. No segundo set, aconteceu a derrota apertada de 19/21. O tie-break acabou se tornando o momento mais dramático do torneio. 

"Perdíamos de 13 a 11 e foi pedido um tempo (técnico). Emanuel fez todos os procedimentos de concentração que devia fazer. Pediu a Ricardo para inverter o bloqueio e o paranaense foi para a rede. A gente virou uma bola e depois Emanuel fez dois bloqueios no jogador de entrada da Suíça. Ali a gente virou o jogo e ganhamos. Depois que passamos daquele sufoco, a gente ganhou a confiança necessária para o título", comentou Rossini que fazia parte da comissão técnica da dupla na época.

Na decisão

Os adversários eram os espanhóis Bosma e Herrera. E o pedido do técnico Cajá para chegar muito forte surtiu efeito. Ricardo e Emanuel passaram como um rolo compressor pelos adversários. 

Os brasileiros conseguiram abrir três pontos de vantagem no primeiro set em um ataque de Ricardo (5/2). Mas o espanhóis tentaram reagir e conseguiram encostar no placar (6/5). Depois, Herrera errou algumas vezes e a vantagem voltou a ficar maior (10/7). Ricardo e Emanuel passaram a administrar o resultado e depois de poucos erros fecharam em 21/16. 

No segundo set, a intensidade de jogo cresceu. Emanuel acertou pontos de saque e Ricardo se transformou na "máquina de bloqueio" que ele passou a ser conhecido. Conseguiram abrir uma vantagem larga (14/6). E fecharam a partida em 21/15 em 42 minutos de jogo. O sonho do ouro em Atenas foi concretizado depois de sete vitórias e apenas três sets perdidos durante o torneio.

A medalha de ouro em Atenas foi o ápice do vôlei de praia masculino. Era um resultado inédito. O paranaense Emanuel enfatiza: 

"Não é todo dia que um atleta pode ter a chance de ser campeão olímpico. É o máximo que um atleta pode pensar em qualquer modalidade. É o ápice da carreira. É o que realmente faz um atleta se tornar diferenciado", comentou Emanuel. 

Já Ricardo destaca que o ouro sempre foi o objetivo principal da carreira. Aquele momento de Atenas tornou-se ainda mais importante para ele porque o atleta vinha de uma prata em Sidney, quando "bateu na trave" ao lado de Zé Marco. 

"Foi um momento muito importante para minha carreira. Foi o momento que brindou nossa preparação. Fui prata em Sydney 2000, mas em Atenas foi uma preparação totalmente diferente. Passamos por um verdadeiro amadurecimento para conquistar o objetivo. Foi um momento muito especial. Não só para mim, mas para toda a equipe" lembrou Ricardo.