CRÍTICA - Bright

Fantasia e trama policial de muita personalidade.

CRÍTICA - Bright
Foto: Divulgação/ Netflix

Uma dica antes de tudo! Quando iniciar Bright, é concentração total na introdução visual do longa. Ela relata tanto fatos ancestrais daquela versão do nosso mundo quanto ambienta bem a sociedade atual, seus monopólios e deficiências. Nomes como "Jirak" e "Senhor da Trevas" serão mais que necessários para que você se entretenha com a trama e cenário, além da ação e fantasia. Aviso dado. 

Conhecemos Ward (Smith), policial patrulheiro que recentemente sofrera um ataque de um orc nas ruas, enquanto usava o distintivo. Junto dele, Jacoby (Edgerton) o parceiro de viatura que está sob suspeita de ter facilitado a fuga de quem alvejou seu parceiro humano. Afinal de contas, Jacoby é orc e os clãs estão acima de tudo. Algo que Jacoby tenta provar sempre que pode tomando por base o contrário. Ele tem como vocação a farda, antes mesmo da raça. 

Isso reflete o preconceito, as deficiências sociais e a disparidade de poder, riqueza e dignidade entre as raças que vivem em uma mesma sociedade. Elfos tem o mundo nos bolsos, humanos são como "pombo", estão em toda parte se adaptando a tudo e todos, vivendo nessa "meiuca". Orcs estão na base da pirâmide e na margem social, estigmatizados por uma escolha ruim em tempos ancestrais, como um todo, como raça. O diretor David Eyer (Esquadrão Suicida, 2016) faz bonito e cria um mudo que tem muito o que ser explorado, e o pouco que mostra é cativante e criativo. Centauros, fadas e até algo parecido com um dragão pode ser observado no filme, além de magos é claro. É aí que o problema começa.

O termo "Bright" diz respeito à um usuário natural de magia que é capaz de usar uma varinha mágica, artefato arcano que sintetiza a vontade do mago em catástrofes ou prodígios. Ward e Jacoby atendem uma chamada que torna seu turno de patrulha um pandemônio. Nesse momento conhecem Tikka (Fry), uma elfa que protege uma varinha de uma Bright homicida com um plano perigoso. O filme trás essa história usando contexto social mesclado na fantasia para abordar os problemas reais de nosso mundo. Preconceito racial, população contra as forças policiais, disparidade de padrões de vida. 

Ponto forte é encontrado na maquiagem das raças, especialmente nos orcs. As expressões de Jacoby conquista o espectador, sem falar no carisma do personagem. A ação é boa, com destaque para o confronto que envolve um carro em espaço apertado. Aludindo a competente presença dos vilões, que realmente são eficazes ao fazer outros lhes temer. Atuações niveladas, competentes entre a dupla de policiais. Existe química ali.

Bright é um filme de dupla policial com mundo fantástico ao redor. Não espere um Senhor dos Anéis, não se trata de uma viagem pelo mundo do longa. É uma fuga alucinada que encaixa como pode fatos, lendas e consequências de sua ambientação. Sua temática certamente bebe da fonte de Shadowrun, cenário de RPG de mesa com adaptação para games, mas a abordagem é o que dá identidade própria ao filme. E isso ele tem de sobra.