Rio Ave x Sporting: Leão cai em 'Arcos de Bernabéu'

Uma noite desastrada do Sporting no aspecto defensivo resultou no desaire dos leões em Vila do Conde, perante um Rio Ave que soube tirar partido dessa debilidade de forma suprema.

Rio Ave x Sporting: Leão cai em 'Arcos de Bernabéu'
O Rio Ave festejou 3 tentos frente ao Sporting // Foto: Fábio Poço/global Imagens
Rio Ave
3 1
Sporting

Parecia soar a estranho quando Jorge Jesus afirmava, em conferência de imprensa de antevisão, que o desafio frente ao Rio Ave seria mais difícil do que aquele que o Sporting havia tido ante… o campeão europeu Real Madrid, no mítico Santiago Bernabéu. Concentrando atenções, faz todo o sentido: não sendo o Bernabéu, os Arcos impõem sempre respeito, uma palavra que os leões sabiam não constar das intenções dos vila-condenses - uma equipa que normalmente não se atemoriza no seu reduto, seja contra que adversário for.

Aconselhava-se ao Sporting a valorização do trabalho de uma equipa que já não surpreende pelas excelentes campanhas que tem vindo a realizar, precisamente pela regularidade que vem revelando nesta última década. No entanto, não o fez, começando a ser surpreendido ao minuto 28 num excelente apontamento individual do central Roderick Miranda que, qual extremo, conseguiu ultrapassar três adversários, ganhar a linha e cruzar para que o experiente Tarantini pudesse abrir a contagem.

Horrífica prestação defensiva do Sporting prontamente punida pelo adversário

Uma 1ª parte em que, diga-se, o jovem árbitro João Pinheiro conseguiu conduzir o jogo sem casos, numa exibição muito bem conseguida da arbitragem, sempre tão criticada no futebol português no seu geral (e dentro do qual também se inclui o próprio Sporting e as suas figuras directivas); em campo, o leão não aprendia a sua lição e surgia como a única das três equipas a actuar abaixo do nível que se lhe exige.

O Sporting teve uma exibição muito inferior ao esperado // Foto: dn.pt
O Sporting teve uma exibição muito inferior ao esperado // Foto: dn.pt

Isto porque o Rio Ave continuava a capitalizar o erro sportinguista, certamente para desespero de Jorge Jesus, que assim via bem definido um cenário de derrota que não planeava, apesar das dificuldades que confessou esperar. Face a uma prestação defensiva da sua equipa nada ao nível da enorme ambição e confiante discurso que o técnico deixou evidente ainda na véspera, o conjunto de Vila do Conde chegou mesmo ao 2-0 aos 36', pelo ponta-de-lança Hélder Guedes, que finalizou um lance integralmente construído pela ala direita, servido pelo irreverente Gil Dias.

O que poderia ser entendido como desatenção dos verde-e-brancos poderia começar a ser apelidado de escândalo quando, apenas 7 minutos mais tarde, a equipa da casa alcançou mesmo o terceiro tento, numa inversão de papéis entre Guedes e Gil Dias, com o extremo a ter sido, desta feita, o artilheiro de serviço, após ter dado início à jogada novamente pela ala direita. Assim se chegava ao intervalo com o Sporting a sair derrotado por 0-3 e a não fazer jus a uma velha máxima defendida na modalidade: os jogos não se ganham só pela qualidade, mas também por outros predicados…

Esperava-se reacção leonina após o descanso, mas foi tardia

À entrada para a 2ª parte, faltava ao leão uma alternativa de ataque capaz de acrescentar impacto imediato, como até a meio da época passada havia Fredy Montero. Os instantes finais pareciam colocar Bryan Ruiz nesse papel, ao ter conseguido fazer a bola chegar às redes do Rio Ave aos 48 minutos. No entanto, o lance foi imediatamente invalidado por adiantamento do costa-riquenho, que integrou o encontro logo após o intervalo.

Todavia, demorou a reacção leonina, que apenas chegou aos 81' através de um toque de cabeça de Gelson Martins para o aparecimento de Bas Dost junto à linha de baliza a reduzir a diferença. Ainda assim, beneficia o Rio Ave numa derrota justa do Sporting, tão justa como havia sido, por exemplo, a recente vitória sobre o FC Porto. No fim de contas, a oportunidade de não deixar a partida em branco numa prestação que deixa muito a desejar para um fortíssimo candidato ao título nacional.