Guia VAVEL da Copa Libertadores: Botafogo
Time estará no grupo 2 da Libertadores (Arte: Walter Paneque/VAVELcom)

Em 2013 o Botafogo classificou-se para a pré-Libertadores, e confirmou a participação na fase de grupos depois de golear o Deportivo Quito, no Maracanã, no dia 5 de fevereiro. O direito de jogar a Copa Libertadores da América veio como coroação de uma excelente campanha do Alvinegro no Campeonato Brasileiro de 2013. A equipe, então comandada por Oswaldo de Oliveira, alcançou a quarta colocação, após ter passado todo o ano figurando entre as primeiras posições do campeonato, chegando a inclusive ocupar o topo da tabela em algumas rodadas. Apesar da regularidade, em caso de vitória da Ponte Preta na Copa Sul-Americana, o Botafogo ficaria mais um ano fora da Libertadores, e a classificação quase não aconteceu.

O ano de 2013 começou com o titítulo do Campeonato Carioca, ao vencer o turno e returno. A Taça Guanabara foi conquistada em cima do rival Vasco da Gama, e a Taça Rio ao derrotar a equipe do Fluminense. Foi o único título do Botafogo no ano, e foi injeção de confiança. A Copa do Brasil foi a primeira decepção do ano: a equipe alvinegra foi goleada por seu maior rival Flamengo e acabou eliminada da competição.

O Botafogo mandará seus jogos no Maracanã, com capacidade para 78 mil torcedores. A recomendação era de que o estádio não recebesse mais de três jogos ao mês, pois também será sede da Copa do Mundo de 2014, mas como as reformas do Engenhão ainda não foram concluídas, todas as partidas do Alvinegro na fase de grupos serão jogadas no estádio mais famoso do Rio de Janeiro. A estreia da arena na Libertadores de 2014 aconteceu na última quarta-feira: o Maraca recebeu mais de cinquenta mil torcedores alvinegros, que lotaram as arquibancadas e protagonizaram a maior festa que o Botafogo viu nos últimos anos.

A Libertadores tornou-se obsessão. As quase duas décadas ausentes, e o fato de ter ficado de fora por muito pouco uma temporada antes, tornaram a competição o foco do Alvinegro no ano. A torcida espera uma participação honrosa no torneio, considerando os recursos e o plantel que o time tem à disposição; e um insucesso certamente causará revolta, graças a todo o clima de euforia que foi criado em torno da possibilidade de voar alto na competição. A diretoria armou um planejamento diferenciado para a temporada, e neste início de ano, o Botafogo conta com duas equipes distintas: uma focada totalmente na Libertadores, e outra que joga apenas o Campeonato Carioca; além de ter mantido a base de 2013 e ter anunciado um pacotão de reforços.

A classificação amenizou uma crise que começava a se desenhar em General Severiano. A campanha dos reservas e o futebol apresentado no Campeonato Carioca não convenceram: em cinco jogos, duas derrotas, dois empates e apenas uma vitória, que colocam o Alvinegro em uma incômoda décima colocação. Além disso, a torcida começava a cobrar da diretoria a falta de investimento – o time gastou bem menos do que lucrou com negociações ao longo do ano, e na visão de parte dos adeptos, não conseguiu suprir todas as carências do plantel, bem como repor à altura os titulares negociados com outras equipes. Ferreyra é o exemplo mais claro: chegou para ser a referência do ataque na Libertadores e substituir Rafael Marques, mas em seu primeiro jogo diante da torcida, saiu de campo vaiado.

Para 2014, o Alvinegro perdeu peças importantes. O primeiro a anunciar a saída foi o treinador Oswaldo de Oliveira, ainda em 2013. Depois, o ídolo Seedorf se aposentou para assumir cargo de treinador no Milan; e por fim, Rafael Marques, artilheiro no ano passado, também deixou a equipe. Hyuri, Bruno Mendes, Alex, Gilberto, Lima e Lucas Zen completam a lista de baixas do elenco alvinegro.

Para suprir as saídas, o Glorioso anunciou reforços experientes. Os primeiros a chegar foram o meia Jorge Wagner, os laterais reservas Alex e Anderson e o goleiro Helton Leite, seguidos pelos volantes Mario Bolatti, Rodrigo Souto e Airton. Para o ataque, o Botafogo acertou a manutenção do empréstimo de Elias, a contratação de ‘El Tanque’ Ferreyra e Wallyson. Os últimos reforços, anunciados nos últimos dias, foram o zagueiro Mario Risso, o meia Ronny, ex-Figueirense, e o lateral-esquerdo Junior Cesar.

