Ouro Olímpico: relembre a conquista da Seleção Brasileira feminina de vôlei em Pequim 2008

Primeira medalha dourada do vôlei feminino brasileiro em Olimpíadas veio em campanha memorável em solo chinês

Ouro Olímpico: relembre a conquista da Seleção Brasileira feminina de vôlei em Pequim 2008
Ouro Olímpico: relembre a conquista da Seleção Brasileira feminina de vôlei em Pequim 2008

A VAVEL relembra os grandes momentos do Brasil na história das Olimpíadas. Em crescimento nos últimos anos, o Vôlei Feminino é um dos orgulhos atuais do país. Afinal, a Seleção Brasileira é bicampeã olímpica, com medalhas de ouro ganhas em Pequim 2008 e em Londres 2012.

A chegada aos Jogos Olímpicos de 2008 foi em momento delicado. A desconfiança pairava sobre a Seleção do técnico José Roberto Guimarães. O ouro olímpico, sim, era obsessão da turma de Sheilla, Fabi, Fabiana e Paula Pequeno. O problema vinha no retrospecto negativo de competições anteriores. Postulante ao título em outras Olimpíadas, o Brasil esbarrou nas semifinais em quatro ocasiões. Já a disputa do Pan em 2007 terminou com a prata em derrota no Rio de Janeiro para as carrascas de Cuba.

A capacidade de se reerguer foi posta com o título do Gran Prix, competição em que a Seleção está mais do que acostumada a somar títulos. Faltava a medalha olímpica e, em campanha épica, as brasileiras chegaram ao lugar mais alto do pódio. Foi o segundo ouro do Brasil em competição feminina coletiva, sendo o primeiro no vôlei de praia.

Seleção Brasileira unida pelo inédito ouro (Foto: Jeff Gross / Getty Images)
Seleção Brasileira unida pelo inédito ouro
(Foto: Jeff Gross / Getty Images)

Primeira fase sem perder sets

Cercado por pressão, o panorama em Pequim, do outro lado do mundo, era para superação. E ela veio. O Brasil começou a competição olímpica no Grupo B, ao lado das mais frágeis Argélia e Cazaquistão, e de pedreiras europeias: Sérvia, Rússia e Itália. A estreia foi em 9 de agosto de 2008, com tranquilos 3 a 0 sobre a Argélia.

Dois dias após, a Rússia também não foi páreo. Novo placar elástico por 3 a 0, em partida para ganhar confiança no ataque e com o funcionamento do bloqueio. O terceiro compromisso foi diante da Sériva e novamente as brasileiras não tomaram conhecimento. Sem perder sets, o Brasil chegou à terceira vitória no ginásio Indoor da Capital.

Sem maiores dificuldades, novo 3 a 0 sobre o Cazaquistão, com direito a um 25 a 6 no segundo set em disputa. Em 17 de agosto, o encerramento da primeira fase para confirmar o primeiro lugar do grupo. No duelo das equipes que haviam vencido os quatro jogos, o Brasil fez 3 a 0 sobre a Itália, em parciais de 25/16, 25/22 e 25/17. Fabiana e Mari fecharam o bloqueio, Walewska elogiou o bom trabalho de saque e, assim, as jogadoras garantiram a liderança da chave: 5 vitórias em 5 jogos.

Quartas de final: Brasil 3-0 Japão

Como é comum nos torneios por mata-mata, a saída da primeira fase causa um frio na barriga. O Brasil, porém, novamente não tomou conhecimento das adversárias. Na fase de quartas de final, as rivais foram as japonesas, apenas quartas do grupo A.

A seleção do técnico José Roberto Guimarães confirmou a melhor campanha do torneio. No jogo, Mari começou arrasadora. Ficou no saque em uma sequência de 8 pontos, para abrir 11 a 3. No ataque, ela e Paula Pequeno comandaram a rede para largar a bola no chão da quadra japonesa.

A escola asiática é conhecida pelas boas defesas. Entretanto, a altura no bloqueio brasileiro funcionou e Fabiana e Paula Pequeno pegaram os ataques do Japão. Cérebro da equipe, a levantadora Fofão comemorou os 3 a 0: "O Japão foi uma equipe que lutou o tempo todo e exigiu muito da gente".

No currículo, a quinta semifinal consecutiva para o Brasil nas Olimpíadas. A busca do ouro prosseguia e era preciso superar o trauma de cair nessa fase.

