Jogos decididos por mais de 10 pontos: placares dilatados  'escondem' emoção nas finais da NBA

Apesar de serem um indicativo de desiquilíbrio, jogos decididos por dez pontos ou mais não são uma raridade nas finais da liga

Jogos decididos por mais de 10 pontos: placares dilatados  'escondem' emoção nas finais da NBA
Nos seis jogos disputados, Cavs e Warriors marcaram os mesmos 610 pontos. Jogo sete promete ser intenso (Foto: NBA/Reprodução)

Até agora, as finais da NBA da temporada 2015-2016 não tiveram nenhum jogo decidido por menos de dez pontos de margem.  Escrito dessa maneira, parece que as finais não estão equilibradas. É bem verdade que os primeiros jogos da série foram decididos bem antes de terminar. Por outro lado, tanto Golden State Warriors como Cleveland Cavaliers anotaram 610 pontos cada nas finais deste ano. Equilíbrio.

Para efeitos de comparação, as finais do ano passado – que terminaram em 4 a 2 para o Golden State Warriors e nos proporcionaram duas prorrogações – tiveram dois jogos decididos por dez pontos ou mais: os jogos quatro e cinco do ano passado terminaram em 103 a 82 e 104 a 91 para os Warriors.

Nos últimos dez anos foram cinquenta e um jogos de finais na NBA, destes, vinte e três foram definidos por dez pontos ou mais: em 2014, quando o San Antonio Spurs derrotou o Miami Heat em cinco partidas, apenas o jogo dois foi decidido por menos de dez pontos: 98 a 96 e a única vitória do Miami de LeBron James na série.

Mas, o que explica tal desequilíbrio nos placares dos jogos neste ano? Por que o time que bateu o recorde de vitórias do Chicago Bulls de 1996 e o time com a melhor campanha da Conferência Leste permitiram, em suas derrotas, margens tão grandes?

Alguns fatores ajudam a explicar essas diferenças: no primeiro embate – que terminou em 104 a 89 para os Warriors – o banco de reservas dos times foi um fator determinante. Enquanto os suplentes de Oakland anotaram 45 pontos, os reservas de Cleveland marcaram apenas dez. Assim, mesmo com todos os titulares de Golden State abaixo do esperado, os minutos sem os titulares em quadra dilataram o placar em favor do atual campeão da NBA.

Determinante no jogo dois das finais foi mesmo o aproveitamento dos times: Golden State, que venceu e abriu 2 a 0, teve 54,3% de aproveitamento em 81 arremessos. Os Cavs acertaram apenas 35,4% das suas 79 tentativas de cesta.

A diferença no jogo dois também pode ser explicada pela postura apática dos Cavs, que uma simples análise das estatísticas não deixa clara. O time de Ohio teve facilidade para chegar às finais desse ano, perdendo jogos apenas para o Toronto Raptors, nas finais da Conferência Leste.

Apesar do histórico negativo contra os Warriors na temporada regular – perderam todos os jogos – os Cavs não fizeram os ajustes necessários e penaram com um sistema de jogo que não estava à altura de Stephen Curry e companhia.

No jogo três, no entanto, veio a resposta: jogando em casa pela primeira vez na série, Cleveland anulou Draymond Green, que marcou apenas seis pontos. Os Cavs também foram eficientes na marcação contra os Splash Brothers, que, somados, fizeram apenas 29 pontos.

Além disso, LeBron James e companhia pegaram 52 rebotes, contra 32 dos Warriors. O time de Ohio também viu suas estrelas, Kyrie Irving e LeBron James, combinarem para 62 pontos, a maior marca dos dois na série até então.

Decidido por 11 pontos, o jogo quatro foi o mais disputado da série até o momento: Golden State buscava abrir 3 a 1 na série – desvantagem que até hoje nenhum time reverteu – e os Cavs sabiam da importância da partida em termos de moral e para suas pretensões de titulo, que se vier, será inédito.

Nesse jogo, os Splash Brothers foram bem: com 63 pontos e 11 bolas de três, Klay Thompson e Stephen Curry ajudaram os Warriors a vencer o Cavaliers na Quicken Loans Arena, complicando as coisas para o time de Ohio. Os Cavs, por outro lado, conseguiram apenas seis bolas de três no jogo. O que foi uma marca do time nos playoffs não estava mais ajudando.

Para explicar a margem no jogo cinco é possível apenas citar dois nomes: LeBron James e Kyrie Irving. Com 82 pontos combinados – 41 de cada um – os astros dos Cavs foram os primeiros companheiros de equipe a marcarem quarenta ou mais pontos na história das finais.

O quinto jogo também manteve uma escrita interessante: a média de pontos de LeBron James quando encara um jogo de possível eliminação é a maior da história, superando os 32 pontos por jogo. O desempenho extraordinário de James e Irving ofuscou uma partida de 62 pontos dos Splash Brothers.

No mais recente encontro entre as equipes o baixíssimo aproveitamento dos Warriors no primeiro quarto e a vantagem estabelecida logo cedo pelos Cavs ajudam a explicar a diferença. Com apenas onze pontos nos primeiros doze minutos de jogo, o time de Oakland teve o pior desempenho da temporada num primeiro quarto.

Por outro lado os Cavaliers contaram, mais uma vez, com um LeBron James inspirado: menos egoísta e mais agressivo em relação à cesta, o camisa 23 de Cleveland fez os companheiros jogarem, distribuiu tocos e deu enterradas para manter a intensidade do time nas alturas.

Esse jogo contou ainda com uma peculiaridade: Stephen Curry foi expulso da partida com seis faltas. Foi a primeira vez desde 2001 que um jogador saiu de quadra por esse motivo durante as finais.

Mesmo que os placares possam passar outra impressão, os jogos das finais da NBA deste ano estão, sim, emocionantes, especialmente os últimos. Vale lembrar que, desde 2006, essa será apenas a terceira série de finais a ter um jogo sete.

Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers buscam a mesma coisa: o título. Mas, mais do que isso, buscam escrever o nome dos times na história: os Warriors seriam campeões e coroariam a temporada com mais vitórias na história da liga. Os Cavaliers, por outro lado, seriam o primeiro time da NBA a reverter uma série de 3 a 1 nas finais e dariam o primeiro título de basquete profissional à cidade. Antes mesmo de começar esse jogo já é histórico.