Até que ponto protagonismo individual pode levar à glória máxima no basquete?
Michael Jordan, o maior de todos | Foto: Divulgação/Chicago Bulls

Ninguém tem dúvidas de que, ao longo da repleta história do basquetebol norte-americano, duas eras são destacadas com o objetivo de explicar melhor o desenvolvimento e as conquistas de cada franquia. Uma antes de Michael Jordan e outra depois dele. A chegada de Jordan ao Chicago Bulls revolucionou o basquete em vários aspectos. A NBA se tornou uma liga com alcance mundial, os Bulls conquistaram seis títulos, grandeza comercial e financeira e fãs ao redor do mundo por conta do camisa 23.

Várias biografias, séries e documentários tentaram explicar o que acontecia dentro e fora do ambiente do astro da bola laranja. Porém, o mais recente causou enorme repercussão por amigos e rivais de sua época de jogador. The Last Dance (Arremesso Final, em português) é uma minissérie com dez episódios cujo objetivo é cobrir a última temporada de MJ nos Bulls, em 1997-1998, com acesso a vários registros inéditos da época, além de cobrir toda a carreira do astro. Foram entrevistados vários personagens importantes, como Scottie Pippen, Dennis Rodman e Steve Kerr, companheiros no Chicago Bulls, o técnico Phil Jackson, o cantor Justin Timberlake, o ator Jerry Seinfeld e os ex-presidentes dos Estados Unidos Barack Obama e Bill Clinton.

Contudo, a crítica ocorrida após os episódios, as reclamações e indignações de jogadores como Scottie Pippen, Karl Malone e Horace Grant levantaram uma questão muito importante: até que ponto o protagonismo de um jogador pode levar um time a ser campeão? O que ocorre dentro das quadras durante uma partida não pode mexer com os brios de um atleta, aumentar sua motivação e ser um personagem decisivo? Um episódio histórico, principalmente ao esporte brasileiro, pode trazer uma explicação.

Nos Jogos Pan-Americanos de 1987, disputados em Indianápolis/EUA, o basquete do Brasil conquistou expressiva medalha de ouro ao bater os norte-americanos em casa na decisão, com uma vitória por 120 a 115. Mais do que isso. Foi a primeira derrota dos Estados Unidos em casa, a primeira derrota em finais e a primeira vez em que a equipe sofreu mais de 100 pontos diante de sua torcida. O Brasil tinha Oscar Schmidt e Marcel como principais destaques, mas o time como um todo teve seu mérito. Em entrevista concedida ao time da Betway Esportes, casa de apostas online, Guerrinha, ex-armador, atual técnico do Mogi Basquete e integrante daquela delegação, afirmou que os brasileiros usaram tais artifícios para vencerem no Pan.

“Internacionalmente tem provocações sim. A nível de seleção, são culturas diferentes. No Pan-Americano de 1987, Oscar e Marcel desafiavam os jogadores dos Estados Unidos, mais novos e não tinham tanta maturidade. Eles provocavam até pela dificuldade de defesa contra os americanos – fisicamente, eram muito mais poderosos. Oscar e Marcel davam dois ou três passos para trás e provocava para o jogador arremessar. Como a bola não caía, afetava emocionalmente os americanos naquele jogo. Não existe esse tipo de provocação em campeonatos no Brasil, uma vez que todos se conhecem e tem uma cultura latina. Existe o desafio e o contato, não tão amigável, mas esse tipo de provocações dá mais certo na NBA pelo lado americano. Tanto que, quando um jogador faz a enterrada, sai por cima e provoca o adversário. Aqui sai briga”, disse Guerrinha.

Quem também falou sobre esse assunto foi o ala-armador Leandrinho Barbosa. O jogador atuou na NBA entre 2003 e 2016 por Phoenix Suns, Toronto Raptors, Washington Wizards e Golden State Warriors, onde foi campeão em 2015. Durante a fase na Califórnia, Leandrinho jogou com duas das maiores estrelas do basquete na atualidade: Stephen Curry e Klay Thompson. Na mesma entrevista ao site de apostas online Betway, o brasileiro afirmou que ambos são jogadores muito individualistas, mas seus respectivos estilos de jogar basquete contribuíram para o desenvolvimento do grupo. Tal relação positiva no elenco resultou em seis títulos a GSW.

“A liderança pode ser individual ou não. Muitas vezes a gente pensa de modo individual e a individualidade do jogador acaba sendo envolvida entre o grupo. Por exemplo, eu joguei com Curry e Thompson. Os dois são muito individualistas, mas o grupo trabalhava para que eles pudessem ser individualistas e acabou como algo coletivo. Michael Jordan é um cara que não se pode comparar com ninguém. Muito decisivo, gosta muito de desafios, diferenciado. Ele gosta desse jeito de jogar, de fazer as coisas”, explicou Leandrinho.

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