CRÍTICA: The Get Down é a personificação dos anos 70 na periferia americana

A nova série da Netflix aposta na direção de arte e em muito hip hop para envolver o espectador

CRÍTICA: The Get Down é a personificação dos anos 70 na periferia americana
(FOTO: Divulgação/Netflix)

Depois de nos levar de volta aos anos 80 com Stranger Things, a Netflix volta mais ainda no tempo, nos trazendo The Get Down. E chegou a hora de saber os acertos e erros dessa nova produção original.

A série é situada em Nova York na década de 70 e acompanha a vida de um grupo de adolescentes que buscam conseguir seu espaço no hip hop. Sem apoio, eles tentam de forma independente montar sua estrutura e alcançar o sucesso.

Um dos pontos mais fortes da série é a direção de arte, retrata perfeitamente as condições de um distrito predominantemente negro e a beira de uma crise econômica. Uma juventude marginalizada, pixações e grafites em toda parte, figurino impecável, os penteados da época, tudo muito bem colocado nos seus lugares. A fotografia granulada e em tom de sépia, mas sem abandonar as cores fortes, só ajudam a construir esse ambiente.

A trilha sonora é sensacional. Como é uma série falando de hip hop, se as músicas não funcionassem a série fracassaria, mas felizmente não foi o caso e a trilha também nos envolve para aquele universo. A ótima montagem ajuda muito pra isso, pois há trechos onde acontecem misturas de músicas, E se a edição fosse ruim isso seria uma bagunça, mas está tudo bem encaixadinho.

Os personagens são bons, alguns parecem ser estereotipados demais, mas quando a gente para pra analisar, vê que naquela época eram comportamentos comuns. Como por exemplo o pastor totalmente conservador que proíbe a filha até de cantar músicas de fora da igreja ou o político que tenta se aproveitar de situações para benefícios próprios. A gente acaba comprando a ideia.

O problema maior é que temos muitos atores fracos na série que não conseguem prender o espectador, e tem bons atores que não conseguem ter destaque, como o Giancarlo Esposito, consagrado como Gus Fring em Breaking Bad, aqui ele passa totalmente batido. Quem conseguem ir bem são Herizen F. GuardiolaJustice SmithZabryna Guevara e Jimmy Smits. Mas nenhum desses com brilho suficiente pra se destacar.

A direção tem seus erros e acertos, o ritmo da série é muito bom, em momento nenhum se torna cansativo ou corrido demais, mas tem um problema de tom. Apesar de ser um drama, a série tem várias cenas cômicas. O problema é que menos da metade do humor da série funciona. Outro problema é de arcos inacabados, o final não foi bem um final, a gente fica no aguardo das próximas temporadas para descobrir se vão retomar os plots.

The Get Down tem seus defeitos, mas é extremamente bem ambientada e obrigatória pros fãs de hip hop.

NOTA: 7.5

Confira o trailer de The Get Down, todos os episódios estão disponíveis na Netflix: