Guia VAVEL Mundial de Clubes de Voleibol: equipes estrangeiras

Torneio masculino começa nesta terça-feira e vai até o domingo. Oito equipes disputam o título internacional com Sada Cruzeiro e Minas de anfitriões

Guia VAVEL Mundial de Clubes de Voleibol: equipes estrangeiras
O Trentino Volley, da Itália, é o maior campeão da história do Mundial de Clubes, com quatro títulos (Foto: Dino Panato/ Getty Images)

Da concentração do atleta que se prepara para sacar, da atenção daquele que se posiciona para receber, do oportunismo do que pega o passe e transforma em um levantamento, até o apogeu da jogada com aquele que ataca, se constrói um ponto no vôlei. Fugindo dessa construção básica, há também a chance de um belo rally, onde todo o processo é reiniciado, até que o ponto se consolide.

Com menos ou mais qualidade, menor ou maior duração, portanto, os pontos se constroem e se sucedem até a meta mínima dos 25 por set. A partir desta terça-feira (18) quem aprecia a modalidade terá a chance de acompanhar um espetáculo de lances e suas construções, manifestado por grandes equipes do mundo, no Mundial de Clubes de Vôlei, até domingo (23). O feminino acontece em Manila, nas Filipinas, e o masculino terá como palco novamente o Brasil.

Mundial Feminino de Clubes de Voleibol terá Rio de Janeiro como representante

Mundial Masculino de Clubes de Voleibol terá dois representantes brasileiros

No caso da competição masculina, os jogos serão disputados no Ginásio Divino Braga, em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. Tendo o Sada Cruzeiro e o Minas Tênis Clube como os anfitriões, o torneio acolhe mais seis equipes, entre elas o campeão e o vice-campeão da Liga dos Campeões da Europa, Zenit Kazan e Trentino, respectivamente, as potências argentinas UPCN San Juan e Personal Bolívar, além dos campeões asiático Taichung Bank e africano Tala’ea El-Geish.

A competição está dividida em dois grupos, A e B. Depois dos confrontos dentro de cada chave, há o cruzamento do primeiro colocado do A com o segundo colocado do B, e do segundo do A com o primeiro do B, formando as semifinais, que acontecem no sábado (22), e que definem as equipes da grande final, no domingo (23). Esta edição é considerada a maior e melhor de todos os tempos pela qualidade das equipes participantes. Por isso, para que a apreciação de todo esse espetáculo seja ainda mais completa, a VAVEL Brasil preparou guias sobre as oito equipes.

Guia VAVEL Mundial de Clubes: Sada Cruzeiro 

Guia VAVEL Mundial de Clubes: Minas Tênis Clube

 

Equipes estrangeiras que disputam o Mundial de Clubes
 

Zenit Kazan

O Zenit  venceu a última edição da Liga dos Campeões da Europa (Foto: Anadolu Agency)

Vindo do potente vôlei russo, o Zenit Kazan larga como um dos favoritos ao título do Mundial. Atuais vice-campeões do torneio, os russos perderam para o Sada Cruzeiro por 3 a 1 na final do ano passado, também em Betim. Para chegar à competição, desbancaram o Trentino, da Itália, na Liga dos Campeões da Europa, adversário da chave oposta neste Mundial.

O Zenit Kazan é comandado por um dos grandes nomes do voleibol russo, Vladimir Alekno, também técnico da seleção local. Seu fortíssimo plantel conta com nomes como o norte-americano Anderson, o cubano Leon, o búlgaro Salparov, além de cinco atletas que defenderam a seleção russa nos Jogos Olímpicos Rio 2016: Artem Volvich, Maxim Mikhaylov, Igor Kobzar e Andrey Ashchev.

Com quatro títulos da Liga dos Campeões da Europa, o Zenit Kazan venceu as duas últimas edições da competição e atualmente é uma das maiores forças do voleibol europeu. No entanto, a equipe chega ao Mundial em busca de uma conquista inédita. Nas edições das quais participou, ficou em terceiro lugar em 2009 e 2011, quarto em 2012, tendo o vice-campeonato da última edição como a melhor classificação que já teve no torneio.

