Especial Jupp Heynckes: a trajetória do melhor técnico do mundo em 2013
Jupp Heynckes e sua carreira vitoriosa como jogador e técnico (Arte: Rafael Mateus/VAVEL Brasil)

Especial Jupp Heynckes: a trajetória do melhor técnico do mundo em 2013

Como derrotas e vitórias ajudaram a moldar o homem que se tornou um dos grandes ícones da história do futebol alemão

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Rafael Mateus

Final da tarde e início da noite em Mönchengladbach, o sol ainda presente ilumina os passos do homem nascido naquela cidade da região oeste da Alemanha, próxima da fronteira com a Holanda. Ao andar pelo Borussia-Park, reconhece o clube, suas cores, seus torcedores e todos os demais elementos que fazem com que ele o chame de “mein Verein“, ou “meu clube“ em alemão. Treinador da equipe visitante, ainda assim recebe homenagens de uma torcida que não parecia ser sua adversária. O motivo era o fato de ser o seu último jogo como treinador na Bundesliga antes de sua aposentadoria.

Apenas um aspecto não é familiar ao seu olhar: o campo de jogo. Após a partida, disse em entrevista: “Foi um momento emocionante para mim. Eu comecei minha carreira no Gladbach. Certamente seria mais emotivo se acontecesse em Bökelberg, o velho estádio do clube. Associo muitos triunfos, duras derrotas e algumas curiosidades com isso". Ao citar o Bökelbergstadion, antigo estádio do Borussia, Heynckes certamente lembrou como grandes jogos disputados nele ainda estão presentes em sua memória.

Homenagens da torcida do Borussia Mönchengladbach para Jupp Heynckes (Foto: Marius Becker)

Nessa entrevista não foram marcantes apenas suas palavras, mas também suas lágrimas. Após a vitória do Bayern de Munique por 4 a 3 contra o Gladbach – que coroaria o título da temporada 2012-2013 da Bundesliga –  as lágrimas do comandante bávaro colocaram em dúvida a tese corrente de que alemães seriam frios, racionais e contrários a manifestações públicas passionais: “Este é um momento emocionante para mim..." repetia o emocionado Jupp. "Gostaria de agradecer aos torcedores do Borussia de coração, pelo conto de fadas maravilhoso. Isso mostra que aqui é minha casa” concluiu.

Em meio aos aplausos de jornalistas, havia ali um momento de consagração, ainda que a histórica Tríplice Coroa dos bávaros de 2013 apenas se concretizasse algumas semanas depois. Assim, para entendermos esse momento é necessário retroceder, percorrer a trajetória e principalmente compreender como vitórias e derrotas ajudaram a forjar o ícone do futebol alemão que Heynckes viria a ser.

Choro de Heynckes durante a entrevista coletiva após o jogo contra o Borussia Mönchengladbach (Foto: Eurosport)


Josef Heynckes nasceu em Mönchengladbach um dia depois do fim da guerra em 1945. Era um dos dez filhos de uma família humilde, e desde cedo trabalhou para ajudar nas despesas. Costumava ir às casas dos clientes de sua mãe fazer a cobrança do que era devido. Ela era dona de uma Tante-Emma-Laden, espécie de pequena mercearia típica na Alemanha e Suíça. Ia de casa em casa utilizando o poder de persuasão que mais tarde seria útil para transmitir funções aos seus comandados no campo de futebol. Aos domingos recolhia bolas num clube de tênis: “Por um dia inteiro eu ganhava cinco marcos alemães” revelou num encontro com torcedores em Prittriching.

Um dos divertimentos que mais apreciava era ir ao cinema, contudo nem sempre sua condição financeira permitia isso. Certo dia Heynckes não conseguiu ver o filme que gostaria: “Tinha um marco, no entanto o filme custava um marco e dez centavos. Por dez centavos eu não podia ver o filme. Eu disse a mim mesmo: “Chegará o dia quando eu terei dinheiro suficiente." Essa obstinação presente já quando era criança permitiria no futuro superar as adversidades que viriam depois de duras derrotas no campo.

