O fator Barcelona: goleada sofrida pode recolocar o Milan na realidade
El Shaarawy sofre contra o Barça: impiedosos 4x0 lembram que o time não é tudo isso (Foto: Lluis Gene/AFP)

Era o melhor momento da temporada. Dez partidas sem derrota na Serie A, uma ascenção incrível após um início de temporada devastador. Duas semanas antes, uma vitória por 2 a 0 sob o poderoso Barcelona no San Siro, o que colocou o clube espanhol, tido como melhor do mundo, em um, talvez, princípio de crise. O Milan estava no céu.

Veio o jogo de volta, na Espanha. O que se viu foi um impiedoso Barcelona que, cansado de perder como não perdia há anos, aplicou uma sonora goleada de 4 a 0. O calvário rossonero começou ali. O time que havia aberto dois gols no jogo de ida conseguiu ser desclassificado. Apesar do fraco elenco, havia esperança de que o time conseguiria algo na temporada, mesmo acordando tarde. 

A derrota do Milan, na verdade, começou na sexta-feira passada. Jogando contra o Genoa pela Serie A, Massimiliano Allegri colocou em campo seu trio de avantes titulares: El Shaarawy, Pazzini e Niang. O ideal era que Balotelli, que não pode atuar na Champions League, estivesse em campo, mas o camisa 45 estava se recuperando de lesão, e começou no banco. Assim, Allegri forçou seus principais atacantes, em especial o italiano Giampaolo Pazzini, que vinha em pesada sequência de jogos. Resultado: o camisa 11 sofreu uma lesão, e teve de sair de campo ainda na primeira etapa. Exames posteriores confirmaram que o Milan não teria Pazzo contra o Barça - não tendo, assim, um centro-avante de ofício em campo.

Acostumado a jogar com um atacante fixo na área - seja Pazzini ou Balotelli -, o Milan se perdeu na Espanha. O time jogou com um volante de marcação a mais (Flamini), e a dupla de jovens na frente, com Niang tentando ficar mais centralizado. Precisando de um gol para forçar o Barça a fazer quatro, isso ajudou a matar o rossonero. Não que adiante por agora, mas teria Pazzini perdido o gol que Niang perdeu, na cara de Valdés, quando o confronto ainda estava em aberto?

Allegri também pecou na escalação. Deixou Mattia De Sciglio, um dos grandes destaques da equipe na temporada, esquentando o banco, enquanto Abate e Consant cuidavam das laterais. O direito não vive boa fase, enquanto o esquerdo está improvisado no setor - e falhou bastante na partida, apesar da aceitável temporada. De Sciglio joga, e bem, nas duas. A escolha de Flamini também foi questionável, mas Allegri continou com seu padrão de simplesmente não ter padrão: deixou no banco o ganês Muntari, autor do segundo gol no primeiro confronto.

Agora foi. A derrota até era esperada, mas não estava nos planos. O psicológico do Milan, que estava totalmente em alta, praticamente não existe mais. Mas, por incrível que pareça, a derrota pode ter sido, de certa forma, benéfica para o rossonero. O Milan terá mais dez confrontos pela frente na Serie A, para garantir sua vaga na próxima Champions League. Assim, poderá continuar seu processo de renovação, que por enquanto vem dando certo.

Hoje, importantes jogadores da equipe não passam dos 23 anos:  Balotelli, Shaarawy, De Sciglio. Niang, que por várias vezes está no time titular, também. Para a temporada que vem, podem ser incorporados ao elenco atletas que podem dar frutos em breve, que se descatam na base ou estão emprestados, como Cristante, Salamon, Albertazzi e Valoti. Paloschi, que faz boa Serie A pelo Chievo, tem sua volta ao Milan bem vista pela direção rossonera. Para quem até pouco tempo atrás tinha um elenco com média próxima dos 30 anos, é uma grande melhora. 

Uma classificação sobre o Barça poderia colocar o Milan praticamente acima do céu. Num nível que a diretoria pudesse achar que estava bom do jeito que está. E é longe disso. Berlusconi ainda não deu grandes reforços ao time depois das saída de estrelas e ídolos, no fim da temporada passada. Lutou e trouxe Balotelli por uma grande quantia - e só investiu tanto porque sabia do amor do atacante pelo rossonero.

A sonora goleada não tira o Milan do bom momento da Serie A, mas lembra aos torcedores e diretores de que o time não é bom. Reforços para a zaga são extremamente necessários, e o meio-campo não rende como na última temporada. Hoje, Berlusconi e Galliani torcem para o Milan conquistar a vaga na Champions (o que parece provável). Se fosse longe na competição continental, o elenco seria apenas mantido, com algumas peças a mais. Agora, todos voltam a ver o que é necessário.

A grande sequência no Campeonato Italiano continua. O Milan recebe nessa rodada o Palermo, lanterna da competição, e que estreará o quinto treinador diferente só nessa temporada. Vai ganhar e vai firme para ficar entre os três primeiros. E só.

Uma temporada sem título algum, sem nenhuma disputa com a Juventus pelo posto de líder do Calcio. Mas que (re) coloca o Milan nos trilhos da renovação proposta por Galliani. E que, ao andar da carruagem na Serie A, só tem a dar certo a partir da próxima temporada.

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