Tom Brady x linha defensiva, conceito 'Rub' e força de corrida: os matchups do Super Bowl LII

Estratégias, estudos, conceitos e formas de batê-los... Existem diversos aspectos que encantam o futebol americano e, no jogo deste domingo, alguns matchups estarão com os holofotes quando eles se apresentarem

Tom Brady x linha defensiva, conceito 'Rub' e força de corrida: os matchups do Super Bowl LII
Tom Brady x linha defensiva, conceito 'Rub' e força de corrida: os matchups do Super Bowl LII

Quando New England Patriots e Philadelphia Eagles entrarem em campo neste domingo (4) pelo Super Bowl LII, um grande número de aspectos do jogo estará junto aos jogadores no gramado. Estratégia, concentração, foco, reconhecimento de jogadas, eficiência. Esses são apenas algumas das características que envolvem uma partida de futebol americano, principalmente uma da magnitude que é a grande decisão. Esses tipos de embates costumam ser decididos no detalhe, seja num erro de chamada quando se tem a bola na linha de meia jarda para vencer o jogo ou no relaxamento do grupo como um todo por achar que já está ganho.

Na 52ª edição do SB isso não será diferente. Quando os ataques e defesas dos dois times estiverem em campo, alguns desses aspectos aparecerão com mais clareza. Principalmente qunado serão aliados à alguns matchups que se distribuirão pelo campo. Algumas dessas comparações e disputas serão discutidas neste texto de maneira breve, mas você pode se aprofundar em algumas delas em outros especiais feitos pela VAVEL Brasil para a cobertura do Super Bowl LII. 

Quando os Patriots estiverem com a bola

- Tom Brady vs. Pass Rush de Philadelphia

Se os quatro jogadores da linha defensiva de Jacksonville deram problemas para Brady, os de Philadelphia não ficarão muito para trás. Se a semelhança entre elas é que ambas trazem pressão para o QB levando apenas os quatro da DL, a diferença é que os Eagles mixam mais e levam mais blitzes - embora não tanto mais. Por ter uma secundária tão boa, com All-Pros distribuídos pelo campo, os Jaguars se sentem na confiança de enviar apenas quatro para o encontro do lançador. Eagles também tem uma boa secundária, mas as blitzes serão fundamentais para ajudar na contenção e progresso de ataque que o time de Belichick tem. 

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Do outro lado da bola, será extremamente importante que o próprio Brady reconheça quando há ou não essas blitzes. Mas, com quase 20 anos de NFL, ele vai saber reconhecê-las. Nessa partida, os checkdowns e passes curtos serão cada vez mais fundamentais para que NE consiga progredir no gramado. As ameaças deep, com Cooks principalmente, podem acontecer eventualmente em uma proteção sofisticada da linha ofensiva dos Pats. 

- Ataque de New England vs. Cobertura homem-a-homem de Philadelphia

Durante a temporada, os Eagles se mostraram eficientes nos dois lados da bola. Com Carson Wentz liderando o ataque, a equipe avançava bastante em campo, deixando a defesa nas sidelines, descansando. Quando esta, por sua vez, entrava em ação, a confiança na linha defensiva e as boas coberturas da secundária dava conta do recado. O problema é que, nas muitas investidas em coberturas homem-a-homem, alguns times descobriram como derrotar Philadelphia. 

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Essa dupla tem o histórico ao seu favor quando o assunto é eficiência e poucos erros (Foto: Adam Glanzman / Getty Images)
Essa dupla tem o histórico ao seu favor quando o assunto é eficiência e poucos erros (Foto: Adam Glanzman / Getty Images)

Foi assim com Seattle Seahawks, que abusou dos Rub Concepts. Esse conceito de ataque consiste em duas rotas opostas de um mesmo lado do campo, ou seja, se um atleta corre para uma rota à esquerda, o jogador alinhado à sua esquerda fará uma rota à direita. Isso acaba atrasando os defensores, que se encontram no meio do caminho de cruzamento entre as rotas, o que acaba deixando alguém livre. Simples. Seattle venceu assim e o desorganizado Giants quase triunfou. Isso quebra a defesa man covereage do time de Doug Pederson e Bill Belichick certamente não deixará passar como Mike Zimmer e Dan Quinn deixaram nos playoffs. 