Evidentemente que o maior prazer do jovem Heynckes era jogar futebol, ainda que durante o inverno também praticasse hóquei. Ao responder para Der Spiegel sobre o que pensava quando chorou na entrevista após a partida contra o Gladbach, revelou seu ídolo na infância: “Tinha imagens de síntese na minha cabeça. Eu me vi mais uma vez no pátio, chutando bolas contra a parede até que minha mãe veio até a janela e gritou: "Lá vai você bater bola de novo!" Lembrei-me também Herbert Zimmermann (comentarista) chamando a final da Copa do Mundo em 1954, que eu animadamente ouvia no rádio. Meu herói na época não era Helmut Rahn ou Fritz Walter, mas o húngaro Ferenc Puskás, que, mais tarde, foi para o Real Madrid. Pensei no menino que sonhava em um dia se tornar um jogador de futebol famoso”.

Nas palavras do célebre pensador alemão Goethe: “Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor”. O menino se tornaria mais tarde um jogador conhecido, assim como seu ídolo Puskás. Heynckes iniciou a carreira na base do Gladbach e, ainda na adolescência, no ano de 1965, já jogava pelo time de sua cidade no Campeonato Alemão. Rapidamente foi reconhecida sua capacidade técnica e apontado como um atacante veloz e eficaz. Dois anos depois foi convocado e fez sua estréia internacional jogando pela seleção da Alemanha Ocidental. Nesse jogo marcou o terceiro gol da vitória alemã por 5 a 1 sobre o Marrocos.

Jupp Heynckes atuando pelo Borussia Mönchengladbach durante a temporada 1965/1966 (Foto: Imago Sportfotodienst)

Em seguida, entre 1967 e 1970, numa transferência no valor de 275 mil marcos alemães (até então um recorde para a época), atuou pelo time do Hannover 96. Embora tenha sido uma contratação badalada, teve passagem discreta, não tendo o mesmo sucesso que desfrutava com a camisa do Gladbach. Esse foi o principal fator que fez com que Heynckes retornasse à sua equipe de origem. Foi uma decisão que se mostrou correta, pois na década de 1970 ele acabou por fazer parte de um dos principais times da história do futebol alemão.

Heynckes quando atuou pelo Hannover 96 (Foto: Imago Sportfotodienst)

Provavelmente o principal artífice do time que o Gladbach viria a ser foi o técnico Hennes Weisweiler. Ele foi o responsável por dar a primeira oportunidade a Heynckes no time profissional e foi o treinador do acesso à divisão principal no ano 1965. Além de Heynckes, Weisweiler se notabilizou por aproveitar jovens talentos do Gladbach no time profissional, entre os quais: Berti Vogts, Herbert Wimmer e Günter Netzer.

Após temporadas discretas no final da década de 1960, o clube iniciou a temporada 1969-1970 com grandes objetivos. A equipe se destacava pela maneira de jogar ofensiva, além de possuir defensores e jogadores de criação com grande capacidade técnica. De imediato, tanto Heynckes como Netzer passaram a ostentar o caráter de estrelas e eram nomes frequentes nas convocações para a seleção alemã. O trabalho se mostrou bem sucedido, e resultou no primeiro título do Campeonato Alemão da história do Borussia na temporada 1969-1970. Assim, junto com o Bayern de Munique, o Borussia Mönchengladbach fez parte de uma década que se revelaria gloriosa para o futebol alemão.

Weisweiler e o elenco do Borussia Mönchengladbach comemorando o título da temporada 1970-1971 (Foto: Imago Sportfotodienst)

Günter Netzer ao lado de Jupp Heynckes: duas estrelas do Gladbach (Foto: dpa Picture-Alliance)

Heynckes era treinado no Gladbach num regime de trabalho desenvolvido por Hennes Weisweiler que procurava conciliar disciplina dentro e fora de campo. A meta era manter os jovens, que compunham a maioria no elenco, com foco no trabalho a curto, médio e longo prazos. Para o jornal Die Welt, Netzer mencionou o importante papel que Weisweiler desempenhou na formação dos jogadores do Gladbach daquela geração: “Ele (Weisweiler) teve uma grande influência sobre o nosso desenvolvimento. No entanto, rapidamente percebeu que havia personagens da equipe que já pensavam como um treinador, especialmente Heynckes e Berti Vogts, eu acho“. Fato é que, além de Heynckes e Vogts (técnico campeão com Alemanha na Eurocopa de 1996), outros jogadores comandados por Weisweiler viriam a se tornar treinadores, tais como: Rainer Bonhof, Allan Simonsen e Uli Stielike.