A equipe chega forte para competição depois de uma temporada de sucesso, em que ganhou os três torneios nacionais que disputou - Superliga Russa, Copa da Rússia e Supercopa. No caso da Superliga, principal competição de clubes de vôlei da Rússia, o Zenit venceu as últimas três edições, somadas a outros cinco títulos que tem no torneio.
 

Trentino Volley

Foto: Divulgação/FIVB

Quem não vai faltar desta edição do Mundial é o clube italiano Trentino Volley, maior campeão da história do torneio. Foram quatro canecos levantados, e de forma consecutiva, entre 2009 e 2012, todos em Doha, no Qatar. Apesar dessa sequência gloriosa, nos anos seguintes, a campanha dos italianos no Mundial não foi tão boa. Em 2013, ficou com a medalha de bronze, amargou o 5º lugar na edição de 2014 e não se classificou para a de 2015.

Da forte e tradicional escola italiana, o Trentino retorna ao Mundial após garantir o vice-campeonato da Liga dos Campeões da Europa. Além de ter bons nomes como o central Sebastián Solé, a equipe conta com quatro jogadores que estiveram nos Jogos Olímpicos Rio 2016 defendendo a Itália, finalista contra o Brasil. São eles, Filippo Lanza, um dos ponteiros de destaque do vôlei mundial, Massimo Colaci, Oleg Antonov e Simone Gianelli.

Além dos quatro títulos no Mundial, o Trentino tem ainda três conquistas na Liga dos Campeões da Europa, quatro no Campeonato Italiano, três na Copa da Itália e duas na Supercopa Italiana. Mesmo com essa lista cheia, a equipe vem de uma temporada (2015/2016) sem levantar nenhum troféu, tendo perdido a final da Liga dos Campeões da Europa para o Zenit Kazan. Um possível reencontro entre os dois, para uma reedição da final do campeonato europeu, só pode se efetivar na semifinal ou final, porque estão em grupos diferentes.

Vice-campeão do torneio europeu, o Trentino foi convidado pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) no mês de setembro para participar do Mundial. Até então com o destino de uma vaga a alguma equipe da Confederação da América do Norte, Central e Caribe de Voleibol (NORCECA, em inglês), a entidade máxima do voleibol mundial decidiu não mais assim fazer, convidando os italianos para ficarem com o acesso.
 

UPCN San Juan

Foto: Divulgação/FIVB

Outro grande nome deste Mundial de Clubes e que promete acrescentar muito à qualidade do torneio é o UPCN San Juan, da Argentina. Com um quarto lugar no Mundial de 2013, os argentinos terminaram em terceiro nas duas últimas edições da competição. Em 2015, foram derrotados pelo Zenit Kazan na semifinal e mantiveram a sua base de atletas para o torneio deste ano. O UPCN tem em seu plantel nomes interessantes como oposto Uchikov, o ponteiro Filardi, o central Ramos e o líbero Gararoq, além do levantador italiano Vermiglio, recém-contratado.

A equipe mantém uma hegemonia em solo argentino, tendo conquistado as últimas seis edições da principal competição de vôlei do país. Esse hexacampeonato faz do UPCN uma potência sul-americana, que vai medir forças na primeira fase do Mundial com Minas Tênis Clube, Personal Bolívar, seu rival, e Trentino.

Fundado em 2007 e com esses seis títulos na sua liga nacional, a primeira conquista continental do UPCN veio em 2013, no Campeonato Sul-americano. Antes disso, nessa mesma competição, terminou em terceiro lugar em 2010 e perdeu as finais das duas edições seguintes para SESI-SP e Sada Cruzeiro. Depois do título inédito no Sul-americano em 2013, voltou a ficar em segundo lugar em 2014, perdendo para o Sada Cruzeiro, venceu uma revanche contra os mineiros em 2015, em que levantou o caneco pela segunda vez, e caiu para o mesmo Sada Cruzeiro na semifinal da edição deste ano, terminando em terceiro lugar.

O UPCN chega ao Mundial como um dos três convidados da FIVB - além dele, Personal Bolívar e Trentino. Seu histórico na competição registra três participações, com oito vitórias e seis derrotas. Os comandados de Fabian Armoa, que treina a equipe desde 2008, vão para seu 15° jogo em Mundiais, onde encaram o Minas Tênis Clube na estreia.
 