- Recebedores de New England vs. Defensive Backs de Philadelphia

Brandin Cooks, Rob Gronkowski e Danny Amendola contra Ronald Darby, Patrick Johnson e Jalen Mills. Que grande matchup! Se já foi interessante ver o corpo de recebedores dos Patriots enfrentar os defensores dos Jaguars, na grande final será igualmente legal de se assistir e analisar como ambos os lados se portarão. Um deep threat (ameaça em profundidade), um grande e forte Tight End e um dos melhores slot receivers da liga contra um CB que se agigantou em defender Julio Jones e os recebedores dos Vikings, um grande slot defender e um corner que concedeu nove touchdowns durante a temporada regular, o maior na posição.

Ficou bem claro que a parte fraca dos DBs dos Eagles está em Jalen Mills nas considerações acima. Ele joga na parte direita do ataque, diferente de Cooks, que se apresenta geralmente do lado esquerdo. A comissão técnica dos Patriots podem jogar o ex-Saints para o lado de Mills, buscando explorar essa fraqueza na secundária do time de Philly. Quando isso acontecer, uma ajuda do safety será exigida, podendo deixar uma parte do meio livre para Gronk interagir. Essa parte vai ser interessantíssima de se ver. 

Quando os Eagles estiverem com a bola 

- Jogo corrido de Philadelphia vs. defesa dos Patriots

Jay Ajayi e LeGarrette Blount têm sido muito importantes para que o ataque dos Eagles possa funcionar. Se quando Wentz estava jogando a ideia era fazer a defesa adivinhar o tipo de jogada por ter os jogos aéreos e terrestres fortes, a força que a dupla de HB trouxe nas últimas semanas com Foles mantém essa característica de deixar que os defensores tentem acertar qual será a chamada, mas agora sob a ideia de que o jogo pelo chão é bem mais forte do que outrora.

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O camisa 9 se beneficiou disso contra a melhor defesa da liga no NFC Championship Game, podendo lançar múltiplos passes longos e touchdowns. A diferença agora é que o outro lado tem o possível melhor técnico de todos os tempos, que sempre procura estar um passo à frente dos oponentes. Para essa final, estudos de filmes e possibilidade de jogadas serão essenciais para tentar parar esse Run-Pass-Option de Philadelphia.

- Nick Foles e a incógnita na posição de QB

Se de um lado temos um consagrado Quarterback com a bola nas mãos, que não treme sob pressão - aliás, adora quando está com ela - e sequer sente mais negativamente a atmosfera de um jogo dessa magnitude, do outro temos Nick Foles, um jogador que, embora já tenha tido uma ótima temporada em sua carreira, com o ratio de 27 touchdowns para 2 interceptações, deixa uma incógnita no ar sobre sua performance. 

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Diversificação de jogadas será o diferencial para o ataque de Philadelphia (Foto: Al Bello / Getty Images)
Diversificação de jogadas será o diferencial para o ataque de Philadelphia (Foto: Al Bello / Getty Images)

O camisa 9 dos Eagles entrou para o lugar de Carson Wentz, o possível Franchise QB que a franquia buscava desde Donovan McNabb. Depois da contusão que terminou a temporada do camisa 11, Foles entrou e apresentou confiança nas muitas mudanças de conceitos que o ataque de Doug Pederson apresenta jogo após jogo. Ele se beneficiou demais desse esquema no jogo frente o Vikings, onde foi possível lançar para 352 jardas, 3 touchdowns e um Rating de 141.4. Se o HC dos Eagles quiser manter Brady fora do campo, precisará jogar semelhante como fez contra Minnesota. 

- Nelson Agholor vs. Eric Rowe

Jogo corrido e posição de QB dissecados, falta apenas falar dos recebedores. Torrey Smith e Alshon Jeffery serão, certamente, bem marcados por Malcolm Butler e Stephon Gilmore, mas um terceiro nome pode ter vida facilitada nesse Super Bowl. Nelson Agholor, o slot receiver dos Eagles, será marcado por Eric Rowe, e esse tem sofrido bastante nas últimas semanas, especialmente nos playoffs. Ele concedeu dez recepções nos últimos dois jogos, mais do que outro slot receiver, enquanto que o recebedor, na temporada regular, correu mais de 400 rotas e anotou oito TDs partindo de dentro da formação. 

É claro que as estatísticas favorecem Nelson na disputa direta. Mas não podemos esquecer do Super Bowl XLIX, quando Malcolm Butler errou repetições nos treinamentos e ninguém colocava confiança no então slot defender. Todos nós sabemos o desfecho daquele SB, com a interceptação salvadora na endzone para dar o quarto título da franquia. Por estar em New England e com grandes técnicos ao seu redor, talvez Rowe se sobressaia e, quem sabe, passe a ser o herói.