Guia VAVEL da Copa Libertadores: San Lorenzo
Time estará no grupo 2 da Libertadores (Arte: Walter Paneque/VAVELcom)

Fundado em Abril de 1908 pelo padre Lorenzo Massa, o San Lorenzo de Almagro se encontra em uma de suas melhores fases no futebol. O time é o atual campeão do Torneo Inicial, que o classificou para Libertadores, e vive a expectativa de disputar a competição. Último clube a se classificar, o Ciclón segurou o 0 a 0 com o Vélez Sarsfield na última rodada e contou com o empate entre Newell’s e Lanús para levantar a taça e encerrar um jejum de seis anos sem títulos. Considerado um dos cinco grandes da Argentina, é o único que ainda não venceu a Libertadores. O time do Papa Francisco teve onze participações na competição, chegando a semifinal em três oportunidades (1960, 1973 e 1988). O San Lorenzo está no grupo 2, ao lado de Botafogo, Independiente del Valle (EQU) e Unión Española (CHI).

Detentor de títulos importantes como a Copa Mercosul e a Sul-Americana, o San Lorenzo comanda seus jogos no estádio Pedro Bidegain, mais conhecido como “El Nuevo Gasómetro”, com capacidade para cerca de 45 mil pessoas. Comandado pelo recém-contratado Edgardo Bauza, que entrou no lugar de Juan Pizzi, o azul-grená manteve sua base do ano anterior e trouxe novos jogadores, como o zagueiro da seleção colombiana Valdés e os atacantes Mauro Matos (ex-All Boys) e a revelação Blandi (ex-Boca Juniors). A única baixa é a lesão do atacante Martin Cauteruccio, que rompeu os ligamentos cruzados do joelho direito e se recupera até Abril.

A joia do time é o atacante Ángel Correa, de 18 anos, que recebeu sondagens do Atlético de Madrid, Valencia, Real Madrid, Juventus, Dnipro-UCR e Benfica. O presidente do clube, porém, afirmou que o jogador só sai depois da Libertadores. O craque do time argentino é o camisa 10, Leandro Romagnoli, de 32 anos, responsável pela armação das jogadas. O jovem lateral-esquerdo Buffarini e o meia Piatti, artilheiro do Torneio Inicial com oito gols, também se destacam.

Capitão da equipe, o zagueiro Pablo Alvarado está fora dos 3 primeiros jogos da Libertadores. O jogador foi suspenso no jogo contra o River Plate pela Copa Sul-Americana de 2013 e terá que cumprí-la na Libertadores desta temporada. A equipe disputa ainda o Torneo Final, que se inicia nesta sexta (7), e o técnico Bauza já declarou que deve ir com força máxima nas duas competições.

Edgardo Bauza, o comandante

Um dos grandes ídolos do Rosário Central, o ex-zagueiro Edgardo Bauza será o grande responsável por comandar a equipe do San Lorenzo em busca do inédito título continental. Como treinador, El Patón já alcançou este feito em uma oportunidade. Em 2008, quando comandava a LDU, o argentino eliminou a equipe do Ciclón nas quartas de final, em uma emocionante disputa de penalidades antes de conquistar - da mesma forma - o primeiro título da equipe equatoriana diante do Fluminense, em pleno Maracanã lotado.

Depois da campanha vitoriosa, Bauza se transferiu para a Árabia, mas retornou à LDU ainda em 2009, aonde pernameceu até a última temporada. Na atual, assumiu o San Lorenzo com o desafio de vencer a Libertadores pela primeira vez na história do clube de Boedo e de honrar as tradições de um dos maiores clubes do mundo.

Leandro Romagnoli, o craque

Falar de Leandro Romagnoli é falar de San Lorenzo. Com mais de 300 aparições vestindo o manto do Ciclón, o meia de 32 anos tem uma relação de puro amor com a equipe e a torcida de Boedo. Revelado pelo clube de Almagro em 1998, Romagnoli teve uma primeira passagem brilhante no San Lorenzo. Com 27 gols em 197 partidas disputadas, o armador foi fundamental na espetacular temporada de 2001, quando o Ciclón venceu o Clausura e a Copa Mercosul daquele ano. Em 2002, foi o grande craque da equipe na conquista da Copa Sul-Americana.

