CRÍTICA: Black Mirror 03x06 - Hated in the Nation

A distribuição de ódio gratuito na internet aparece como tema de forma assustadora pra fechar a temporada

CRÍTICA: Black Mirror 03x06 - Hated in the Nation
(FOTO: Reprodução/Netflix)

As redes sociais estão infestadas de ódio, e esse episódio mostra de forma assustadora o que todo esse ódio é capaz de causar pra fechar a temporada em grande estilo.

O episódio começa mostrando uma jornalista que é completamente massacrada na internet por uma matéria que não agradou ao público em questão, chegando a receber ameaças de morte com a hashtag #DeathTo (#MorteA) e seu nome, até que ela aparece morta com o pescoço cortado. Karin Parke (Kelly MacDonald) e Chloe Perine (Faye Marsay) começam uma investigação para saber as causas da morte, até que outra pessoa que vem sendo atacada nas redes com a mesma hashtag é morta. A causa da morte é identificada, umas abelhas robôs de inteligência artificial, que funcionam como drones naquele universo, de alguma forma foram alteradas para "satisfazer" o desejo dos internautas e entram dentro do corpo da pessoa.

Temos aqui um terror psicológico com tom mais investigativo, mas Black Mirror não perde seu estilo de nos surpreender da forma mais cruel possível. É o episódio mais longo, com 1h30 de duração, e ele acaba se tornando um pouco cansativo por ser repetitivo demais em alguns pontos. Mas em compensação, somos recompensados com plot twists sensacionais.

É fácil se identificar com o episódio. Na internet muita gente fala o que pensa, coisas que não tem coragem de dizer pessoalmente. Parece que através de uma tela, não teremos consequências das ações que tomamos, é isso que torna o episódio assustadoramente real.

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Tecnicamente, como sempre, Black Mirror dá show, tanto na fotografia, como na triha sonora, e aqui até mesmo nos efeitos visuais. O momento investigativo funciona, mesmo repetitivo, consegue criar a tensão necessária pra prender o espectador.

O episódio não tem como ponto forte as atuações, mas Kelly MacDonald e Faye Marsay estão muito bem aqui. Duncan Paul tem pouco tempo em cena e praticamente nem tem diálogos. Mas faz um belo trabalho facial. Os demais cumprem seu papel sem brilho, mas longe de serem ruins.

Mesmo com problemas pra achar seu ritmo, Hated in the Nation é o episódio mais imersivo da temporada. Isso com certeza vai fazer com que mexa com o público mais do que os outros, e é um ótimo encerramento pra uma brilhante temporada.

NOTA: 8.4