Santa Cruz do Sul vive momento histórico com passagem da Tocha Olímpica

Cidade gaúcha, que já revelou grandes atletas, recebeu chama sob emoção de condutores e alegria dos moradores

Santa Cruz do Sul vive momento histórico com passagem da Tocha Olímpica
Tocha percorreu cinco quilômetros pelas principais ruas da cidade. (Foto: André Mourão / Divulgação / Rio 2016)

O município de Santa Cruz do Sul (RS), viveu na tarde desta terça-feira (5), um momento, talvez, único. A chama olímpica, que já passou por 200 cidades brasileiras, percorreu as principais ruas do município, localizado na região central do estado do Rio Grande do Sul. Foram 25 pessoas, entre atletas e membros da comunidade e de cidades vizinhas, que tiveram a honra de conduzir o maior símbolo do esporte.

Por volta de 14h20, a cidade parou para ver a tocha passar. O município, que já revelou grandes nomes do esporte brasileiro, foi escolhido depois de três visitas secretas do Comitê Olímpico. A beleza da cidade, a receptividade do povo e os pontos turísticos foram determinantes para a escolha.

Quem iniciou o revezamento foi a patinadora Roberta Etges, de 15 anos, que percorreu, com a tocha nas mãos, duzentos metros. “É o melhor dia da minha vida”, destaca ela. Ela aproveitou o momento para falar do esporte que ela pratica. “Ainda falta patrocínio para a patinação artística se destacar em nosso país”, completa. 

Roberta, foi a primeira a conduzir a Tocha em Santa Cruz do Sul
Roberta, foi a primeira a conduzir a Tocha em Santa Cruz do Sul. (Foto: Bruno Pedry/Gazeta do Sul)

Nomes famosos do esporte e que já disputaram as Olimpíadas também tiveram a oportunidade de conduzir a chama. Rogério Klafke, 45 anos, defendeu a seleção brasileira de basquete de 1992 a 2002. Com a camisa brasileira, participou de três mundiais e a Olimpíada de Atlanta, em 1996. Ele conquistou um ouro no Pan de Winnipeg, em 1999, e um vice-campeonato mundial.

Rogério Klafke, defendeu a seleção brasileira de basquete. (Foto: André Mourão/Rio 2016)
Rogério Klafke, defendeu a seleção brasileira de basquete. (Foto: André Mourão/Rio 2016)

Natália Scherer Eidt, 30 anos, começou aos cinco anos na ginástica rítmica e com 14 já era atleta olímpica. Participou dos jogos de Sidney em 2000. Antes, em 1999, conquistou um ouro no Pan de Winnipeg. Uma lesão, aos 18 anos, tirou a atleta de competições, mas ela não deixou o esporte. Natália possui um projeto, em Santa Cruz, para crianças carentes e estuda educação física na Universidade de São Paulo (USP).

Natália, disputou os jogos Olímpicos de 2000. (
Natália, disputou os jogos Olímpicos de 2000. (Foto: Andre Luiz Mello/Rio 2016)

Quem poderia disputar as Olímpiadas do Rio era Fabiano Peçanha. Ao tentar o índice no Troféu Brasil, no mês passado, ele acabou sofrendo uma lesão na panturrilha. O atleta, que já disputou duas Olimpíadas, acabou ficando fora dos jogos do Rio e também anunciou sua aposentadoria. “Semana passada anunciei minha aposentadoria das pistas, e poder carregar a Tocha Olímpica, em minha cidade, é como um coroamento de 24 anos de dedicação ao esporte”, destacou ele.

Com mais de 350 títulos, ele foi semifinalista nos 800 metros rasos nos Jogos Olímpicos de Pequim (2008) e Londres (2012). Além disso, conquistou a medalha de bronze no Pan-Americano de Santo Domingo, na República Dominicana e, mais tarde, repetiu o feito no Pan do Rio de Janeiro.  Ele foi o último a carregar a chama na cidade e fechou, emocionado, a passagem da Tocha no solo santa-cruzense.

Peçanha, teve que abandonar a carreira no Atletismo por conta de uma lesão, dias antes da disputa dos jogos do Rio. (Foto: Andre Luiz Mello/Rio 2016)
Peçanha, teve que abandonar a carreira no Atletismo por conta de uma lesão, dias antes da disputa dos
jogos do Rio. (Foto: Andre Luiz Mello/Rio 2016)

Mas não foram só atletas que participaram do revezamento. Quem também conduziu a Tocha Olímpica foi o candelariense Maurício Scota. A sua história de superação encantou um dos patrocinadores.

Depois de sofrer um acidente de carro, ele acabou tendo que amputar a perna esquerda. Foi na natação que ele encontrou a chance de recomeçar a vida e não se abalar com o acontecido. “Foi um momento único na minha vida, passou um filme na minha cabeça. Foi muito emocionante”, relatou o paratleta, que sonha em disputar uma paralimpíada.

Maurício Scota, se emocionou ao receber a Tocha (Fotos:Tiago Mairo Garcia /Folha de Candelária)
Maurício Scota, se emocionou ao receber a Tocha (Fotos:Tiago Mairo Garcia /Folha de Candelária)

A Tocha Olímpica agora vai seguir seu percurso por algumas cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, até o dia 4 de agosto, dia que antecede a abertura oficial dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.