Do caos à luta pela glória máxima: mudanças pontuais que elevaram patamar do Philadelphia Eagles

Após imensa frustração com alto investimento e esperança depositados em Chip Kelly e seus companheiros de trabalho, reformulação em toda a comissão técnica e movimentação para obtenção de jogadores colocaram Eagles no topo da NFC

Do caos à luta pela glória máxima: mudanças pontuais que elevaram patamar do Philadelphia Eagles
Foto: Al Bello/Getty Images

Não se discute a tradição, a importância para o futebol americano e a paixão dos torcedores do Philadelphia Eagles. São esses aspectos que deixam a franquia como uma das mais singulares na NFL. Após anos de péssimo desempenho e escolhas ruins, houve a reviravolta. Surpreendente pela rapidez, mas incontestável pelas atuações, principalmente na temporada regular. Neste domingo (4), a equipe da Pensilvânia busca o primeiro título do Super Bowl diante do New England Patriots, no U. S. Bank Stadium, em Minnesota.

Para chegar nesse ponto, a diretoria provou os dois lados de uma mesma situação, corriqueira entre todas as equipes: a de planejar, contratar e formar um grupo. O investimento foi feito, as esperanças foram depositadas, mas não foram correspondidas. Até que todo o planejamento precisou ser refeito para sair da pasmaceira e, desta vez, acertaram nas escolhas. Abaixo, relembre como os Eagles saíram do fracasso ao topo em cinco anos.

Foto: Jeff Zelevansky/Getty  Images

2013: início da era Chip Kelly e surgimento de Nick Foles

Em 16 de janeiro de 2013, a diretoria dos Eagles anunciou a contratação de Chip Kelly como técnico. Kelly veio da Universidade de Oregon e tinha a missão de substituir Andy Reid, com um desempenho 4-12 na temporada regular anterior. Conhecido pela velocidade na linha ofensiva, a esperança era de um ataque voador com a aquisição de Chip e a definição de Michael Vick como quarterback.

As primeiras impressões foram boas e surpreendentes. Após quatro jogos e campanha de uma vitória e três derrotas, Vick se machucou e perdeu a temporada. Nick Foles começou a entrar em ação e escrever seu nome na história do futebol americano. Com um desempenho ruim até o momento e a perda do principal jogador da equipe por lesão, a descrença voltou a cercar o ambiente, mas Foles mudou o panorama. Ao fim da temporada regular, 10-6 e a conquista do sétimo título de divisão em 13 temporadas.

Não houve sucesso nos playoffs, mas os números de Foles impressionaram e deram uma visão mais otimista. Foram 27 passes para touchdown e apenas duas interceptações. Destes, sete foram em um único jogo, diante do Oakland Raiders. Além disso, Nick Foles terminou com rating de 119.0, o terceiro maior da história da NFL. Ao todo, foram 51 TDs, o melhor desempenho desde 1948.

Foto: Rob Carr/Getty Images

2014-15: lesão de Foles, trocas discutíveis e fim de era

Apesar de não ter conquistado títulos maiores, a temporada de 2014 tinha a expectativa de ser bem mais animadora na Filadélfia. E, diferentemente dos anos anteriores, os primeiros jogos foram agradáveis, com desempenho notável e mais escritas anotadas na história da franquia e da Liga. Nos três primeiros jogos, três vitórias de virada após perderem em algum momento dos jogos por mais de dez pontos, e tudo parecia bem encaminhado, com um desempenho de seis vitórias e duas derrotas na primeira metade da temporada.

Mas tudo mudou quando um fantasma assombrou novamente: a lesão do quarterback. A fratura na clavícula encerrou precocemente a temporada de Nick Foles e Mark Sánchez foi o substituto. Diferente do ano anterior, quando o time soube se reerguer, a temporada foi de queda livre. Os Eagles lideraram a divisão leste da Conferência Nacional por 15 semanas, mas foram derrotados pelo Washington Redskins na última rodada e foram eliminados dos playoffs.

Chip Kelly recebeu total autonomia da direção para realizar as mudanças no elenco que fossem convenientes. Um atleta com as melhores estatísticas da história do time, LeSean McCoy foi trocado por Kiko Alonso. Trent Cole também foi dispensado, além de Nick Foles ser trocado por Sam Bradford. As contratações mais elogiadas foram Byron Maxwell e DeMarco Murray. Mas a relação já estava desgastada e os resultados negativos adquiridos. Não restou alternativas a não ser a demissão no fim de 2015.

Foto: Mitchell Leff/Getty Images

2016: recomeço e escolhas acertadas

Coordenador ofensivo do Kansas City Chiefs, Doug Pederson foi contratado para mudar o panorama de fracassos e frustrações. Comissão técnica reformulada e diretoria souberam trabalhar bem de maneira conjunta para recrutar as peças necessárias para dar o gás necessário à franquia. Byron Maxwell, Kiko Alonso, Sam Bradford e escolhas em várias rodadas do Draft foram negociados com Miami Dolphins, Cleveland Browns e Minnesota Vikings.

Para dar novos rumos, o quarterback Carson Wentz foi selecionado na segunda escolha do Draft, oriundo da Universidade de Dakota do Norte. A aquisição trouxe resultados positivos: bom início e três vitórias nas três primeiras partidas. Foram cinco touchdowns, nenhuma interceptação e média de 255 jardas por jogo. Mas tudo ficou complicado com a suspensão de dez partidas do LT Lane Johnson. Sem contar com um dos principais jogadores da equipe, os números foram por água abaixo, derrotas duras aconteceram e o time encerrou a temporada regular com campanha negativa.

Foto: Icon Sportswire/Getty Images

Mais relacionado com o elenco, várias trocas foram feitas. Saíram alguns jogadores utilizados com Chip Kelly – Ryan Mathews, Matt Tobin, Allen Barbre, Jordan Mathews e Marcus Smith II – e chegaram atletas que estavam disponíveis no mercado, o que resultou em gastos controlados nas negociações. Chegaram para o ataque Alshon Jeffery, Torrey Smith e LeGarrette Blount, além de jogadores experientes na defesa, a exemplo de Patrick Robinson, Chris Long, Corey Graham, Tim Jerningan e Ronald Darby. Além disso, contratações feitas durante a temporada acrescentaram qualidade e eficiência ao elenco. Jay Ajayi, Will Beatty e Dannell Ellerbe reforçaram a franquia.

O time mais uma vez sofreu com a sina de ter um quarterback lesionado durante a temporada regular. Carson Wentz sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior no joelho e Nick Foles voltou à titularidade depois de anos com a missão de manter o nível elevado das atuações em busca do título. Cercado de desconfiança, o desempenho inicial não foi o mesmo de Wentz, mas o suficiente para o melhor time da temporada regular ser o campeão da Conferência Nacional e estar a um passo da maior glória de sua longa história.