Em 2005, Romagnoli se transferiu para o Veracruz, do México, aonde permanceu até 2006, quando foi emprestado - e depois comprado em definitivo - ao Sporting, de Portugal. Na Europa, El Pipi permaneceu até 2009, quando decidiu regressar ao clube que o consagrou. Com um recomeço marcado por muitas lesões, Romagnoli só conseguiu recuperar o carinho da torcida azulgrana em 2012, quando salvou a equipe do rebaixamento.

Após seguidas campanhas ruins, o San Lorenzo se encontrava em situação crítica na luta contra o rebaixamento no Clausura 2012 e Romagnoli, a grande esperança da equipe, vivia um momento muito ruim, prejudicado por seguidas lesões e uma possível aposentadoria era cogitada pelo meia, que era alvo constante de críticas da torcida. Entretanto, a quinta rodada daquele campeonato foi decisiva para a carreira de Pipi. No encontro com o Belgrano, o camisa 10 fez um segundo tempo espetacular, recuperou a confiança da torcida e embalou em uma sequência espetacular de atuações, se transformando no herói de Boedo.

Na rodada 16, bastava uma derrota para o clube de Almagro ser matematicamente rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Argentino. O adversário era o temido Newell's Old Boys e Romagnoli começava o duelo no banco de reservas. No intervalo, quando a equipe já estava perdendo por 2 a 0, o técnico Ricardo Caruso Lombardi decide colocar El Pipi em campo e a história do San Lorenzo naquele Clausura começa a mudar. Logo nos primeiros minutos, Romagnoli cobra escanteio para a grande área e Gigliotti diminui o marcador. Carlos Bueno empatou a partida minutos depois, mas a tensão pernameceu até o final. Aos 44 minutos da etapa final, Romagnoli recebeu a jogada no meio de campo, fintou dois marcadores e cruzou a bola na grande área para Gigliotti colocar o San Lorenzo na frente e fazer o Nuevo Gasómetro explodir em festa.

Começava ali uma caminhada rumo ao milagre de permanecer na primeira divisão. Nas rodadas seguintes, uma derrota por 3 a 1 para o Tigre - com gol de Romagnoli de falta - e um empate sem gols com o Independiente obrigaram o San Lorenzo, no mínimo, a disputar a Promoción, o mata-mata contra o rebaixamento. Na última rodada, o confronto era contra o San Martín de San Juan e uma derrota colocaria o Ciclon automaticamente na Série B. A única esperança era uma vitória do Cuervo, aliada a um tropeço do Banfield diante do Colón.

Tudo começou de maneira perfeita, com o Nuevo Gasometro lotado, o Colón abrindo o placar nos minutos iniciais na partida contra o Banfield, mas faltava um pequeno detalhe: o gol na partida do San Lorenzo. E ele veio, mas pela representação do San Martín. Aos 27 minutos do primeiro tempo, Caprari abriu o placar para os visitantes e o desespero tomou conta da torcida azulgrana. Entretanto, a situação não durou muito tempo. Um minuto depois, Carlos Bueno empatou para o Ciclón e tranquilizou a equipe, que ainda precisava da vitória. Com dez minutos do segundo tempo, Romagnoli cobrou escanteio com perfeição Kannemann colocou o San Lorenzo na frente. O resultado final - uma vitória do Cuervo por 3 a 1 - aliada a derrota do Banfield diante do Colón, colocaram o San Lorenzo na Promoción.

No mata-mata, Romagnoli e Carlos Bueno foram os destaques da vitória por 2 a 0 no primeiro jogo, fora de casa, e o empate em 1 a 1 em casa diante do Instituto de Córdoba, que mantiveram a equipe na Primeira Divisão. No ano seguinte, Romagnoli conseguiu se manter livre das lesões e foi peça fundamental no título do Torneo Inicial, que colocou a equipe na Libertadores de 2014.

Como joga o San Lorenzo

Em um 4-2-2-2, o San Lorenzo de Almagro conta com a habilidade dos seus enganches, Leandro Romagnoli e Ángel Correa, para armarem o jogo e criarem oportunidades de gol para os artilheiros Piatti e Villalba. Com um time extremamente perigoso, o Cuervo deve ser uma das principais forças dessa competição, principalmente pelo fato de ter na sua torcida uma das mais apaixonadas de toda a América do Sul - e do mundo - e que promete lotar o Nuevo Gasómetro e empurrar a equipe até as vitórias. O time base é: Torrico, Gentiletti, Alvarado, Kannemann e Cetto; Mercier, Buffarini, Romagnoli e Correa, Piatti e Villalba; Suspenso, Alvarado não atuará nas três primeiras partidas da Libertadores e deve ser substituído por Prospéri.

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