CRÍTICA: Luke Cage é uma série de gângsters disfarçada de super-herói

Mesmo não sendo a melhor produção entre Marvel e Netflix, a série é uma ótima ponte pro universo dos defensores

CRÍTICA: Luke Cage é uma série de gângsters disfarçada de super-herói
(FOTO: Reprodução/Netflix)

Se você viu as séries em parceria da Marvel com a Netflix, Daredevil e Jessica Jones, com certeza não via a hora de chegar Luke Cage. E chegou a vez do personagem que já tinha sido apresentado em Jessica Jones retornar para sua própria série.

Mas não se enganem, Luke Cage não é uma série de super-herói, podemos dizer que é uma série de máfia/policial disfarçada. Afinal a série não gira em torno do protagonista, mas sim o protagonista que se desenvolve de acordo com a trama.

Pra quem não conhece, Luke Cage é um personagem da Marvel que possui super força e pele impenetrável, adquirido depois de um experimento na prisão ter dado errado. Anteriormente chamado de Carl Lucas, usa seus poderes pra fugir da prisão e muda seu nome pra dificultar ser encontrado. Até que surge seu amigo de infância Willy Stryker, disposto a fazer de tudo pra acabar com a vida de Luke devido a desentendimentos passados.

A série tem acertos e erros, a ambientação e a trilha sonora são os principais pontos fortes aqui. A reprodução da cultura negra é muito bem retratada, além de a série explorar em como os negros são tratados pela polícia. A fotografia continua com cores mortas, muitas cenas noturnas, mas aqui com o tom amarelado predominando. As músicas com jazz, hip hop, soul e outros estilos predominantemente da cultura negra também estão aqui e dão um show a parte.

Infelizmente a série peca muito em seu ritmo, 13 episódios acabaram sendo demais e é visível que ela se arrasta em muitos momentos, chegando a ser cansativa de maratonar. Poderia ter uns 3 ou 4 episódios a menos sem perder nenhum conteúdo. Os vilões são pouco ameaçadores, o que deixa tudo ainda menos interessante. 

As atuações também tem altos e baixos. Mike Colter funciona como Luke, um galã "porradeiro" e solitário, além de ser muito parecido com o personagem dos quadrinhos, mas quando o personagem precisa de um arco mais dramático o ator fica devendo, falta expressão. Mas felizmente temos a maravilhosa Rosario Dawson, como Claire Temple, que já deu as caras em Daredevil e Jessica Jones. Ela chama o protagonismo em muitos momentos e é responsável pelos melhores diálogos da série, além de ter uma química muito boa com o Mike. Alfre Woodard e Simone Missick também estão muito bem aqui. Já o Mahershala Ali, que apesar de ser muito bom ator, não me convenceu nessa série. A brasileira Sônia Braga ainda faz uma pequena participação como mãe da Claire.

Luke Cage é uma série abaixo de suas anfitriãs, mas mesmo com seus problemas, é uma ótima ponte pro universo dos defensores e faz boas críticas sociais disfarçada de série de super-herói.

NOTA: 7.8