Afinal, sonhar no Bernabéu sempre era possível...

O Sporting acabou por ter o destino reservado a praticamente todos os conjuntos que visitam o Santiago Bernabéu (a derrota), não sem antes ter obrigado o Real Madrid a chegar aos seus limites para operar a reviravolta.

Afinal, sonhar no Bernabéu sempre era possível...
Afinal, sonhar no Bernabéu sempre era possível...


A tarefa, na verdade, não era para qualquer um - abrir a fase de grupos da Liga dos Campeões jogando em casa do campeão europeu, composto por jogadores de nomeada em todas (ou praticamente todas) as posições do terreno, entre eles o melhor futebolista à escala global como Cristiano Ronaldo. No entanto, fora o chavão de que ’todos os jogos começam com 0-0’, o Sporting sabia ter condições para discutir o resultado frente ao Real Madrid, mesmo na situação de visitante, por dispor de argumentos técnicos e tácticos para tal. Embora estivesse, claro, longe de ser favorito.

Nesta noite de Bernabéu o caso não era diferente - entre Cristiano e o Sporting alguém teria de perder o sorriso nos lábios no final do encontro; o que a estrela madeirense e os adeptos do Real provavelmente não esperavam é que seria o leão o primeiro a rir.


O inferno de Madrid 


Após uma primeira parte segura, o Sporting surpreendia o público do Santiago Bernabéu ao adiantar-se no marcador aos através de uma jogada de insistência de Bryan Ruiz sobre a defensiva madrilena com a bola a chegar até Bruno César que atirou de primeira e rasteiro de forma cruzada para o 0-1. 

No ataque do Real desde logo chamava a atenção a presença de Cristiano mas também de craques como Gareth Bale (exibição muito abaixo do que pode, deve e é obrigado a fazer), que ainda há dois meses defrontava… Cristiano Ronaldo e grande parte das estrelas maiores do Sporting no decorrer do Euro 2016, com Portugal, CR7 e toda a ’entourage leonina’ a sair a ganhar. Desta feita, a noite voltou a não correr nada bem ao craque galês que terá tido como melhor acção na partida o momento em que… saiu, para dar lugar a Morata que haveria de ter carácter decisivo no resultado final.

Até ao minuto 75, os verde-e-brancos controlavam o campeão europeu em título comandados por uma defesa intransponível comandada por Sebastián Coates; o grande problema para os verde-e-brancos acabou por ser o mesmo de praticamente todas as que visitam a mítica casa ‘merengue’, que se transforma num ‘inferno’ quando o Real pega no jogo e procura ‘remontadas’ que parecem impossíveis para muitos, mas não impossíveis para o colosso espanhol. E bastaria remontar ao Europeu para recordar o que acontece sempre que Cristiano Ronaldo se moraliza… 

Coates esteve presente em todos os lances de perigo que o Real tentou criar
Coates esteve presente em todos os lances de perigo que o Real tentou criar



Se na conquista do título europeu para a Selecção Nacional chegou a chamar e motivar companheiros para bater grandes penalidades, como o fez com João Moutinho no desempate perante a Polónia, desta feita Cristiano ’liderou as tropas’ especialmente a partir do último terço do encontro, momento em que a pressão começou a tornar-se sufocante e ao minuto 79 Álvaro Morata (a maior ‘cartada’ a sair do banco) chegou mesmo a depositar o esférico nas redes leoninas, mas em fora-de-jogo. Estava dado o primeiro aviso…

 

Segurar o jogo quando todos previam o contrário 


O perigo era latente e regressava apenas 2 minutos depois, com o inevitável Ronaldo a atirar bem direito…ao poste para pouco depois, aos 89, o próprio conquistar uma falta em zona proibida, pelo menos para quem defende perante um jogador da sua qualidade: entrada da área, a uma boa distância da baliza, e encarregou-se de enviar um dos seus bem conhecidos ’tomahawks’ ao canto superior esquerdo da baliza à guarda de Rui Patrício, que aos 90+4 nada poderia fazer para evitar ‘La Remontada’, que não foi a primeira nem certamente será a última na ‘gran casa’ madrilena.

CR7 marcou ao clube que o formou e pediu desculpa aos adeptos
CR7 marcou ao clube que o formou e pediu desculpa aos adeptos



Graças a um cruzamento milimétrico de James Rodríguez para a definição certeira de Morata, o Real alcançou um resultado que frustrará ainda mais os leões, para além da perda da vantagem, mas mesmo pelo facto de ter conseguido segurar o ímpeto de uma das melhores equipas mundiais até ao minuto final do desafio, tendo lutado até ao fim como é hábito e apanágio em Portugal nos últimos anos perante o grande rival Benfica... mas desta feita num palco superior como a Liga milionária.

No entanto, apesar da excelente réplica o leão cai tal como na época passada já havia caído também com reviravolta, feito alcançado pelo CSKA de Moscovo numa 'final' que valia o acesso à Champions. Nesta partida o mediatismo é incomparavelmente maior e confirma-se que sonhar não só é possível como sempre o foi para um leão muito bem ‘arrumado’ tacticamente’, e o que para muitos era milagre esteve a pouco mais de 5 minutos de acontecer.