Weisweiler durante o treinamento do Borussia Mönchengladbach no ano de 1975 (Foto: Reprodução/NDR)

Posteriormente, seguindo os mesmos preceitos de Weisweiler, se tornaria célebre a reputação de Heynckes como um ferrenho defensor da disciplina no futebol. Em de dezembro de 1994, torcedores do Eintracht Frankfurt, incluindo o ex-ministro das Relações Exteriores da Alemanha Joschka Fischer, ficaram irritados pelo então técnico da equipe Jupp Heynckes ter afastado os jogadores Anthony Yeboah, Jay Jay Okocha e Maurizio Gaudino. “Os três não tinham vontade de treinar. Se eu deixar os jogadores de futebol profissional agirem assim, então é o fim para mim como treinador“, disse Heynckes em entrevista para Der Spiegel.

Sob o comando de Weisweiler, Heynckes venceu com o Gladbach três vezes o Campeonato Alemão (1969-1970, 1970-1971 e 1974-1975), uma Copa da Alemanha (1972-1973) e uma Copa da UEFA (1974-1975). Weisweiler deixou o comando do Borussia Mönchengladbach para treinar o Barcelona no ano de 1975, sendo substituído por Udo Lattek que havia ganho a Copa dos Campeões da Europa (atual UEFA Champions League) na temporada 1973-1974 comandando o Bayern de Munique.

Heynckes posando com a salva de prata da Bundesliga e com o troféu da Copa da UEFA em 1975 (Foto: Imago Sportfotodienst)

Treinado por Lattek, um Heynckes já no final de sua carreira ainda celebrou a importante conquista do bicampeonato alemão nas temporadas de 1975-1976 e 1976-1977. Antes, pela seleção alemã, Heynckes fez parte do grupo que conquistou a Eurocopa de 1972 e a Copa do Mundo de 1974. No ano de 1977 Heynckes encerrou a carreira com um saldo altamente positivo, não apenas pelos títulos conquistados, mas também pelos números expressivos alcançados.

Alemanha campeã do mundo em 1974: Heynckes está embaixo, o primeiro da esquerda para direita (Foto: Bongarts/Getty)

Heynckes e Lattek celebrando a conquista da Bundesliga em 1976 (Foto: Imago Sportfotodienst)

Até hoje, Jupp é um dos maiores artilheiros da Bundesliga com 220 gols feitos em 369 jogos. Pelo Borussia Mönchengladbach, foi artilheiro das temporadas 1973-1974 (30 gols marcados) e 1974-1975 (27 gols marcados). Não bastasse isso, foi um dos personagens mais importantes da histórica conquista da Copa da UEFA de 1975, quando na final marcou três dos cinco gols na goleada de 5 a 1 sobre o Twente.

Heynckes com o troféu de artilheiro da Bundesliga em 1975 (Foto: Imago Sportfotodienst)

Iniciou sua carreira como treinador, como não poderia deixar de ser, pelo Borussia Mönchengladbach no ano de 1979. Aos 34 anos de idade, ele se tornaria o treinador mais jovem do Campeonato Alemão. Assim como Weisweiler, logo demonstrou sua propensão não apenas pela disciplina, mas também por trabalhar com jovens talentos. Foi com essa característica que reconheceu o talento e promoveu para a equipe principal o então jovem Lothar Matthäus com 19 anos. Seu engajamento com o clube foi tão longe que ele queria pagar 50 mil marcos alemães do seu próprio bolso para manter o jogador em 1984, e assim impedir a transferência do craque para o Bayern de Munique: "Ele realmente tentou de tudo, mas eu não podia recusar a oferta de Munique" revelou Matthäus.

Heynckes e Matthäus em 1981 (Foto: Imago Sportfotodienst)

A decepção pela perda do jogador para os bávaros não se compara à dura derrota que viria na temporada seguinte: "Foi o pior momento da minha carreira", relembrou Heynckes, que tinha 40 anos na época. Heynckes se refere ao confronto contra o Real Madrid em 1985, quando, como treinador do Borussia Mönchengladbach, foi eliminado da Copa UEFA, ao perder por 4 a 0 em Madrid depois de ter ganho na Alemanha por 5 a 1. “Não queria mais ser treinador. Devíamos ter ganho a primeira partida por 7 a 1, mas um jogador - que não quero revelar o nome - apareceu duas vezes sozinho diante do goleiro e não quis tocar para o lado, para um companheiro de time marcar. Depois, perdemos por 4 a 0 em Madrid e fomos eliminados. Foi então que pensei: "Agora, você desiste de ser treinador" relembrou.