Eduardo Húngaro, o comandante

O escolhido para comandar o time foi Eduardo Hungaro, treinador da base alvinegra desde 2009. O Botafogo será a primeira equipe profissional de sua carreira, e ele foi efetivo após a saída de Oswaldo de Oliveira justamente por já conhecer o time. De certa forma, uma aposta da diretoria, a julgar sua inexperiência à beira das quatro linhas. O treinador conquistou facilmente a confiança dos atletas, que já o chamam pelo apelido, mas não conseguiu a mesma resposta dos torcedores: foi pressionado pela torcida devido aos maus resultados no Campeonato Carioca, mas após o jogo contra o Deportivo Quito, deverá ter paz para preparar a equipe.

Nenhum destaque individual no Glorioso

Não há nenhum grande craque no elenco. Seedorf desequilibrava por sua experiência, intimidava por seu nome e currículo. No Botafogo, isso não existe mais, e o principal trunfo do Alvinegro será o entrosamento e o jogo coletivo. A base do time é composta por atletas que já estavam em General Severiano em 2013, e os reforços mostraram que se entenderam com os companheiros. Eduardo Hungaro já encontrou o padrão de jogo ideal para sua equipe, e apesar da campanha ruim no Estadual, o time titular ganhou dois dos três jogos que disputou na temporada.

A experiência pode também está a favor do Botafogo: praticamente todos os reforços do time titular já jogaram a Libertadores: Bolatti acumula aparições dos tempos de Internacional; Ferreyra foi vice-campeão em 2013 e Wallyson o artilheiro da competição em 2012. Os jogadores servirão como líderes para os jovens do plantel, como Dória e Gabriel, que subiram da base há pouco tempo e estão realizando suas primeiras aparições em disputas continentais. Jefferson, Bolívar, Lodeiro e Jorge Wagner também terão a responsabilidade de auxiliar os novatos.

Como joga o Botafogo

A formação tática costumeiramente conta com quatro defensores, dois volantes, três meias e um atacante fixo na área. O time-base que deve disputar a Libertadores é composto por Jefferson; Lucas (Edilson), Dória, Bolívar, Julio Cesar; Bolatti, Gabriel, Jorge Wagner, Lodeiro e Wallyson; ‘El Tanque’ Ferreyra (Elias). No que se viu no início da temporada, Lodeiro assumiu o papel de armador, antes realizado por Seedorf, enquanto cabe a Jorge Wagner e Wallyson caírem pelas pontas para municiarem o jogo aéreo do centroavante Alvinegro

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Heróis do passado são o espelho para 2014

A principal campanha do Botafogo na Libertadores foi guiada pelos pés de seus maiores ídolos. O Botafogo da década de 60, considerado o maior esquadrão da história do clube, foi o responsável por levar a equipe às semifinais da competição em 1963 O adversário foi o Santos de Pelé, a melhor equipe brasileira da época. No jogo de ida, em São Paulo, empate. Na volta, em pleno Maracanã, goleada: o Santos fez 4 a 0 e avançou às finais, para posteriormente sagrar-se campeão da competição.

A equipe era composta pelos principais craques da história do clube, que junto com o rival Santos, formaram a base da Seleção Brasileira de 1958 e 1962. Garrincha, Jairzinho, Nilton Santos, Amarildo e Zagallo faziam parte do time, credenciando o Glorioso como a única equipe capaz de fazer frente aos rivais paulistas. Ainda assim foi insuficiente para garantir o título continental, que não foi a única vez em que o Santos trinfou perante o Botafogo.

Os finalistas da Taça do Brasil seriam os representantes brasileiros na Libertadores. A decisão foi disputada justamente por Santos e Botafogo. No primeiro jogo, em SP, 4 a 3 para o Santos. No Rio de Janeiro, 3 a 1. Com o empate no placar agregado, um terceiro jogo foi marcado: 5 a 0 para o Santos, reafirmando a equipe praiana como principal do Brasil, e o Botafogo como segunda força. Após a histórica campanha de 1963, o Botafogo voltou para a Libertadores apenas 10 anos depois.

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