CRÍTICA - Thor: Ragnarok

Engraçado. Destoante. Válido.

CRÍTICA - Thor: Ragnarok
Foto: Divulgação/ Disney

Terceiro e conclusivo filme da franquia do deus do trovão asgardiano. Diferente do que muitos esperavam, ou desejavam, o Diretor Taika Waititi (Moana 2016) fez de Thor: Ragnarok uma aventura cômica sem vergonha de o ser. Trazendo seu maior talento, a comédia, Waititi conta boas piadas no longa e um tom aventuresco de divertimento inteligente. Isso não descaracteriza drasticamente momentos de drama como relação entre pais e filhos, luto e peso da liderança, mas tende a descaracterizar o próprio protagonista. Odinson, mais conhecido pelos mortais como "Thor" (Hemsworth), embora sempre tenha tido suas pontadas de comicidade, nesse terceiro longa é redefinido de uma forma abrupta demais. Com direito a monólogo engraçadinho e gritinho de moça assustada. Engraçado? Talvez. Funcional para a maioria, mas desagradável aos fãs mais hardcore de Thor, os leitores de HQs. Parte da postura e impressões do filho de Odin são meramente esquecidas quanto aos dois filmes anteriores.

Mesmo assim, a premissa segue competente. Hulk (Ruffalo) é sucesso na certa, ainda mais aqui. Permanecendo por um bom tempo de tela como o gigante esmeralda, transparece o interessante conflito entre homem e monstro, além de imprimir mais da personalidade Hulk, e não só expressá-la em pancadaria. E que pancadaria! O tão esperado embate entre o asgardiano e o verdão é certamente de muito bom gosto. Deixando você com um tempo para pensar em quem realmente é “o Vingador mais forte” (piada corriqueira no longa) depois do mano a mano. 

Outra grande vitória para o filme é Hela, a deusa da morte asgardiana. Aqui reinventada, mas trazendo elementos das histórias em quadrinhos. Cate Blanchett se faz belíssima e incrível no papel, um ponto positivo por si só no filme. O que já não se pode dizer talvez, de Loki (Hiddleston) cuja fórmula de vilão malandrinho já se esgota. Muitos podem inclusive, já não torcer pelo carismático deus da trapaça, querendo que ele se safe ao fim de tudo.

Infelizmente, muitos personagens icônicos perecem e alguns erroneamente desaparecem. Como o caso de Lady Sif que nem mesmo é mencionada. Se morre, ninguém sabe. Uma falta de cuidado que tira certo impacto de toda a trilogia. Jaimie Alexander, atriz que encarna a deusa Sif alegou que foi chamada em cima da hora pela Marvel Studios, e não conseguiu intercalar com sua agenda. Mas até a Dra. Foster (Portman) foi citada. Uma pena este desencontro, quem saiu perdendo foi o fã. Em todo caso, Heimdall (Elba) é brilhante como sempre!

Thor: Ragnarok é otimista, certamente engraçado, com boa aventura A La Marvel. Mas claramente forçado para se encaixar com Guardiões da Galáxia em Vingadores: Guerra Infinita. Um choque de estilo difícil de engolir, a não ser que você desconsidere os dois filmes anteriores.