 

Da mesma forma que o garoto Josef não se abateu, mesmo sendo impedido de ver o filme que queria pela falta de dez centavos, o agora treinador Heynckes não desistiu e permaneceu no comando da equipe. Nem poderia desistir, pois "Jupp Heynckes é um maníaco de futebol. Ele sempre foi", como salienta o ex-companheiro de equipe Netzer. Ainda assim, na década de 1980 o momento era outro e o Gladbach não possuía condições de disputar títulos frequentemente como o fez na década anterior. Problemas financeiros e escasso patrocínio fizeram com que o período de maior sucesso de Heynckes como treinador do clube fosse de 1984 até 1987, quando conquistou um honroso terceiro lugar na Bundesliga.

As boas campanhas comandando um time com muitas limitações levaram ao convite do Bayern para que Heynckes se tornasse o novo treinador do clube para a temporada 1987-1988. Aceitou a proposta, e assim daria início a primeira das três passagens que teria como treinador do Gigante da Baviera. No comando dos bávaros, ganhou dois dos quatro campeonatos alemães que disputou (temporadas de 1988-1989 e 1989-1990), sendo demitido posteriormente. Alguns anos depois, Uli Hoeness, dirigente do clube, mencionou que demitir Heynckes naquela época foi "a pior decisão" de sua carreira. Hoeness e Heynckes criaram uma grande amizade, que resultaria no retorno do técnico ao Bayern anos mais tarde.

Jupp Heynckes e Egon Coordes (assistente técnico) comemorando o titulo do Bayern em 1989 (Foto: Associated Press)

Antes de voltar à Baviera e se consagrar no ano de 2013, procurou por desafios profissionais no exterior durante a década de 1990. Inicialmente trabalhou no Athletic Bilbao, antes de voltar por um breve período ao futebol alemão no Eintracht Frankfurt. Retornou à Espanha para treinar o Tenerife, e por fim chegou ao Real Madrid. Foi apenas uma temporada na equipe da madridista (1997-1998), mas sem dúvida marcante. Após mais de três décadas sem conquistar a maior competição européia de clubes, sob o comando de Heynckes, o Real Madrid se tornou campeão da UEFA Champions League. Contudo, um modesto quarto lugar na Liga espanhola fez com que não permanecesse na temporada seguinte.

Heynckes e Manuel Sanchís celebrando a conquista da UEFA Champions League em 1998 (Foto: EPA)

Na curta passagem pelo Benfica entre 1999 e 2000 demonstrou sua forte personalidade. Quando questionado sobre as atuações da equipe, não hesitou em dizer após uma derrota para o Estrela da Amadora: “Se querem que eu vá embora, eu vou já amanhã.“ Acabou por ser demitido da equipe pouco tempo depois. Na passagem frustrada pelo clube português, Jupp angariou diversos desafetos, entre os quais se destaca o ex-atacante espanhol Tote. “Gostei muito da experiência (de jogar pelo Benfica), mas dei de cara com um tipo chamado Jupp Heynckes, de quem tenho más recordações. Parece-me uma má pessoa, era um covarde. Por exemplo, portou-se muito mal com João Pinto, e também teve problemas como Nuno Gomes e Maniche”, disse recentemente.

Após uma segunda passagem pelo Athletic Bilbao, e ter se afastado dos campos alemães por alguns anos, Heynckes decidiu retornar à Bundesliga. Amadurecido, comandou o Schalke 04 na temporada 2003-2004, para logo em seguida voltar ao Borussia Mönchengladbach. Ao contrário do passado, em que se tornou ídolo como jogador e um treinador com trabalho longevo e respeitado, a segunda passagem pelo Gladbach foi extremamente turbulenta.