Personal Bolívar

Foto: Divulgação/FIVB

Quem acompanha o vôlei brasileiro certamente já ouviu referências ao levantador William, do Sada Cruzeiro, como “El Mago”. Esse apelido foi conquistado em seus tempos de voleibol argentino, onde defendeu o Personal Bolívar por quatro temporadas. A equipe, atual vice-campeã do seu torneio nacional, é uma das duas argentinas que vêm disputar o Mundial.

O Personal Bolívar ficou em quarto lugar no Mundial de Doha, no Qatar, em 2010, onde foi eliminado pela equipe polonesa PGE Skra Belchatów na semifinal. No mesmo ano, conquistou o Campeonato Sul-Americano de Vôlei. Agora, em sua segunda participação no Mundial, conta com reforços como o oposto australiano Thomas Edgar, um gigante de 2,12m com uma média acima de 20 pontos por partida, com o ponteiro Piá, brasileiro que deixou o Vôlei Brasil Kirin no início do ano, e com as contratações de Aleksiev, ponta búlgaro, e o levantador dinamarquês Jacobsen, feitas junto ao rival UPCN.

No Campeonato Sul-Americano deste ano, cujo campeão foi o Sada Cruzeiro, o Personal Bolívar terminou em quarto lugar, depois de cair na semifinal para o Funvic Taubaté e perder a medalha de bronze para o UPCN. Justamente para o rival, o Bolívar viu escapar o título do campeonato nacional de vôlei pouco tempo depois, competição em que os dois times somam 12 conquistas, seis para cada lado.

O técnico do Bolívar, Javier Weber, esteve à frente da seleção argentina nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, além de ter sido jogador em terras italianas, brasileiras e argentinas. No grupo do rival UPCN, que conta também com o brasileiro Minas Tênis Clube e com Trentino, da Itália, Javier vê um caminho mais difícil que a outra chave, com as quatro equipes restantes.

"Para nós, cada jogo será uma final. Vamos enfrentar um time conhecemos bem, o UPCN, além do atual campeão da Champions League, que se reforçou bem. O Minas tem um time arrumado, comandado por um ótimo treinador. Eles jogam no 100% o tempo todo. O Trentino faz qualquer adversário se sentir pressionado, exigindo um alto nível do começo ao fim. Nosso grupo é mais parelho, não vejo nenhum time com uma chance mais clara de se classificar. Cada jogo precisará ser muito estudado", disse Weber.
 

Tala’ea El-Geish

Foto: Divulgação/FIVB

Sem qualquer favoritismo ou pompa, o Tala’ea El-Geish chega ao Mundial como o atual campeão da África. Assim como na edição do ano passado, quando o continente africano foi representado por uma equipe egípcia - Ahly Sporting Club -  no Mundial, neste ano também será.

Apesar de não ser tão conhecida no cenário mundial, a equipe tem em seu plantel seis jogadores da seleção do Egito, além do técnico que esteve à frente da mesma seleção nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Fundado em 1995, o El-Geish está fazendo sua estreia em Mundiais depois da conquista inédita da competição de seu continente.

Além do El-Geish, outras seis equipes africanas já estiveram no Mundial desde suas edições iniciais. Na chave com o atual campeão Sada Cruzeiro, o fortíssimo Zenit Kazan, da Rússia, e o Taichung Bank, do Taipé Chinês, a equipe terá a missão de tentar surpreender os grandes nomes do Mundial e ultrapassar o mais longe que uma agremiação de seu continente já conseguiu ir na competição: o quinto lugar.
 

Taichung Bank

Foto: Divulgação/FIVB

Além do Minas Tênis Clube e do El-Geish, o Taichung Bank também estreia no Mundial de Clubes. A equipe vem do Taipé Chinês, nome usado pela República da China em competições internacionais por questões políticas, e é a única representante do continente asiático propriamente dito.

Essa é a segunda participação de uma equipe do Taipé Chinês no Mundial de Clubes. Em 1991, na edição que aconteceu em São Paulo, o Taiwan Power terminou em quinto lugar. Tendo vencido o campeonato asiático na última temporada, o Taichung Bank chega na competição no grupo dos atuais campeão e vice-campeão do torneio, Sada Cruzeiro e Zenit Kazan, da Rússia, além do El-Geish.