CRÍTICA: Black Mirror 03x02 - Playtest

Playtest nos alerta sobre os perigos sobre encontrar o limite entre o real e o virtual

CRÍTICA: Black Mirror 03x02 - Playtest
Cooper tendo seu primeiro contado com o mundo virtual (FOTO: Reprodução/Netflix)

Hoje em dia os games estão cada vez mais reais, há até uma tecnologia de realidade virtual incrível, que nos transporta para aquele universo. Mas isso ainda pode avançar mais? Será que chegará um momento em que a gente não vai conseguir distinguir o que é real e o que é virtual? Esse episódio toca justamente nesse ponto.

Cooper (Wyatt Russel) é um americano que viaja a passeio para a Austrália, até que percebe que seu cartão está sem saldo suficiente pra comprar a passagem de volta e opta por encontrar um trabalho temporário em um aplicativo para conseguir o dinheiro e voltar pra casa. Esse trabalho consiste em fazer testes de uma nova tecnologia de realidade virtual.

No começo é tudo muito lindo e revolucionário, lembra um pouco o anime Sword Art Online, só que com suas peculiaridades. O Cooper testa um jogo simples de início, até que é oferecida uma experiência num jogo de survival horror e ele ganharia ainda mais dinheiro com isso. Ele aceita, sob as condições de que nada no mundo virtual poderia ter contado com ele, tudo o que aparecesse ali seriam reproduções de sua própria consciência.

Mas estamos falando de Black Mirror, sempre tem uma mensagem por trás sobre os perigos da tecnologia. Aos poucos o personagem vai se envolvendo ainda mais com o game, sendo um ambiente tão bem feito que fica difícil distinguir da realidade. Nosso conceito de realidade é tudo aquilo que a gente acredita, mas e se a pessoa passar a acreditar que vive naquele mundo? Como ela vai sair?

Confira também a crítica do episódio 03x01

Mais uma vez, a série dá um  show tecnicamente. Temos aqui um episódio bem mais colorido que o anterior, a ambientação da empresa de games é incrível, e a fotografia muda de tom quando vai para o game de survival horror, a série ganha um tom de terror, com cores mais mortas. A trilha sonora não é tão intensa quanto no episódio anterior, mas ainda assim é boa. O CGI é outro ponto positivo, com aspectos de games mesmo.

Na parte de terror, eu achei que poderia ter um pouco mais de tensão. Há momentos muito bons, mas a série não consegue criar a atmosfera necessária e os dois jump scares não funcionaram, pelo menos comigo. Ainda assim, é explorado um horror psicológico que nos faz levar ao trabalho de atuação.

Wyatt Russel nos entrega muito bem um personagem "engraçadão", que faz piadinhas com tudo e enxerga tudo como uma aventura, e faz a transição pra um personagem perturbado e perdido, totalmente insano. Wunmi Mosaku faz a Katie, a personagem responsável por guiar o Cooper em seu teste. Ela também tá incrível, toda a passividade ameaçadora que ela tem. Deixa o espectador sem saber bem de qual lado ela está. Hannah John-KamenElizabeth Moynihan também estão ótimas aqui, a segunda mesmo aparecendo pouco tem uma pequena participação genial.

No geral, é um episódio menos intenso que o anterior, mas que se mantém no alto nível e que cumpre bem o seu papel de alertar sobre as novas tecnologias.

NOTA: 8.1