CRÍTICA - Death Note

O Ryuk funciona. É isso.

CRÍTICA - Death Note
(Foto divulgação: Netflix)

Não é incomum adaptações para o cinema não serem satisfatórias para quem espera muito delas. Mas isso não isenta a adaptação de ser boa por si só, mesmo que seja algo distante do esperado. Um bom exemplo disso é Constantine (2005). Para quem já leu as páginas de Hellblazer, sabe que o filme passou longe de ser uma adaptação fiel, no entanto, se manteve como um ótimo filme. Logo, existem três casos para desfechos de adaptações cinematográficas. O caso "Constantine" é um exemplo, o segundo. O primeiro é quando existem mudanças necessárias ou cabíveis e a obra é adaptada de uma forma positiva, como O Senhor dos Anéis (Trilogia, 2001-2003) ou Dredd (2012). O terceiro e enfadonho caso é o de Dragon Ball Evolution (2009) que é uma péssima adaptação e de "bônus" entrega também um péssimo filme por si só. Death Note está nesse terceiro caso, para desespero dos fãs e tristeza de quem gosta de bons filmes em geral. 

O Death Note tem boas filmagens, a forma como a câmera flutua e faz diagonais por cenas de consequências dos protagonistas é algo bom para ressaltar. Ryuk (Dafoe), um personagem de computação gráfica em boa parte, também pode ser apontado como elemento positivo no longa. Esse deus da morte sádico, desafiador e incontestável é o ser mais empático do filme. Pronto. Essas duas coisas são boas.

Um roteiro recheado de desculpas para que atos futuros se desenrolem, mas quando a base são meramente desculpas, não há como existir compromisso do espectador com as razões que passam pela telona. Muito menos se importar com personagens que pouco fazem sentido. O filme se torna apenas algo que passa por você, e você é apenas alguém que fica assistindo para constatar algo que sua mente já deduzia. Um final digno da obra até ali, um final igualmente ruim. Um protagonista que não é brilhante, embora o filme tente impregnar o espectador com essa certeza. Um romance antagônico que é criado sem aparente razão, e termina tão pobre em profundidade e veracidade quanto se iniciou. Um herói investigador que usa da falta de noção do roteiro para apontar suas epifanias e surtos de magnânima inteligência. 

Além de ter tudo isso errado, não conseguindo enganar nem fãs da saga Crepúsculo com as explicações que surgem para o salto dos atos do longa, ainda é um fiasco de adaptação. Light e L são gladiadores do intelecto na obra original, existe um jogo de mentes que dá prazer de acompanhar. Aqui, isso gera vergonha alheia. Pelo menos Ryuk sai se divertindo. 

NOTA 0 à 5: 2