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FC Porto desconta 22% para a derrota

Durante as vinte e três jornadas da Liga Zon Sagres, o actual campeão nacional já perdeu por cinco ocasiões, factura onerosa que já tirou 15 pontos à formação do Porto. Feitas as contas, os «dragões» têm um registo péssimo comparativamente às épocas anteriores, com 22% de derrotas até à ronda presente e um terceiro lugar cada vez mais distante do líder.

FC Porto desconta 22% para a derrota
A factura das derrotas pesa no rendimento geral deste Porto

Vinte e três jornadas, 22% por cento de derrotas na Liga Zon Sagres: este é o registo de pagamentos que o FC Porto tem durante a actual temporada, uma factura pesada que contribuiu fatalmente para a classificação da equipa portista, um desapontante terceiro lugar, a 9 pontos do líder Benfica, que, vantagem que, em caso de vitória na Choupana, poderá estipular-se na dúzia pontual. A derrota de ontem, em Alvalade, foi a quinta desta época, facto que contrasta em larga escala com o rendimento defensivo da equipa azul e branca na edição 2012/2013 da mesma prova: zero derrotas em trinta jogos, solidez global que fez com que o FC Porto ultrapassasse o rival Benfica na recta final da maratona da Liga. Este ano, porém, a derrota tem sido parceira recorrente deste Porto instável e medíocre, já definitivamente afastado da luta pela renovação do título de campeão.

39% de frustrações deduziram 23 pontos 

Feitas as contas, o FC Porto perdeu 23 pontos nestas 23 jornadas, à média de um ponto esbanjado por jornada. No total de partidas efectuadas nesta Liga Zon Sagres, os «dragões» perderam pontos em 39% desse total, numa equação que reúne cinco derrotas e quatro empates. Os azuis começaram por emperrar contra o Estoril (2-2 no Coimbra da Mota), seguindo-se novo empate diante do Belenenses, por 1-1 em reduto adversário, quatros jornadas depois, na nona. O empate voltou a repetir-se logo a seguir, contra o Nacional, 1-1 à décima jornada - seis pontos perdidos no primeiro terço da Liga

A série negra do FC Porto teve o seu corolário à jornada 11, com a primeira derrota no campeonato, aos pés da Académica, em Coimbra, pela vantagem mínima. Sete pontos desbaratados em apenas três partidas. Foram precisas mais quatro jornadas para esperar por novo desaire portista, desta feita na Luz, 2-0 com golos de Rodrigo e Garay. À décima sétima o Porto voltou a ser derrota, nos Barreiros, por 1-0, descolando definitivamente da liderança. A derrota com o Estoril veio apenas confirmar a débil condição da equipa, que se desligava de Paulo Fonseca de modo visível: simultaneamente,os adeptos cortavam com o apoio à formação campeã. O Porto perdia em casa pela primeira vez esta época, com um golo histórico de Evandro que fez com que o Estoril celebrasse pela primeira vez um triunfo em casa do «dragão». A queda de Fonseca estava iminente e foi o empate frente ao Vitória de Guimarães (2-2) que decapitou a liderança do ex-pacense. 

A saída de Paulo Fonseca animou a equipa mas nunca lhe poderia dar, por passos de magia, uma qualidade e consistência estrutural que esta não tivera até então. Luis Castro, promovido a treinador principal da equipa A, venceu as duas primeiras barreiras que tinha pelo caminho (Arouca por 4-1 e Nápoles por 1-0, para a Liga Europa) mas bateu contra a parede em Alvalade: a equipa deparou-se, mais uma vez, com a sua própria falta de estabilidade emocional e deficiente harmonia colectiva em campo. O jogo, equilibrado, merecia mais Porto mas o campeão nacional não tem colectivo para reapoderar-se de si numa fase tão tardia da temporada.

Foi-se o Lucho e com ele a classe

A saída de Lucho, médio capitão e personagem de relevo no plantel portista, está intimamente ligada ao momento de instabilidade que reina no reduto portista. O médio argentino era figura de proa do clube e organizador de jogo único do filão azul e branco, mas acabou por abandonar o Dragão a meio da batalha, rumando às Arábias e deixando o Porto orfão de um pensador tecnicista que orientasse as operações dentro das quatro linhas. A airosa saída acabou por merecer crítitcas de vários adeptos proeminentes do clube, que consideraram o negócio uma péssima jogada, num «timing» ainda pior.

Defesa de vidro estilhaça-se com facilidade

Se tivermos em conta os rendimentos usuais das defensivas portistas (não olvidando, claro, a estrutura global da equipa) verificamos que este ano a defensiva portista é um edifício de vidro pronto a quebrar-se ao mínimo perigo ou abanão. A temporada começou com Mangala e Otamendi no eixo central, mas cedo se percebeu que os mecanismos de zona recuada não estava oleados: Mangala, impetuoso em demasia e infantil em várias abordagens, prejudicou o clube e chegou até a dar de barato um golo, contra o Belenenses, depois de uma inexplicável passividade em plena área. Otamendi também revelou a sua instabilidade exibicional, nomeadamente diante do Nacional, dando a bola directamente ao adversário, erro que custou o golo do empate.

Os casos enumerados são pontuais e meramente individuais, mas a verdade é que são sintoma de um sector defensivo desligado e desprovido de sintonia e confiança. O progressivo afastamento de Otamendi do onze, no final do ano passado, foi o espelho de uma gestão técnica defeituosa que teve repercussões a nível do balneário: o central argentino saiu da equipa titular e deu muitas vezes a vez a Maicon, acabando por sair de modo atribulado, para o Valência. Depois do timoneiro do meio-campo, o líder defensivo saiu também, deixando a equipa mais vulnerável. A indefinição relativamente à continuidade de Fernando foi o golpe final na arquitectura do desastre portista. O próprio «reforço» Abdoulaye, que agarrou a titularidade mal chegou ao Dragão, em Janeiro, ainda não está no patamar exigido, prova disso são as últimas exibições sofríveis, onde se inclui a falha de marcação no golo de Slimani. Ainda assim, pior foi o completo desposicionamento do lateral do corredor em questão, Danilo.