O resgate do catalão
Ele sempre foi tratado como futuro craque. Na base do Barcelona, ganhava títulos, era elogiado por todos, e não havia quem não esperasse um futuro brilhante para o atacante. Ao todo, anotou mais de 800 gols pelas categorias de base do clube espanhol, onde chegou bem jovem.
 
Por pura coincidência, todos poderiam achar que estamos falando de Lionel Messi, o argentino que hoje brilha nos gramados, é três vezes o melhor jogador do mundo, e comparado com Pelé e Maradora. Mas, na verdade, as características nos levam ao espanhol Bojan Krkic, 22 anos. Todas essas referências tornaram Bojan uma da maiores promessas recentes não só da Catalunha, mas também de todo o mundo. Sendo o jogador mais jovem a marcar pelo Barcelona - tinha apenas 17 anos e 53 dias quando fez seu primeiro gol, em 2007, contra o Villarreal -, a expectativa em Bojan era grande.
 
O tempo passou. O atacante não marcou muitos gols pelo clube catalão, e não foi 10% daquilo que se esperava dele. O Barcelona cansou de esperar, e vendeu o jogador para a Roma. Após uma temporada mediana, com apenas sete gols em mais de trinta jogos, o clube da capital emprestou o jogador ao Milan. A essa altura, cinco anos depois de ter estreado como profissional, poucos davam algo por Bojan Krkic. Com o rótulo de eterna promessa praticamente estampado em seu rosto, Bojan não encantava mais, e seu nome era visto como uma aposta de risco.
 
No fraco Milan de 2012/2013, quem dá as cartas é Stephan El Shaarawy. O atacante, com 11 gols na temporada, é o grande destaque do rossonero, mesmo na fraca campanha do clube de Milão. Outro que normalmente atua é o experiente Gianpaolo Pazzini, renomado atacante e uma grande esperança de dias melhores para o Milan, mas vai disputando posição com Pato. Então, como Bojan poderia ter espaço? 
 
O espanhol, ao chegar da Roma, não despertava grandes amores na torcida. Aos poucos, porém, o jogador vai mostrando que, enfim, pode se firmar em algum lugar. Nessa temporada, Massimiliano Allegri vem testando vários esquemas, e, até agora, o que mais o agradou foi o popular 4-2-3-1, apesar de o seu favorito ainda ser o 4-3-1-2, com um apenas um meia, fazendo papel de trequartista.
 
Em ambas as tentativas, Bojan foi o que se saiu melhor até então, mas onde não estava acostumado a jogar. Como a concorrência para o ataque era grande, o espanhol começou a ser usado no meio campo. Com Kevin Prince Boateng atravessando péssima fase, o jovem catalão mostrou seu melhor futebol atuando por ali. Bojan vai, então, convencendo torcedores e especialistas - e, aos poucos, o técnico Allegri. Fazendo um trio com Shaarawy e Pazzini, pode ser uma solução para o Milan sair da situação que se encontra. 
 
De partida em partida, o jogador vai mostrando que pode ser importante. O que precisa, no entanto, é continuar nesse nível até o fim da temporada, quando o Milan pode ou não exercer a opção de compra que tem sobre o atleta - o passe do espanhol junto a Roma está fixado em 15 milhões de euros. Uma possível transferência definitiva, caso Bojan mantenha suas atuações, pode ser uma grande jogada para o Milan, dada a qualidade do jogador (com apenas 22 anos, ainda há espaço para melhoria) e os custos excessivos de atacantes e meias no mercado.
 
Em poucas palavras, Bojan vem se destacando. Mesmo sem marcar gols - tem apenas um tento anotado na temporada -, o jogador encontrou uma nova função, e seu futuro, ao menos em Milão, parece ser por ali, no meio-campo. 
 
Que Bojan provavelmente nunca será o que todos esperávamos, isso todos nós sabemos. Mas também não é possível descartar o jogador. Mesmo no decadente Milan, basta uma sequência de jogos, sem as estranhas mudanças rotineiras de Allegri, para que Bojan Krkic prove para todos que, enfim, alcançou a grande fase da jovem carreira.
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