A fraquíssima campanha na Bundesliga ocasionou algo impensado e chocante em se tratando de um ídolo do clube: Jupp recebeu ameaças de morte. Isso fez com que deixasse o comando técnico do clube abruptamente. “Eram ameaças tão sérias que tive de ser acompanhado por policiais à paisana nas deslocações a Bochum e a Cottbus. As coisas atingiram um nível tão dramático que não podia esperar que a minha mulher aguentasse mais esta situação“, revelou a respeito.

O Gladbach ocupava naquele momento o antepenúltimo lugar da Bundesliga, com apenas 16 pontos em 19 jogos. Os constantes ataques da imprensa também pesaram na decisão de Heynckes deixar a equipe: “Nesta situação acho que o melhor para o clube e para a equipe era minha demissão e tirar a pressão dos ombros dos jogadores diante das notícias negativas”. Com o pedido de demissão, Heynckes abriu mão de 1,5 milhões de euros de seu contrato que duraria até o fim de junho de 2008. A atitude levou o presidente do Gladbach, Rolf Königs, a dizer que Jupp era “um homem de honra e um cavalheiro”. O clube terminaria o campeonato em último lugar na Bundesliga, sendo assim rebaixado.

Heynckes comandando o Gladbach durante a problemática passagem pelo clube entre 2006 e 2007 (Foto: dpa)

A decepcionante passagem pelo Gladbach fez com que Jupp se afastasse do futebol. Entretanto, no ano de 2009 ele interrompeu de maneira surpreendente a aposentadoria precoce ao aceitar interinamente o cargo de técnico do Bayern. A verdade é que ele não havia deixado de ser um homem do futebol e, como outrora disse o filósofo alemão Nietzsche, “só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos“. Assim, Jupp foi fiel a si mesmo e voltou a treinar atendendo a um pedido pessoal de seu amigo Uli Hoeness. Substituindo o demitido Jürgen Klinsmann, recuperou a equipe em crise levando-a ao vice campeonato.

Atendendo a um pedido de Uli Hoeness (no centro da foto) Heynckes retorna ao Bayern (Foto: dpa)

Em seguida, depois de treinar o Bayer Leverkusen entre 2009 e 2011, Jupp retornou para sua terceira passagem pelo Bayern de Munique. No ano de 2012, as derrotas para o Chelsea na final da UEFA Champions League e para o Borussia Dortmund na final da Copa da Alemanha foram duros obstáculos que Jupp teve que superar. Chegou a ser chamado de “desastre“ por setores da imprensa e até mesmo dentro do clube. Mais uma vez teve que enfrentar um desafio em sua vida: “Como jogador e treinador, tive uma abundância de grandes momentos, mas eu também sofri decepções. As decepções não geram dúvidas sobre si mesmo, mas sim proporcionam a mudança. Eu sempre vi falhas como um desafio pessoal“, disse à Der Spiegel.

Heynckes e Schweinsteiger após a derrota para o Chelsea na final da UEFA Champions League (Foto: Associated Press)

O desafio foi vencido e a Tríplice Coroa conquistada em 2013 com os títulos da UEFA Champions League, Bundesliga e Copa da Alemanha. "Talvez há dez anos, eu não teria sequer sonhado com isso. Sinto-me humilde e feliz por estar aqui. Muito obrigado" agradeceu Jupp ao receber da FIFA o prêmio de treinador do ano de 2013. Metaforicamente, pode-se dizer que os clientes de sua mãe foram convencidos a pagar o que deviam, todas as bolas de tênis foram recolhidas e não faltam mais os simbólicos dez centavos que o impediram de ver o filme quando criança. Quando quisesse, o menino que chutava bolas contra a parede poderia ir ao cinema para ver a história do melhor técnico do mundo em 2013. Um filme que contaria a trajetória de um dos maiores nomes da história do futebol alemão, um ícone chamado Jupp Heynckes. “Pode entrar, você é nosso convidado“, certamente diriam na porta do cinema, ao som de aplausos semelhantes aos que ocorreram durante a entrevista em Gladbach.

Heynckes e jogadores comemorando a vitória do Bayern na final da UEFA Champions League em 2013 (Foto: Getty)

Heynckes, Rummenigge e Hoeness celebrando as conquistas (Foto: Getty)

Heynckes ao receber o prêmio da FIFA como melhor treinador do ano de 2013 (Foto: Getty)

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