Semifinal: Brasil 3-0 China

Após uma vitória sobre uma das escolas asiáticas mais fortes, outra pedreira no caminho brasileiro: a China, atuais campeãs olímpicas da época. Já o Brasil havia batido na trave na mesma fase semifinal em Barcelona (1992), Atlanta (1996), Sidney (2000) e Atenas (2004).

Na Grécia, a pior situação ocorreu em derrota por virada, quando o Brasil estava prestes a fechar o quarto set e permitiu reação histórica da Rússia. Para apagar essa imagem, uma semifinal em Pequim diante das donas da casa, em um ginásio da Capital pintado de vermelho, em pleno apoio às chinesas. O cenário era complicado, mas elas não se intimidaram.

"O time entrou um pouco ansioso, mas faz parte. A gente não tinha sentido ainda esta pressão", recorda a líbero Fabi.

O Brasil passou à frente do placar pela primeira vez no jogo em 18 a 17, em ace do elogiável saque de Walewska. O set seguiu nervoso aos dois times, terminando somente na abertura de 27 a 25, após 28 minutos. Sheila decidiu o ponto derradeiro.

O segundo set também foi muito equilibrado. Com a mentalidade em alta, o Brasil não desconcentrou e aproveitou erros chineses no fim para fechar em 25 a 22. Estava novamente a um set da final olímpica.

Desestabilizada, a China não reagiu mais. Mari e Sheilla cresceram no ataque e a diferença final ficou em desequilibrados 25 a 14, na maior vantagem brasileira no jogo e para garantir de vez a vaga. Festa das mulheres brasileiras no perplexo ginásio chinês. 3 a 0 e Brasil na final das Olimpíadas de 2008.

A consagração da final: Brasil 3-1 Estados Unidos

Paula Pequeno e Fofão comemoram ponto na final (Foto: Cameron Spencer / Getty Images)
Paula Pequeno e Fofão comemoram ponto na final (Foto: Cameron Spencer / Getty Images)

Foi em 23 de agosto de 2008 e com resquícios de drama no conhecido Ginásio da Capital. A arbitragem foi do italiano Massimo Menghini e do turco Umit Sokullu. Os Estados Unidos haviam vencido a semifinal para frustrar o sonho de Cuba.

A Seleção Brasileira começou o jogo buscando conter a ansiedade. O meio do primeiro set ficou totalmente favorável em uma sequência de 10 a 1, oportunizando a abertura e a segurança de um 20 a 11 no placar. Em ace de Paula, o Brasil fechou em 25 a 15.

O segundo set foi a síndrome temida. Os Estados Unidos, comandados pela experiente e de exímia qualidade técnica, Logan Tom, reagiram. Foi com ataque da melhor jogadora estadunidense que as norte-americanas fecharam em tranquilos 25 a 18. Foi o primeiro set perdido pelo Brasil no torneio.

A expectativa e a tensão do público questionavam qual seria a reação brasileira após o empate em sets. As jogadoras deram resposta e, entrando ligadas, pularam à frente do marcador desde a volta do set. A vantagem chegou ao dobro em paricias de 6 a 3 e 12 a 6. Virando mais bolas do que sofrendo, o Brasil fechou o terceiro set em 25 a 13.

A um set do título e após grande exibição no terceiro set, as norte-americanas ofereceram resistência. A troca de bolas foi incessante, alternando a liderança do placar. Após o segundo tempo técnico, os EUA estavam à frente por 16 a 15. A levantadora Berg contava com os ataques de Logan Tom.

Guimarães acertou na substituição. A levantadora Fofão saiu para o Brasil formar um bloqueio triplo e muito alto. Thaisa pegou o ataque estadunidense e a seleção passou à frente: 21 a 20. Outros bloqueios coroaram a rede brasileira: Fabiana e Sheila: 24 a 21 e match point, game point e golden medal point.

O ataque de Logan Tom viajou por cima da rede, das jogadoras, caiu fora e definiu: Brasil 25 a 21, 3 a 1 em sets e pela primeira vez campeão olímpico no vôlei feminino.

O técnico José Roberto Guimarães se tornou o primeiro campeão no masculino e no feminino, pois havia sido vencedor com os homens em Barcelona (1992). As jogadoras comemoraram o título inédito e, com alívio de superar barreiras e com a união do grupo, vieram a conquistá-lo novamente em Londres 2012.

Seleção Brasileira Feminina campeã olímpica de 2008 (Getty Images)
(Getty Images)

Elenco de ouro do Brasil

Paula Pequeno
Carol Albuquerque
Sheilla
Walewska
Mari
Thaísa
Fofão
Fabi
Jaqueline
Sassá
Fabiana
Valeska

Técnico: José Roberto Guimarães