Carta Aberta a Robin van Persie

Venho a você como amante do futebol, mas, acima de tudo, como torcedor do Arsenal. Gostaria de lhe parabenizar pelo título inglês que conquistou com o Manchester United. Agora sim a saída do Arsenal valeu a pena, né? Afinal, apesar do salário milionário que pediu e das propostas recusadas por serem menos vantajosas financeiramente, tudo o que você queria era um troféu, e agora o conseguiu. Parabéns.

Domingo irei ao Emirates. É dia de clássico contra o United. Será sua volta ao Emirates, que foi sua casa por oito anos e 132 gols. Volta que tinha tudo para ser triunfal. Faria até um cartaz com as palavras: “Welcome home Robin” (Bem-vindo a sua casa Robin), e o faria com o maior prazer, afinal temporada passada foi você que me fez sorrir. Ia ao Emirates, sofria com o Arsenal, mas sabia que o time contava com você, no final acabava sorrindo, você só dava alegria. Camisa 10. Capitão. Artilheiro. Craque da Premier League. Mereceu cada uma dessas honrarias.

Vibrei diversas vezes com seus gols, e como você fez gols. Foram 30 só no último Inglês. Não me recordo de todos, é claro, mas três deles jamais esquecerei. Foram contra o Chelsea, hat-trick que nos levou a vitória. E que jogo foi aquele, chorei de alegria. Você era o Arsenal, você era nosso deus, você era nosso herói. Para lhe homenagear fizemos uma faixa dizendo que não precisávamos do Batman, tínhamos o Robin, e ele bastava.

Graças a você, ficamos em quarto lugar no Inglês. Graças a você, fomos pra Champions League. Graças a você, o Arsenal era respeitado. Graças a você, aquele Arsenal era o Arsenal. E que temporada foi aquela. Pena que acabou, e, com ela, nossa relação. Você decidiu nos trocar, justo pelo United.

O único jogador capaz de representar a grandeza do Arsenal decidira jogar no rival. O jogador que tinha tudo para ter seu nome ovacionado para sempre no Emirates, para todo o sempre. Tudo o que precisava fazer era ficar em casa, ficar no Arsenal, jogar no Emirates ou trocar de país. Na Inglaterra não poderia jogar em outro clube. Não suportaria vê-lo vestir azul, muito menos vê-lo usando um vermelho que não fosse o nosso.

Mas você nos trocou pelo United. A que preço? Um pedaço de metal trabalhado? Ser campeão qualquer perna de pau consegue, a cada ano milhares de jogadores são campeões pelo mundo todo, mas apenas alguns são ídolos em clubes de massa, em clubes mundiais. E você era um desses, e simplesmente jogou fora seus oito anos por um pouco mais de dinheiro e um troféu.

A única pergunta que me resta a você é: por que você não pôde ser como Gerrard, Lampard, Totti, e tantos outros que jogam por amor a camisa, que passam a vida toda no mesmo clube, independente de títulos, de dinheiro? Por quê? Você poderia seguir o exemplo de Henry, Adams, e tantos outros que, no calor do momento, não me recordo, que são ídolos eternos, não por terem jogado a vida toda aqui, mas por não terem nos trocados por rivais, por terem nos honrado.

Você poderia ter tido sua estátua junto à deles, junto à de Henry, Chapman, Adams e, futuramente, Bergkamp. Seria eternizado no Emirates, seria para sempre um Gunner, mas não quis. Você tinha que ir pro United, justo para eles. Por quê? Por quê?

Bom, acho que já começo a me descontrolar, o que significa de que é hora de parar.

Termino minha carta retomando o que me motivou a escrever, parabéns de novo pelo título. Espero que tenha valido a pena para você, espero que o troféu compense a idolatria que perdeu. E venho desde já lhe pedir só mais uma coisa, uma coisa simples, leia essa carta daqui a uns vinte anos e, se ainda tiver valido a pena trocar de clube, pode jogá-la fora e sentir-se desculpado por mim.

Ass.: Um torcedor do Arsenal.

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